MI CASA ÉS TU CASA EM OAXACA

Carol Lefèvre*

Carol Lefévre
O meu alebrije

Eu posso dizer que a frase mexicana “mi casa és tu casa” é mais do que uma frase de efeito, é realmente como os mexicanos te recebem. Pelo menos foi isso que eu vivi em Oaxaca.

Na semana que cheguei na cidade, fui fazer uma aula de kundalini yoga e conheci Dóris, a professora. Ela ia sair de férias e já me perguntou se eu daria as aulas para ela. Além de dar as aulas para ela também me mudei para a sua casa e passei uma semana lá.

Ela mora com a mãe, Dona Lili, uma senhora de 89 anos e uma das pessoas mais interessantes que eu conheci e tive o prazer de conviver. A disposição dela é de deixar muita gente jovem no chinelo. Acorda cedo todo dia, às 8:00 vai para a igreja onde organiza um café da manhã para indigentes. Depois volta para o café da manhã, o tradicional desayuno mexicano, de lá segue para um dos seus trabalhos, tem um hotel e uma loja de produtos religiosos. Volta para almoçar em casa, sempre acompanhada de amigos ou familiares e de tarde volta para o trabalho e vai para a missa. Detalhe, sempre elegante, vestida de preto e usando salto e indo de um lugar a outro dirigindo seu carro.

Mas o que mais me encantou foi a sua alegria, um olhar vivo e maroto. E um acolhimento que me fez sentir mais como um membro da família do que uma visita.

Eu, dona Lili, Dóris e a cachorrinha Cosita

Outra experiência incrível foi a minha viagem e estadia em um  pequeno pueblo chamado Santa Catarina Minas onde fui fazer um workshop de artesanato e fiquei hospedada na casa de uma família de lá. A minha viagem foi organizada como parte do projeto Commune, que conheci através do David, um mexicano que conheci no Hostel de Oaxaca e que tem um sócio brasileiro que vive no México, o João. Eles tem esse projeto de turismo comunitário e assim também gerar uma fonte de renda para famílias que são bem pobres. Um projeto incrível onde viajar é realmente estar em contato com as pessoas e a realidade local.

De novo, fui super bem recebida, comi na cozinha com forno a lenha e parede de adobe. Mas pude ver e vivenciar as condições em que vivem. A casa não tinha água encanada, a água, que chegava alguns dias da semana era armazenada em caixas d’água improvisadas no quintal. Não tinha chuveiro, tomei banho de caneca. Para mim, foram apenas 2 dias, para eles é simplesmente a sua realidade. Às vezes a gente não se dá conta, mas simplesmente ter um banheiro com descarga, pia e chuveiro funcionando são um privilégio que boa parte da população do México, do Brasil e do mundo não tem. Um banho de realidade.

Lupe, minha anfitriã com seu filho mais novo e eu.
Lupe, minha anfitriã com seu filho mais novo e eu.

O workshop de alebrije (artesanato de bichos super coloridos feitos de madeira) foi na casa de outra família. As crianças foram fazendo junto e depois fomos passear numa pequena represa perto da casa. Enquanto eu fazia o workshop outras pessoas da família foram  visitar a avó e mais tarde, quando eu voltava caminhando para a casa onde estava hospedada, as crianças me reconheceram e me chamaram na rua. De novo, mal tinha chegado e estava fazendo parte…

Eu e meus professores de alebrije!
Eu e meus professores de alebrije!

 

 

Carol

*Carol Enguetsu Lefèvre esteve por alguns meses entre 2014 e 2015 em San Francisco Zen Center e depois partiu para o México, dessa vez para a Oaxaca. E vem vindo na direção do Brasil, mas sem data de regresso e aberta para as oportunidades que surgirem pelo caminho.

 

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