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Máquina de fazer poesia

Máquina de fazer poesia

Nowmastê

No Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Parque Trianon, uma máquina do tempo conduzia visitantes ao mundo da poesia.  Ao som do “tec-tec-tec” de máquinas de escrever antigas e com uma indumentária dos anos 20, os integrantes do grupo Poèmes em Machine escreviam poemas. E as declamavam para quem quisesse ouvir. Nós do Nowmastê estávamos lá para conferir e não resistimos a uma conversa com aqueles inspirados artistas.

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Segundo o escritor Fernando Rangel, um dos mentores do projeto, “o grupo tem como motivação fazer e declamar poesia gratuitamente”. E pelo jeito, gosta de exercer esse ofício ao ar livre em diversos lugares de visitação pública.

“A ideia surgiu das muitas conversas sobre as intermediações de editoras, concursos literários e  crítica. Refletimos sobre o assunto e pensamos: por que não ter acesso direto ao público?”, informa a arte-educadora Liliana Olivan, outra das idealizadoras.

Rangel e Liliana escrevem os poemas a partir dos pedidos das pessoas. Quando os textos estão concluídos, eles “saltam” para as mãos das declamadoras Adriana Coppi, atriz e musicista e Margarete Azevedo, jornalista e radialista. Para Adriana, declamar assemelha-se a oferecer um presente. “Algo valioso, efêmero e concreto, que a pessoa pode levar para casa. É curioso quando alguém revela a intenção de enquadrar ou carregar o poema na bolsa”.

Algumas pessoas se rendem e querem ver as suas experiências ganhar a forma de versos, outros mais reticentes procuram obter mais detalhes. Já os desconfiados desconversam e prosseguem seu passeio no parque. Mas uma coisa é certa: o público que compartilha dessa experiência não poupa demonstrações efusivas de carinho.

“É gratificante ver como as pessoas se sentem à vontade em receber um poema escrito exclusivamente para elas, mas do que isto elas se sentem valorizadas, parece que a autoestima cresce.

São homens, mulheres, crianças, idosos que nos dizem obrigado através de um sorriso, um abraço ou um beijo”, argumenta Rangel.

Entre os integrantes do Poèmes en Machine a missão tem sido cumprida a cada apresentação. Não existe a intenção de um reconhecimento como grandes gênios da poesia e sim como um grupo que resgatou um pouco do lúdico numa cidade tão árida como São Paulo. “Esta é a nossa curtição! Além disso, é interessante como as pessoas abrem sua intimidade para nós. Alguns mais, outros menos, mas todos contam uma coisa que não contaria para o melhor amigo”, concluem.

O grupo se apresenta em diversos lugares da cidade. Uma boa dica é acompanhar a página no Facebook ou o blog.

 

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