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Não há mal estar que resista ao grande oceano

Não há mal estar que resista ao grande oceano

Nowmastê

Por Christiane Afondopulos*

Qual é a verdade sobre a minha origem? E quem pode me dizer se as coisas pelas quais passei fazem alguma diferença?

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É certo que somos únicos no nosso jeito de ser. Até mesmo irmãos criados da mesma forma pelos mesmos pais apresentam características completamente diferentes, muito embora tenham a mesma história familiar.

Pois é, cada um pensa e reage a seu modo particular.

E muitos se interessam em avaliar suas origens: quem são seus pais, por que decidiram ter filhos e em que momento, qual sua descendência e o que isso significa diante da sociedade, e por aí vai.

Além disso, levam em consideração as circunstâncias em que foram criados e como isso influencia seu modo de vida atual: se tiveram oportunidades, se foram acolhidos e escutados, se receberam orientações dos mais diversos tipos, se cresceram rodeados por uma família grande e feliz, se puderam fazer suas próprias escolhas sem serem podados, se os pais sempre ofereceram um abraço e disseram “eu te amo”.

Mas será que isso faz alguma diferença? Ou melhor, até que ponto da vida isso faz alguma diferença?

O fato é que se olharmos pro imenso oceano, tudo isso vai ficar muito pequeno…quase desaparecer. E aquele que ficar sentado do seu lado, seja ele quem for, merece um lugar especial no seu coração.

Aí, não vai mais interessar quem é seu pai ou sua mãe, se o casamento deles foi perfeito e se ficaram juntos até o fim da vida, se você foi gerado no momento de maior amor, se foi criado pelos tios ou por amigos, se é dessa ou daquela descendência.

Da mesma forma não vai interessar se seu irmão recebeu mais atenção que você, se você teve menos oportunidades que os outros, se sua família vivia brigando, se lhe foram impostas exigências que afogaram suas próprias vontades, se os abraços e as declarações de amor quase não existiram.

Uns são grandes, outros pequenos. Uns são fortes, outros mais fracos. Uns nasceram aqui, outros alí. Uns sabem transmitir o amor, outros nem tanto.

E tudo isso pode até te machucar por um tempo e acompanhar alguns de seus dias. Mas não para sempre.

Também não tem hora marcada.

Quando se sentir pronto, pare, sente, respire, olhe pro oceano sem fim e faça uma reflexão sobre tudo aquilo que está dentro de você e que é só seu, único, lindo, cheio de amor!

Então, quando olhar para o lado, ainda que quem esteja lá seja a pessoa mais diferente, você vai ser capaz de amá-la. Nem a sua origem ou as coisas pelas quais passou vão fazer alguma diferença no seu olhar, tampouco perpetuar qualquer mal estar.

Christiane Afondopulos

*Christiane Afondopulos é psicóloga e advogada e adora escrever como um exercício para a alma.No seu blog (Chrizoca) publica seus artigos e também colabora com a página virtual da Obvious.

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