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Meu nome é Coen

Meu nome é Coen

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Photo credit: Fernando Stankuns via Visual Hunt / CC BY-NC-SA

Meu nome é Coen. É um nome composto de dois caracteres chineses. “Co” significa “só” ou “um só, única” (como monos em latim) e “en” significa “círculo perfeito” ou “compleição, perfeição”. Há um poema Chinês muito antigo no qual esses caracteres aparecem.

Mente-lua
Única e perfeita
A luz permite todas as formas
Quando luz e formas não são
O que é?

Os poemas Zen budistas são geralmente intrigantes. Manifestam o estado iluminado superior ou conduzem a questionamentos que encorajam a penetração no cerne do ser.

Vocês fizeram um momento de meditação hoje, antes do início deste encontro? Não? Então os convido. Vamos nos sentar sem recostar nas poltronas mantendo as costas retas, os pés firmes no chão, paralelos. Vamos procurar encontrar nosso ponto de equilíbrio balançando o corpo para a esquerda e para a direita como um pêndulo. Ao perceber o centro físico de seu corpo, fique aí. Solte o ar pela boca, profundamente. Esvazie os pulmões de ar e a mente de todos os pensamentos, idéias, conceitos. Coloque as mãos no mudra cósmico, ou seja, a direita por baixo e a esquerda sobre ela, ambas com as palmas para cima, apoiando as costas das mãos no colo e tocando com os dedos mínimos o abdômen. Os polegares em linha reta se tocam de leve, como se houvesse uma finíssima folha de papel entre eles. A ponta da língua no palato atrás dos dentes frontais. Os olhos pousados, entreabertos, num ângulo de 45 graus. Soltando todo o ar, vamos perceber tudo o que é neste instante. Vamos encontrar o ponto de equilíbrio perfeito. Exatamente aqui, exatamente agora. Foco firme e perfeito abrange toda a vida do universo.

Isto é Zen.

Zen significa um estado de meditação profunda. Não é algo que possa ser comprado em alguma loja. Nós temos de fazê-lo!
A palavra vem do sânscrito Dhyana ou Jhana, que os chineses chamaram de Ch’na e os japoneses de Zen.

O Buda histórico, Xaquiamuni, que viveu cerca de 600 anos antes de Cristo, torna-se Buda através da meditação, através do Zen. Num tratado muito antigo, transcrito de um país para outro por monges discípulos de Buda, o Livro da Transmissão da Luz – anais da transmissão dos ensinamentos de mestre a discípulo em sucessão histórica – o episódio de Xaquiamuni Buda é o Prólogo.

Segundo essa narrativa Xaquiamuni Buda sentou-se em Zen por uma semana. As ervas cresceram entre seus braços e pernas, um pássaro fez o ninho na sua cabeça, e teias de aranha cobriram seu corpo. Imóvel e irremovível assim permaneceu.

Na manhã do oitavo dia, depois de sete dias e sete noites de meditação profunda, durante a qual percebeu sua mente cheia de dúvidas, incertezas e tentações, tendo sido de permanecer focalizado no instante absoluto, ao ver a estrela da manhã, subitamente despertou e exclamou:

– Eu e todos os seres do céu e da terra, simultaneamente, nos tornamos o Caminho.

O Caminho é em todos nós! O ser iluminado percebe isto com clareza consciente.

Uma vez perguntaram a Buda:
– O que é a Verdade? Viemos discutir a verdade.
– Então não é sobre a verdade que nós vamos falar, porque a verdade não se discute – ela é! Sendo assim é impossível discutir a verdade.

Quando falamos o verdadeiro, todos entendemos. Não é verdade?

Quando não é a verdade se manifestando sabemos. Por quê?

Não é apenas porque lemos ou estudamos em algum lugar, mas porque todos nós sabemos em nós. Somos a manifestação da verdade do universo.

Há um monge que viveu na China por volta do século VIII. Seu nome era Gensha Shibi. Era uma pessoa simples, um pescador. Uma noite saiu como sempre para pescar com seu pai. O mar estava revolto, Águas turbulentas, ventania. O idoso pescador caiu do barco. O filho tentou, em vão, salvá-lo.

No vazio da noite escura as nuvens se abriram e a lua despejou-se no mar.

Foi nessa circunstância que ele entendeu aquilo que os monges estavam comentando alguns dias atrás. Os reverendos falavam sobre a lua na água, sobre a iluminação da mente, a paz de Nirvana. Gensha Shibi se aquietou.

Ao voltar à praia, deixou seu barco de pesca e foi para o mosteiro.

Anos e anos se passaram. Foi nomeado Abade Superior. Respeitado por monges e leigos que se juntavam para ouvir seus ensinamentos do Darma.

– O universo é uma jóia arredondada. Somos a vida do universo em constante transformação. Não há fora nem dentro.

Quando percebemos o que Gensha Shibi percebeu, quando penetramos no ponto de equilíbrio central do ser como Xaquiamuni Buda, a paz se manifesta, a verdadeira compreensão superior.

Conecta-se com o despertar a noção de profetas de tolerância. Mas creio que hoje em dia temos de ir um passo adiante da tolerância apenas. É preciso conhecer e respeitar as diferenças, compreender.

O XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatzo, embora não seja de minha tradição japonesa e sim do Tibet, é muito respeitado por todos religiosos. Seus seguidores o consideram uma manifestação de Kanzeon Bodhisatva, em Sânscrito é Avaloktesvara Bodhisatva, o bodhistava da Compaixão.

Na cosmologia budista, bodhisatva não é um ser humano que se tornou uma divindade ou que era um santo. Seria alguma coisa como se nós falássemos da “santidade”, a santidade ela mesma, que pode se manifestar em qualquer um de nós, e que às vezes se manifesta e de outras vezes desaparece. Há momentos em que somos bons e há um momento em que somos maus, por exemplo. Avaloktesvara Bodhisatva.é a capacidade de compaixão total.

Eu nunca encontrei com o Dalai Lama pessoalmente. A última vez em que ele esteve no Brasil, em Curitiba, quase, por um fiozinho, nos encontramos. Mas não foi possível. Tenho acompanhado seus ensinamentos e sua vida pelos livros, filmes, revistas.

Uma de suas histórias é muito interessante. Um monge foi preso, quando a China invadiu o Tibet. Foi torturado e passou por grandes dificuldades. Quando esse aluno é solto, vai se encontrar na Índia com o Dalai Lama. O seguinte diálogo ocorre:

– O que foi mais difícil para você durante esse tempo que esteve preso na cadeia: as torturas físicas, a fome, o medo, as torturas mentais? O que foi mais difícil para você suportar?

– Por um instante, quase que por um breve instante, quase deixei de sentir compaixão por aqueles que me torturavam.

Isso é que é o mais temível: perder a capacidade de tolerância, de compreensão, de compaixão pelo outro… Isso é que é terrível, isso é que é amedrontador.

Mahatma Ghandi usou uma frase que eu acho maravilhosa:

– Devemos ser a transformação que nós queremos do mundo.

Como é que nós queremos este mundo? Depende de cada um de nós, do que fizermos.

Xaquiamuni Buda dizia que há tantos Budas quanto grãos de areia no Ganges.

Outro aspecto importante é saber que os seres iluminados não estão isentos de discriminações. Isto é um assunto muito sério. Em minhas últimas etapas de treinamento, no Japão, fizemos estudos que poderiam ser chamados de Budismo Crítico. Nós começamos a reler todos os textos sagrados e rever toda a nossa prática religiosa sob o prisma de: será que nós discriminamos ou será que nós permitimos no passado que discriminações, injustiças, guerras e perseguições fossem feitas em nome do Budismo e dos Budas?

Foi um trabalho sério e muito difícil que continua…

Sob o prisma inter disciplinar Xaquiamuni Buda é importante ao transformar todo o sistema de castas da Índia. Ele não nega o sistema de castas (e isso é interessante), mas o vê de uma forma diferente. A casta não é por nascimento, mas sim por comportamento, atitude, gestos, palavras e pensamentos.

“Aquele que age, fala e pensa como um brâmane é um brâmane”.

Ele aceitava todos na sua comunidade, igualmente.

Certa feita Xaquiamuni Buda andava por uma rua e do lado oposto caminhava um jovem limpador de fossas, carregando nas costas um recipiente com tudo o que havia tirado das fossas. Quando vê Xaquiamuni Buda se aproximando, fica terrivelmente amedrontado, porque o sistema de castas não permitia um paria se aproximar de alguém de uma casta qualquer. E nessa sua aflição, não tendo para onde fugir, tropeça, cai, espalhando as fezes e urina no meio da rua. . Xaquiamuni Buda se aproxima e o ajuda a se levantar. Este jovem se torna um monge. Assim havia entre sua comunidade pessoas de todas as castas e mesmo aqueles que eram considerados parias (sem casta). Ele teve muitos seguidores.

Também teve seus desafetos. Devadata, um de seus primos monge, era muito ciumento. A comunidade de Buda crescia com muitos discípulos. Devadata querendo ser o líder, ter seus próprios discípulos, provoca cisões. Chega a tentar matar Buda, jogando uma pedra de cima de uma montanha. Buda nunca ficou com raiva dele, nunca sentiu rancor, nunca quis fazer nenhum mal a ele. Os sutras contam que no momento da morte Devadata se arrepende e roga por Buda.

O inferno tenebroso que se abrira imediatamente se transforma num mundo um pouco melhor.

Nesse relato há dois aspectos importantes. Um é que nunca, em nenhum momento, em nenhum sutra(sermão de Buda), em nenhum relato, Xaquiamuni Buda age como violência, com raiva, com rancor ou não-compreensão.

O segundo aspecto é a força do arrependimento. Pode transformar situações.

Entrando aqui a noção do livre arbítrio. Embora o Budismo ensine um universo de causas, efeitos e condições, não é pré-determinismo. Nossa ações transformam. Herdamos inúmeras coisas do passado, não só o DNA, o nosso corpo, a nossa maneira de ser, a nossa educação que recebemos, os nossos pais, as coisas que nos influenciaram na infância, tudo isto está em nós. Está nos formando, entretanto cabe a cada um discernir, escolher como ser.

No convento em que vivi por oito anos, no Japão, a Abadessa constantemente nos lembrava de uma jovem que perdera ambos os braços. Mesmo sem eles tornara-se monja, poetisa, escritora e pintora. Fazia tudo com os pés e a boca.

– O que é que você está reclamando? Você tem as suas duas mãos, você tem seus pés, você tem sua boca e você tem seu corpo, tanta coisa que você pode fazer, Esforce-se!.

Não havia sido fácil para essa monja. Teve momentos de desespero, tristeza, mas persistia – assim como fizera Xaquiamuni Buda sob a árvore da iluminação. Isso impedia o mal, protegendo a pessoa dentro de um campo de força positivo – a nossa determinação. A determinação e a persistência estão muito ligadas com a fé.

Às vezes me perguntam qual é a fé no budismo, se o budismo não fala de Deus. A palavra “Deus”, o conceito de Deus não é importante no Budismo. A fé é nos Três Tesouros: Buda – Ser Iluminado, Darma – Lei Verdadeira e Sanga – Comunidade de praticantes em harmonia.

Quando Buda teve a experiência de iluminação, pensou:

– Não vão me entender, ninguém vai me compreender… Eu não vou falar nada, eu vou ficar na montanha em meditação…

Nisso ouve a voz de Brama, que é a divindade superior do hinduísmo.

– Vá e faça como já fizeram todos os Budas do passado! Use meios, expedientes e analogias, mas faça com que as pessoas tenham a mesma percepção que você!

Quando perguntavam a Buda qual a causa primeira, neste universo de causas, condições e efeitos, ele silenciava. Não-palavras…

Certa ocasião fazia uma palestra na PUC em São Paulo quando um dos alunos me perguntou:

– E como é Deus para você?

Eu falei:

– Primeiro me diga como é para você. Qual é seu conceito de Deus? O que você está chamando de Deus? Eu não sei o que você está chamando de Deus…

O Professor de Teologia, Fernando Althmeyer interferiu:

– Deus vem de Zeus. E Zeus é “Oh”. Não é isto? Aquilo a que não pode se dar nome.

Lembrei-me de uma história Zen, contada por um monge nos Estados Unidos, por volta da década de 30:

“Uma pessoa queria chegar ao fim do mundo. Andou, andou, andou, subiu, desceu, subiu montanhas, desceu montanhas, finalmente chegou ao topo da montanha mais alta e disseram para ele:

– Aqui o mundo acaba!…

Ele deu mais alguns passos e encontrou-se frente a um precipício imenso. Nesse local havia muitas pessoas que tendo chegado ao fim daquilo que conheciam paravam abismadas ou retrocediam ao conhecido.

O praticante Zen nem para nem retrocede. Avança e se entrega àquilo que é absolutamente desconhecido, onde não há mais palavras, não há mais conceitos, não há ideias… Muitas pessoas voltam desse ponto pensando:

– Eu cheguei até onde eu podia ir. Até aqui é o que eu conheço, é até onde a minha maneira de pensar alcança. Se for além daquilo que a minha maneira de pensar alcança, eu não posso penetrar!…

O Mestre Zen diz:

– Aqui e agora é o local e o momento certo. Dê o salto quântico, o encontro com o que nós chamamos no budismo de ‘eu verdadeiro’.”

Esse encontro com o “eu verdadeiro” é que nos permite maior flexibilidade. Isso não implica que imediatamente fique isento de discriminações, como comentei anteriormente acerca do Budismo Crítico.

Xaquiamuni Buda, por exemplo, não queria ordenar mulheres. A primeira monja, Mahaprajapati, segue-o por anos. Uma das vezes em que Buda vai fazer uma palestra, ela está na porta esperando com os pés ensangüentados, sujos… Mahaprajapati era uma nobre, ela não andava tanto assim… Ananda, que era o atendente de Buda, vendo-a, se apieda e interfere junto ao Mestre.

Xaquiamuni Buda durante sua palestra diz:

– Todos os seres igualmente são seres iluminados, todos sem exceção. Não tem nada a ver com etnia, com inteligência, com nível de aprendizado – todos nós somos seres iluminados. Mas se não houver prática, não há essa percepção. É a própria prática a manifestação do ser iluminado em nós.

Então Ananda levanta-se:

– Todos com certeza?
– Com certeza!
– As mulheres também?
– Claro, as mulheres também, claro!
– Então por que o senhor não ordena as mulheres?

Foi assim que Xaquiamuni Buda iniciou as ordenações femininas. Foi uma grande mudança, importantíssima! As mulheres eram consideradas seres inferiores, que deveriam ser tocadas com a mão esquerda, considerada impura.

Há pouco tempo o Dalai Lama estava com um grupo de monges e pediu a uma das monjas, que é uma monja do Havaí (que eu até cheguei a conhecer há alguns anos atrás), discípula dele, que conduzisse a meditação. Todos se sentaram e ela começou a meditação de forma inusitada.

– Vamos supor que todas as imagens de Buda fossem femininas, vamos supor que o Dalai Lama fosse uma mulher, vamos supor que quem fizesse a recepção e servisse chá fossem os homens, os monges, vamos supor que as mulheres todas tivessem acesso aos níveis superiores de educação e de ensinamento, e que os monges não…

No final o Dalai Lama chorou:

– Perdão, nunca havia pensado nisso… Nunca havia percebido que nós discriminamos. Eu me comprometo a transformar isso, a mudar.

Eu comecei a praticar nos EUA no começo dos anos 80. Logo, depois de uns dois ou três meses de prática, pedi para ser ordenada monja. Pedia insistentemente porque o meu professor Maezumi Roshi dizia:

– Você nasceu de uma família católica cristã, você não entende nada de budismo, como que você vai virar budista? Não, não é assim, sem entender não pode…

– O tempo que senhor quiser eu fico…

Minha mãe, que é Católica Apostólica Romana, me questionava muito.

– Por que você não se torna freira, minha filha? Se você quer servir a Deus seja uma freira católica… Por que escolher uma religião do outro lado do mundo?

Seu questionamento foi muito importante. Eu precisava responder a ela. Afinal o cristianismo também viera de terras distantes.

Xaquiamuni Buda exortava seus discípulos:

– Vocês não podem ser ordenados sem o consentimento de seus pais

O questionar de minha mãe tornou-se o meu próprio. Estaria traindo Jesus? Então tive um sonho, uma visão, na qual Xaquiamuni Buda e Jesus conversavam como dois grandes amigos e tudo que me parecia tão pesado não existia. Imagine se seres superiores ficariam discutindo, escolhendo: “este é meu… pegou o meu, vamos brigar!” Essas são nossas fantasias.

Telefonei para minha mãe. Antes que eu pudesse falar ela me abençoou dizendo:

– Minha filha, eu já entendi, eu a abençôo. Você estará servindo a Deus.

Feliz, fui falar com meu professor. Ele abriu seu calendário e marcou a ordenação. Foi em 14 de janeiro de 1983.

Conheci nessa época, em Los Angeles, o monge Thich Naht Hahn, do Vietnã. Ele é um exemplo vivo de tolerância, de compaixão iluminada. Sempre ajudou os carentes, principalmente os refugiados de guerra. Certa feita estava na Malásia, um dos países que às vezes aceitava, às vezes não aceitava os refugiados. Dois barcos estavam no porto, esperando a decisão das autoridades. O monge se esforçava tentando conseguir alimentos e água para os refugiados. Eram mais de 800 pessoas.

Estava uma noite em seu quarto de hotel quando ouviu batidas fortes na porta:

– Polícia! Aqui está sua passagem de volta para Paris ( ele morava em Paris e até hoje vive na França). O sr. saia imediatamente do país, o sr. está sendo um desacato às autoridades locais, não queremos mais o sr. aqui, o sr. saia!

– Ele disse: – Mas eu tenho pessoas, muitas, dependem de mim…

– Não queremos saber, a passagem está aqui, no primeiro vôo amanhã cedo, prepare as malas, viremos buscá-lo!

Ele ficou desesperado. Ele, que costumava dizer às pessoas cheias de rancor, querendo vingança ” chamem pela paz que a paz vem, procure a paz no seu coração!” de repente ele se viu furioso:

– Eu estou com raiva. Estão condenando à morte estas 800 famílias. Não é possível!

Sem conseguir se sentar ele caminhava pelo aposento, coordenando sua respiração com seus passos:

– Eu clamo pela paz…, eu clamo pela paz…, eu invoco a paz…, eu invoco a paz…

Assim respirando e caminhando foi se acalmando. Não sentiu ódio das pessoas, do governo. Lembrou-se de alguém, de um cartão recebido na embaixada. Telefonou, conseguiu adiar o seu vôo algumas horas, tempo suficiente para pôr alimento e água no navio, que pudessem pelo menos tentar um novo porto.

É disto que precisamos em nossa vida. Essa é a mensagem que eu gostaria de trazer para vocês hoje. Quando nos desesperamos, quando parece que não há solução, tantas injustiças, indignidades contra mim, contra a humanidade… Nunca lute! Nós não lutamos pela paz, nós construímos a paz. É diferente. Não se luta, constrói-se com a não-violência ativa, a ação de respeito pelo outro, porque o ser que está agindo injustamente erradamente, discriminando, ferindo, injuriando merece compaixão, e ensinamento.

Não há uma pessoa má, um país inimigo.

Existem situações frutos da ganância, raiva, ignorância – os três venenos que atacam o ser humano.

Contra a ganância, existe a doação: em vez de querer mais e mais para si, passamos a compartilhar, a doar.

Contra a raiva: a compreensão, a compaixão, a tolerância.

Contra a ignorância: a sabedoria iluminada.

Que possamos todos acessar à Sabedoria Iluminada e à Compaixão Suprema fazendo o bem a todos os seres.

*Monja Coen Souza é monja zen budista e uma das grandes pensadoras da atualidade e atualmente reside no templo Tenzui Zenji, em São Paulo, onde é presidenta do Conselho Religioso da Comunidade Zen Budista, Zendo Brasil e do ViaZen/VilaZen do Rio Grande do Sul.

http://www.monjacoen.com.br/

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