Mestres são seres humanos com as mesmas infinitas possibilidades que você!

Por Lilly Hastings*

Se examinarmos com lente de aumento a vida pessoal de grandes professores, mestres e até de santos, fatalmente vamos encontrar passagens fascinantes, que nos evocam admiração e respeito e às vezes até um sentimento de amor elevado.

Embora possa existir uma diferença de grau de consciência entre grandes professores, pequenos mestres, grandes mestres ou pessoas consideradas santas, certamente também vamos encontrar passagens na vida destas pessoas que nos lembrarão sua condição enquanto ser humano.

Gabrielle Roth (1941-2012), xamã urbana que viveu em Nova Iorque foi uma das professoras-mestras que mais marcou minha vida (criadora do trabalho baseado em movimentos corporais The Five Rhythms). Ela dizia que a última e mais elevada qualidade que podemos desenvolver é a compaixão. E a verdadeira compaixão, verdadeira mesmo, surge quando podemos entender a situação do outro, através da empatia e da conexão, que nos permite experienciar o que o outro viveu para agir da forma como agiu.

Se um mestre ou qualquer pessoa que tenha influência sobre outras nunca errasse, seria mesmo possível para ele desenvolver amor e compaixão por outros seres humanos, limitados e ridículos… (parafraseando Raul Seixas em Ouro de Tolo)….?

Isso é um grande passo em nossa caminhada de aspirantes a evolução. Primeiro porque nos conduz de uma condição, no fundo um tanto infantil, de projetarmos num Guru ou mestre a sublime perfeição, o que irá inevitavelmente levar-nos à uma decepção…

Quanto maior o pedestal que tivermos colocado nosso mestre, mais ele nos desapontará quando descobrirmos em sua biografia atitudes não condizentes com a perfeição projetada.

Eu disse projeção infantil porque não é muito diferente da projeção que quando criancinhas fizemos sobre nossos pais e depois sobre certos ídolos de nossa geração e de repente um dia transferimos a mesma projeção e identificação para um Guru, continuando em busca de modelos perfeitos para admirar… E quando falham, nós os execramos.

A maturidade vem quando podemos abraçar ‘compassivamente’ toda a complexidade de ‘ser um ser humano’ que cada indivíduo experimenta e aceitarmos a luz e a sombra de cada mestre, Guru ou professor, que com certeza, fizeram e fazem muito bem para muitas pessoas e que, da melhor forma que podem, estão contribuindo para refinar e elevar a consciência dos seres que deles se aproximam.

Isso nao significa ignorar as falhas, muitas vezes bem graves cometidas pelos mestres! Mas lembrar que o fato de grandes seres também errarem significa que nós, os irmãos e irmãs menores do caminho, também podemos acertar muito! A potencialidade para um grande bem – e para um grande mal – está em todos nós!

Quando olhamos por este prisma, somos seres maiores. Com certeza é isso que os grandes mestres esperam de nós… E não uma fascinação cega que só serviria para nos distanciarmos da razão pela qual fomos procurá-los:
Real Evolução.

Namastê!
Lilly

PS: Escrevi esse texto há alguns anos, quando era colaboradora da Yogini e senti vontade de compartilhar novamente nesse momento. <3

Lilly Hastings – Inspirando Transformações

*Lilly é uma criadora de mapas e experiências para despertar a consciência e inspirar transformações. Seu trabalho é uma fusão criativa de suas formações em Psicologia, Iyengar Yoga, Coaching e mergulhos em diversas linhas de estudo espiritual. É facilitadora de variadas experiências, entre elas os Retiros SELF e atendimentos particulares em ‘Alinhamento de Vida’ em São Paulo. @lillyhastings  – lillyhastings.com.br

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