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Místico de outubro

Místico de outubro

Carlos Walker

Por Carlos Walker*

Libra, signo-objeto. As nuvens enveloparam o sol e o azul foi selando a última esperança. Notícias correm. A tarde está morrendo em chamas. E eu enxáguo meus olhos no mar e depois os solto  outra vez  pelos fins do  horizonte. Daqui assisto: mãe dos cavalos com suas cabeças  em cristas de  crinas, em ondas galopantes. 

Preciso encontrar o amor como Abraão e Moisés  encontraram a  sua fé no deserto. Calo-me num  santuário. O amor é alma do seu próprio símbolo. Mas  quando penso e o tempo ceifa o espaço, nasce esperma desta espuma, a única flor-de-nós-dois. E  mesmo assim, o tempo nos localiza. Lua e Vênus nascendo  na praia. Eu,  acrobata  alço voo. Pulando de astro em astro. Só para  capotar e  depois você me ver cair em pé, equilibrando os dois pratos desta balança.

Onde está o anel perdido? Preciso encontrar  e aceitar o dom. O condão de outrem. A nossa casa recíproca depois do Dilúvio beatificado. Uma música escrita em arabesco. Sou filho deste arado de uma estória seca e  sem pressa. Da sementeira e dos primeiros versículos. De um casamento ungido entre mim e a enxada feita da madeira da cruz. A palavra que liga, vibra, acorda e revela o caminho onde está  o livro mágico guardado como  arca esquecida;  a nossa nave cardíaca,  que sai deste hangar de terra,  lágrima do sal para o dragão oceânico mais profundo.  

Quero com você numa sala de estar, o mistério do ser de nós-dois, até um dia, quando não estaremos mais alí mas muito mais além do que virá depois. Apenas o fiel da balança.  De todos, os muitos e variáveis, só apenas o único e nosso.  Aquele objeto. Que irá ligar,  aterrar, antenar a tudo que está nos vendo, invisível atento. Para no fim, derramar o vinho da transmutação em nosso cálice cardíaco. E  saborearmos este amor que é o nosso  sagrado líquido.

Venham, avisem, gritem. Todos: nativos da África, da  Ásia, da Polinésia por  todos os arquipélagos e cordilheiras. A chuva devolve e mostra seu corpo de arco-íris. Passagem para encontrar. Vencer abrigos. Cidades inteiras iludidas, infestadas de robôs-arlequins por ruas de bijuterias e néons. 

Calço asas aos meus pés em busca deste meu caminho secreto. Estou sendo a minha própria passagem. Até que um dia entre sequoias  numa avenida atlântica, o nosso Graal indecifrável nos eternize. As sentenças não chegam mais ao raiar do dia e a humanidade perdeu as suas últimas memórias. Pessoas substituíveis, babilônicas aguardando o momento da última bomba sobre as cinzentas e estilhaçadas cidades.

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Igualar as distâncias entre nossos atos e nossas esperas  até onde nossas coincidências  contrárias  a nos enlaçar  e finalmente levar ao beijo extático.  Para o ínfimo da eternidade e o  jorro de  colunas d’agua e cânticos dos cânticos,  o nosso futuro berço apontado por um sonho aberto a sete chaves.

Aguardo a comunhão para chegar às grandes nebulosas. A pérola do som na concha. Este sempre foi o  segredo do meu amor por você. Noites  e  chuva de estrelas sobre a Índia. E o nosso amor  como num tapete mágico a levitar voos rasantes pelo Himalaia. E aquela canção búdica circular  indo num crescente desenhando a nossa história em filigranas, linhas  de caminhos terrestres. A mais linda música da Terra. 

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É tudo uma questão de deixar o tempo passar pela boca deste imenso e infinito sino.  Aqui estarei  descalço a vaguear por estas praias cósmicas  com ventos solares me arrastando. Mesmo com esta massa de dor e o karma cheio de feridas. Sabendo que você irá chegar um dia para fazer deste meu laboratório de angústias  todas as fontes de alegria para o fazer  diário. O serviço amoroso. E  eu apenas ali em silêncio sorrindo ao seu lado.

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 *Carlos Walker, IO Escola de Astrologia. 

Tel: 11- 97129-9876  – [email protected]

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