Meditação do Abraço por Thich Nhat Hanh

Via Budismo Petrópolis

Foto Eye for Ebony on Unsplash

A meditação do abraço é uma prática que eu mesmo inventei. Em 1996, uma poetisa levou-me até o aeroporto de Atlanta e lá me perguntou:

– Posso abraçar um monge budista?

No meu país, não temos o costume de nos expressar dessa maneira, mas pensei: “Sou um mestre zen. Isso não pode ser problema para mim.” Então eu disse:

– Por que não? – e ela me abraçou.

Mas eu estava muito rígido. No avião decidi que, se queria trabalhar com amigos no Ocidente, teria que aprender sua cultura. E foi assim que criei a meditação do abraço.

“Inspirando, sei que alguém querido está nos meus braços, vivo. Expirando, sinto que ele é muito precioso para mim.”

Esse tipo de meditação é uma combinação do Oriente e Ocidente. De acordo coma prática, temos que abraçar a pessoa verdadeiramente. Precisamos fazer com que ela seja bem real em nossos braços. Não basta darmos tapinhas nas suas costas para fingir que estamos ali – devemos respirar conscientemente e abraçá-la com todo o nosso corpo, espírito e coração. A meditação do abraço é uma prática de atenção plena.

“Inspirando, sei que alguém querido está nos meus braços, vivo. Expirando, sinto que ele é muito precioso para mim.” Se respirarmos assim profundamente, abraçando a pessoa que amamos, a energia do cuidado, do amor e da atenção plena a penetrará, e ela será nutrida e ficará viçosa como uma flor.

Você pode praticar a Meditação do Abraço com um amigo, uma criança, seus pais, ou até mesmo uma árvore! Para praticar, primeiro façam uma reverência para reconhecer a presença um do outro. Depois, respire fundo e conscientemente 3 vezes e coloque sua mente naquele momento. Depois, se abracem e permaneçam abraçados por outras 3 longas e profundas respirações.

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Na primeira respiração, perceba que você está ali, presente naquele momento, e sinta-se feliz. Na segunda, perceba que o outro está presente e sinta-se feliz. Com a terceira, reconheça que vocês estão aqui, juntos, nesta existência, neste mundo. Para finalizar, se soltem e se reverenciem novamente em forma de agradecimento. A ideia é que esse senso de união nos traga muita felicidade e gratidão.

A primeira respiração envolve percepção de momento: Sua mente não está em nenhum outro momento senão o presente. Nas palavras do filósofo chinês Lao Tzu, ‘se você está deprimido está vivendo no passado. Se está ansioso está vivendo no futuro. Se está em paz, está vivendo no presente’.

A segunda respiração serve para admitir a presença e a existência do outro. Mais do que vê-la ali, percebê-la envolve conscientização, empatia e conexão de corações. Com uma frase, uma ação ou até mesmo um pensamento somos capazes de diminuir o sofrimento do próximo e trazer alegria.

A terceira respiração conecta seus corações num momento de união. Sintam que vocês dois são parte de um todo muito maior, e se reconheçam com a inspiração e expiração do ar num sinal de vida, de pulsos, de existência.

O objetivo da Meditação do Abraço é te inspirar a abraçar a vida com amor incondicional, compaixão e sinceridade. Acho que nada mais apropriado do que encerrar com uma citação do criador desse método:

“Através do meu amor por você, eu quero expressar meu amor por todo o cosmos, por toda a humanidade e por todos os seres. Através da convivência com você eu quero aprender a amar a todas as pessoas e espécies. Se eu for bem sucedido ao amar você, serei apto a amar todas as pessoas e seres da Terra, e essa é a real mensagem do amor.”

Quando nos abraçamos, nossos corações se conectam e entendemos que não somos seres separados. Abraçar em plena consciência pode trazer-nos cura, reconciliação, entendimento e muita felicidade. A prática da meditação do abraço tem ajudado muitas pessoas a se reconciliarem – pais e filhos, amigos, casais, etc.

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Podemos praticar a meditação do abraço com um amigo, nossa filha, nosso pai, nosso parceiro ou mesmo com uma árvore. Para praticar, primeiro fazemos uma reverência com as palmas das mãos unidas, reconhecendo a presença um do outro. Podemos desfrutar de três respirações profundas em plena consciência, para nos sentirmos inteiramente presentes, e só então abrimos os braços e nos abraçamos. Mantemos o abraço por outras três respirações. Na primeira respiração, estamos conscientes de estarmos presentes naquele exato momento, e sentimo-nos felizes. Na segunda respiração, estamos conscientes de que a outra pessoa está presente naquele momento, e sentimos felicidade. Com a terceira respiração, estamos conscientes de estarmos juntos, aqui e agora neste planeta, e sentimos profunda gratidão e alegria pela nossa união. Então, podemos gentilmente liberar a outra pessoa, fazendo uma reverência mútua para demonstrarmos nosso agradecimento.

Quando nos abraçamos dessa maneira, a outra pessoa se torna real, verdadeiramente viva. Não precisamos esperar até que alguém esteja prestes a viajar, podemos nos abraçar agora mesmo e receber o calor e a estabilidade do nosso amigo, neste presente momento. Abraçar pode ser uma prática profunda de reconciliação. Durante o abraço em silêncio, uma mensagem torna-se bastante clara: “Querido, querida, você é precioso para mim. Sinto não ter sido bastante atencioso e compreensivo. Cometi erros. Por favor permita-me começar de novo. Eu te prometo.”

– Thich Nhat Hanh – Ensinamentos sobre o Amor

*Thích Nhất Hạnh é um monge budista, pacifista. escritor e poeta Vietnamita. Nguyễn Xuân Bảo, um dos mestres do zen-budismo mais conhecidos e respeitados no mundo de hoje, poeta e ativista da paz e dos direitos humanos.

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