Mahasamadhi de Paramahansa Yogananda

Texto dos amigos do Blog Cultura da Paz

Yogananda Em 7 de março de 1952, após declamar o poema “Minha Índia”, Paramahansa Yogananda, autor de Autobiografia de um Iogue entrou em Mahasamadhi (a derradeira vez que um iogue abandona conscientemente seu corpo), em Los Angeles, EUA, durante um banquete em homenagem a Binay R. Sen, embaixador da Índia.

Yogananda já havia informado aos seus discípulos mais próximos que a hora de deixar o corpo estava próxima. Sri Daya Mata – que assumiria a presidência da Self-Realization Fellowship alguns anos depois – perguntou a ele como poderia dar continuidade à obra sem sua presença física. O mestre indiano respondeu: “Lembre-se disto: quando eu me for, só o amor poderá ocupar meu lugar. Embriague-se dia e noite com o amor de Deus e ofereça esse amor a todos.”

Entendendo que a morte nada mais do que uma passagem de regresso ao nosso verdadeiro lar, copiamos o poema “Estou voando para casa”, de Paramahansa Yogananda, e que nos faz lembrar da grandeza desse Mestre com muita gratidão!

Estou voando pra casa

“Adeus, morada azul do céu. Adeus, estrelas e celebridades celestes, com seus dramas na tela do espaço. Adeus, flores, com suas armadilhas de beleza e fragrância. Vocês já não me podem deter. Estou voando para Casa.

Adeus ao tépido abraço do sol. Adeus, brisa fresca, suavizante e confortadora. Adeus, encan- tadora música dos homens.

Permaneci longo tempo divertindo-me com todos vocês, dançando com meus pensamentos de trajes variados, bebendo o vinho de meus sentimentos e de minha vontade mundana. Agora, abandonei a embriaguez da ilusão.

Adeus, músculos, ossos e movimentos cor- porais. Adeus, respiração. Eu a expulso de meu peito. Adeus, batimentos cardíacos, emoções, pensamentos e memórias. Estou voando para Casa, no aeroplano do silêncio. Vou, para em Deus sentir o pulsar de meu coração.

Pairando no aeroplano da consciência – acima, abaixo, à esquerda, à direita, dentro e fora, em toda parte – descubro que, em cada recanto de meu lar espacial, estou sempre na sagrada presença de meu Pai.”

*extraído do livro Meditações Metafísicas

Abaixo transcrevemos o poema Samadhi, de Paramahansa Yogananda, que está em seu livro – Autobiografia de um Iogue, pg 155 – Mais informações: http://goo.gl/YBa6xy

Poema Samadhi

Desfizeram-se os véus de luz e sombra,
Evaporou-se toda bruma de tristeza,
Singrou para longe todo amanhecer de alegria transitória,
Desvaneceu-se a turva miragem dos sentidos.
Amor, ódio, saúde, doença, vida, morte:
Extinguiram-se estas sombras falsas na tela da dualidade.
A tempestade de maya serenou
Pela varinha mágica da intuição profunda.
Presente, passado, futuro já não existem para mim,
Somente o Eu sempre-presente, fluindo em tudo, Eu, em toda parte.
Planetas, estrelas, poeira de constelações, terra,
Erupções vulcânicas de cataclismos do juízo final,
A fornalha modeladora da criação,
Geleiras de silenciosos raios X, dilúvios de elétrons ardentes,
Pensamentos de todos os homens, pretéritos, presentes, futuros,
Toda folhinha de grama, eu mesmo, a humanidade,
Cada partícula da poeira universal,
Raiva, ambição, bem, mal, salvação, luxúria,
Tudo assimilei, tudo transmutei
No vasto oceano de sangue de meu próprio Ser indiviso.
Júbilo em brasa, freqüentemente abanado pela meditação,
Cegando meus olhos marejados,
Explodiu em labaredas imortais de bem-aventurança,
Consumiu minhas lágrimas, meus limites, meu todo.
Tu és Eu, Eu sou Tu,
O Conhecer, o Conhecedor, o Conhecido, unificados!
Palpitação tranqüila, ininterrupta, paz sempre-nova, eternamente viva.
Deleite transcendente a todas as expectativas da imaginação, beatitude
do samadhi!
Nem estado inconsciente,
Nem clorofórmio mental sem regresso voluntário,
Samadhi amplia meu reino consciente
Para além dos limites de minha moldura mortal
Até a mais longínqua fronteira da eternidade,
Onde Eu, o Mar Cósmico,
Observo o pequeno ego flutuando em Mim.
Ouvem-se, dos átomos, murmúrios movediços;
A terra escura, montanhas, vales… oh, líquidos em fusão!
Mares fluindo convertem-se em vapores de nebulosas!
Om sopra sobre os vapores, abrindo magnificamente seus véus,
Oceanos desdobram-se revelados, elétrons cintilantes,
Até que, ao último som do tambor cósmico,4
Transfundem-se as luzes mais densas em raios eternos
De bem-aventurança que tudo permeia.
Da alegria eu vim, para a alegria eu vivo, na sagrada alegria me dissolvo.
Oceano da mente, bebo todas as ondas da criação.
Os quatro véus, sólido, líquido, vapor e luz,
Bem levantados.
Eu, em tudo, penetro no Grande Eu.
Extintas para sempre as vacilantes, tremeluzentes sombras das
lembranças mortais:
Imaculado é meu céu mental – abaixo, à frente e bem acima;
Eternidade e Eu, um só raio unido.
Pequenina bolha de riso, eu
Me converti no próprio Mar da Alegria.

Livros e DVDs de Paramahansa Yogananda você encontra aqui.

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