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MBA nos EUA inclui aula de meditação com Deepak Chopra

MBA nos EUA inclui aula de meditação com Deepak Chopra

Nowmastê

Por Lindsay Gellman para The Wall Street Journal

publicado dia 10/02/2016

Deepak ChopraEm uma sala de aula da Faculdade de Administração Columbia, em Nova York, em uma tarde recente, cerca de 65 estudantes meditavam sentados em silêncio, de olhos fechados, sem smartphones ou laptops. Na frente da classe, Deepak Chopra incentivava o grupo a interiorizar suas habilidades analíticas. “Leve a consciência para o coração”, instruiu ele. “Pergunte: ‘quem sou eu?’”

A aula não era exatamente uma introdução à contabilidade. O curso de Chopra, “Just Capitalism & Cause-Driven Marketing” (em tradução livre, “Capitalismo Justo & o Marketing Motivado por uma Causa”), invoca deusas hindus, conta com uma banda de iogues urbanos e pede para que os estudantes representem graficamente o “perfil de sua alma”.

Com participações de diretores-presidentes e exercícios de narração de histórias, o seminário de três dias busca ensinar a estudantes de MBA como criar e vender empreendimentos que podem gerar lucro e fazer o bem de alguma forma.

Ganhar dinheiro é algo que Chopra, autor de 84 livros e dono de uma fortuna avaliada em US$ 80 milhões, tem cerca experiência. O guia espiritual afável de celebridades como a apresentadora americana Oprah Winfrey e a cantora Lady Gaga acredita que o capitalismo pode ser um veículo para o bem. Empresas como Goldman Sachs Group Inc. e Morgan Stanley têm convidado Chopra para ensinar os funcionários sobre a consciência plena ou aconselhar executivos e clientes sobre os benefícios da meditação para quem quer ser um líder melhor.

Chopra cobra pelo menos US$ 75 mil por palestra — embora às vezes faça algumas de graça — e recebeu cerca de US$ 9 mil pelo recente curso na Columbia. Ele diz que nunca olhou seu saldo bancário. (Sua esposa e seu contador cuidam desses detalhes, segundo ele.)

Na sala de aula, Chopra gosta de usar acrônimos, apresentações de PowerPoint coloridas e frases do tipo “deslize para o seu eu interior”.

Ministrado junto com o empresário Sharad Devarajan, o curso se concentrou em uma história de sucesso: o do índice de comportamento corporativo sem fins lucrativos Just Capital, financiado pelo bilionário filantropo Paul Tudor Jones e lançado no ano passado. A ideia do índice foi sugerida por um estudante durante uma aula em 2013. Para Chopra, ele demonstra que lucro e propósito podem coexistir.

“Minha esperança é que esses garotos consigam criar empresas que possam satisfazer as duas necessidades – atender o investidor ativista colocando um bom dinheiro em seu bolso – e ainda ser motivado por uma causa”, disse Chopra em entrevista ao The Wall Street Journal. Ele está no conselho do Just Capital, uma plataforma de informação independente sem fins lucrativos que busca calcular e acompanhar o desempenho corporativo a partir de comportamentos empresariais considerados justos.

Já em seu quinto ano, o curso anual de três dias realizado em janeiro está entre os cursos e seminários com preocupação social que estão aparecendo no currículo das escolas de administração ao redor do mundo. As ofertas atendem a crescente demanda de candidatos interessados em causas sociais, diz Laura Freedman, principal consultora de admissões em MBA da Acess Education. Chopra também leciona um curso de liderança na Faculdade de Administração Kellogg da Universidade Northwestern para executivos.

Mas a celebridade de Chopra é o que está atraindo muitos estudantes – mais a chance de encontrar seus amigos famosos como Tudor Jones e Lauren Bush Lauren, sobrinha do ex-presidente americano George W. Bush e presidente da organização sem fins lucrativos Feed Projects. O curso tem uma lista de espera expressiva todos os anos, segundo a Columbia.

“Deepak tem esse aura de sabedoria, e eu pensei que poderia absorver parte disso”, diz Andrew Asnes, estudante de um MBA executivo que fez o curso este ano.

Frequentemente Chopra vai além do domínio dos negócios e entra no pessoal. Em uma aula recente, ele desenhou um triângulo na lousa com um círculo no centro para ilustrar os elementos de uma vida significativa, rotulando os vértices do triângulo de “saúde”, “fortuna” e “amor”, e o centro do círculo de “objetivo”.

Durante uma aula de narração de histórias, ele convidou os alunos até a frente da classe para contar algum momento definidor de suas vidas – para Asnes, ex-dançarino da Paul Taylor Dance Company, sua virada foi quando ele substituiu outro dançarino machucado no palco.

Contas e estatísticas podem ser extraídas de livros, mas “ser capaz de se desafiar do ponto de vista de crescimento pessoal é muito mais difícil de praticar sozinho”, diz Gabby Slome, estudante de MBA e empresária.

Chopra (que tem 69 anos “mas biologicamente 35”) disse que ele medita duas horas por dia e raramente sabe sua agenda mais que dois dias adiante – uma forma, diz ele, de reduzir a ansiedade e estar presente. Para os estudantes que estão no início de suas carreiras e não possuem a equipe de Chopra para lidar com as questões logísticas, a mensagem foi meio vexatória. “Como podemos conseguir isso nesse estágio?”, perguntou Slome, de 29 anos.

Ele também aconselhou estudantes a abandonar o modelo da “velha escola” de filantropia – obter fortuna primeiro e depois doar, no estilo de Bill Gates ou Tudor Jones – e incentivar as causas sociais em suas empresas desde o princípio. Ele cita a fabricante de salgadinhos Kind LLC e o varejista de óculos Warby Parker como exemplos de empresas sociais que não sacrificaram seus propósitos por lucros.

A aula culmina com as equipes de estudantes revelando suas ideias de startups, que variam de alimentos naturais para animais de estimação a computadores de baixo custo para serem usados em escolas. Depois, os alunos fazem fila para posar com Chopra em fotografias.

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