Lendo agora
Minha Índia é aqui – por Paula Zogbi

Minha Índia é aqui – por Paula Zogbi

Paula Zogbi

Já ouvi muitos relatos de pessoas que decidiram ficar meses na Índia, alguns em longos retiros no ashram, ou fazendo um ano sabático à procura de encontrar-se mundo afora, ou morar numa floresta meses a fio. Acho tudo isso muito válido, mas ao mesmo tempo me pergunto se esses retiros da realidade, que mudam alguém repentinamente, por vezes não se sustentam por apenas alguns dias ou meses, quando retornamos. Para na sequência voltarmos a ser o que éramos antes.

Ao mesmo tempo, encontro com dezenas de pessoas sedentas por esse encontro e não o fazem porque não podem no momento ir para a “Índia”.

yogi_mountain2

Será que é preciso mesmo?

Não tenho dúvidas que essas viagens devem quebrar paradigmas, obviamente se a pessoa estiver entregue para isso. Assim como também não duvido que você pode trazer sua “Índia” para cá, para dentro do seu apartamento, dentro do seu carro, no meio do trânsito.

transito

Digo isso porque eu mesma o fiz.

Já fiz inúmeras viagens não com esse propósito, pelo menos não consciente dele. Mas, de alguma forma, conhecer novas culturas e costumes sempre alteram nosso olhar sobre o mundo e isso modifica também um pouco de quem somos. Nunca voltamos os mesmos.

Porém, agora, consciente do quanto preciso dar um senhor mergulho dentro de mim, adoraria poder fazer uma viagem dessas. Mas no momento tenho outras prioridades de ordem prática.

 

Mas, me perguntei: – “Paula, afinal qual viagem você quer fazer?”

Nesta hora a ficha caiu e fez um estrondo. Não importa o lugar. A viagem é interna!

Olhei para o mesmo panorama e cenários de todos os dias e resolvi modificar o meu modo de vê-los, assimilá-los, e tudo foi se alterando dentro de mim. Observei que para mim não é preciso ir para o meio da floresta para silenciar. O pior barulho é o que vem de dentro.

mergulho

Meditar para mim não é mais tentar trezentas técnicas, uma diferente a cada dia. Descobri que o que incomoda não é a dor no bumbum, são as dores alojadas e escondidas em algum canto da memória, sedimentada no corpo. Elas que me deixam impacientes.

Descobri que meditar não é silenciar a mente. É acalmar o coração, baixar a pressão, é deixar escorrer uma lágrima, soltar um suspiro, é não forçar a respirar, respirar, respirar. Minha mente vai se acalmando, silenciando, justamente quando paro de impor isso a ela, quando me entrego, saio do controle (o que é não é muito fácil, não).

controle

Outra coisa que me ajuda muito a meditar é não julgar o que vem, o quanto vem, a barulhada toda. Há dias de sol, mas há os dias de tempestade. É principalmente nestes dias que não fujo de mim, que abraço minha sombra porque entendo que ela faz parte da minha natureza, que não sou um ser só de luz. Nos dias de escuridão procuro me abraçar com muito carinho, como uma mãe acarinha seu bebê que chora assustado na madrugada. Agora bem crescidinha lembrei que hoje posso me tratar com este mesmo afeto e generosidade.

Faz três anos que estou dando uma volta ao mundo. Um mundo que estava adormecido. Pior, um mundo que se achava muito desperto, que sabia tudo, que conhecia cada cantinho, cada refúgio. O mundo de Maya…das ilusões!

mundo

Hoje continuo viajando pela minha Índia aqui mesmo, em São Paulo, na maior parte das vezes dentro de casa ou indo às aulas ou no curso de capacitação de yoga.

E te digo: já conheci vários lugares muito interessantes, mas esta minha Índia aqui está sendo uma verdadeira expedição com mergulhos em apneia.

E então, que tal procurar seu pacote de viagem por aqui mesmo? 

Até a próxima!

Paula Zogbi

 

 tchom

Paula Zogbi é formada em Comunicação Social, é redatora e escritora.

Pratica yoga há 14 anos, desde o ano 2.000.

Com o Prof. Marcos Rojo, há 3 anos, com quem está atualmente se formando no Curso de Capacitação em Yoga no IEPY/USP.

Formada no Curso de Terapias Ayurvédicas, com ênfase em Nutrição, no Instituto Dhavantari.

Formada em Dança, que praticou durante 26 anos: Ballet Tânia Ferreira, Ballet Stagium, Ruth Rachou, Yasmim Namuh, Ivaldo Bertazzo.

Vá para cima