Luz pelas letras

Na rica fauna da amazônia, uma espécie rara se locomove entre comunidades longínquas levando alegria e luz. São vaga-lumes. Não daqueles que vemos em noites quentes, piscando nos arbustos, mas os voluntários de um programa social com esse nome que se destaca por sua perseverança e pela genuidade de sua proposta sócio-educativa. Criada em 2001, por três amigas com vontade de entender mais a fundo a questão da cultura em nosso país, a Associação Vaga Lume espalha pequenas bibliotecas, acompanhadas de mediadores treinados, por locais da floresta amazônica onde só se chega com muito esforço. O projeto sobrevive até hoje por meio de patrocínios e, principalmente, pela boa vontade dos voluntários locais, que zelam pela manutenção do conceito e do material distribuído.

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Quando uma criança lê, amplia sua visão de mundo. Essa é a filosofia de Sylvia Guimarães, presidente da Vaga Lume e de toda a equipe envolvida no projeto.

 

Cultura Preservada

Hoje, o projeto está presente em 160 comunidades, conta com 2857 voluntários mediadores e 383 voluntários multiplicadores. Mas, nas métricas, o que mais impressiona é a quantidade de livros distribuídos, 81.328 exemplares, e também o número de pessoas que participam efetivamente: cerca de 24 mil crianças, jovens e adultos.  Se considerarmos que são indivíduos com pouquíssima estrutura e parcos recursos, trata-se de um verdadeiro recorde. Há ainda um “projeto dentro do projeto” que se destaca pela preservação da cultura local e de seus personagens, entre eles, muitos senhores e senhoras que contam as histórias, as lendas e mitos da região. Essa tradição oral se transforma, por meio da atuação dos mobilizadores do Vaga-Lume, em livros artesanais, escritos e ilustrados por outros membros da comunidade. São peças incríveis que revelam talentos que chegam a emocionar.

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Os multiplicadores do projeto Vaga Lume fazem parte da comunidade e sentem-se motivados a ajudar as pessoas e oferecer a elas novas possibilidades de aprendizado.

Livro para o Bem

O Vaga Lume tem na presidência uma das idealizadoras do projeto inicial, a historiadora Sylvia Guimarães e na área de desenvolvimento institucional a advogada Laura Mattar, além de uma série de colaboradores que buscam maneiras de manter sua estrutura e diversificar as atividades culturais e educativas. No dia 16 de outubro, por exemplo, pela primeira vez, o resultado de outra iniciativa do Vaga Lume, que é a de promover o intercâmbio entre adolescentes de São Paulo e da Amazônia, será vendido com o intuito de levantar fundos. Trata-se do livro Um Brasil Gigante, feito em conjunto por esses jovens de uma forma ao mesmo tempo interativa, informativa e lúdica. O evento será no Museu da Casa Brasileira, a partir das 19h30,  e terá um debate com o escritor Milton Hatoum e o médico Drauzio Varella, aberto ao público. Imperdível para quem gosta de ler e entende a importância qde contribuir com projetos culturais de base.

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Método que faz sorrir

A metodologia do Programa Expedição, aquele que vai até as comunidades e entrega pequenas bibliotecas além de todo o treinamento para que ela se torne auto-sustentável, tem pilares muito bem definidos.  O primeiro é a própria estrutura,  ou seja, a caixa que contém os livros, a esteira para que eles sejam espalhados e fiquem livres para o manuseio e os próprios exemplares, todos novos e produzidos por editoras de alta qualidade. “Um de nossos patrocinadores se interessou pelo projeto quando viu que os livros utilizados na Amazônia eram os mesmos que ele comprava para seus filhos.” O outro, ponto fundamental é acapacitação dos  voluntários como mediadores e multiplicadores. Os filmes que retratam o trabalho dessas pessoas são reveladores (veja os links abaixo). Há ainda o incentivo à gestão da biblioteca, inclusive entre as próprias crianças, que se tornam zeladores do material de sua comunidade. Esse jeito de “empoderar” as pessoas e acreditar nos livros como uma forma de ler o mundo é a essência do Vaga-Lume. “Nosso maior investimento é no sorriso dessas pessoas, na valorização da cultura local e de seus indivíduos. Isso permite o entendimento da sua realidade e também de tudo que há nas outras partes do mundo”, diz Laura Mattar, com um longo suspiro que revela tanto o amor pelo projeto, como a vontade de ter mais suporte para fazê-lo ainda mais representativo.

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Mais sobre o Projeto Vaga Lume

A Associação Vaga Lume é uma organização sem fins lucrativos, reconhecida pelo Ministério da Justiça como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Em seus mais de dez anos de atuação, criou metodologias inovadoras, passíveis de replicação, voltadas à promoção da educação de qualidade, da diversidade cultural e do desenvolvimento sustentável, que a fizeram receber inúmeros reconhecimentos nacionais e internacionais – entre eles, o Prêmio Jovens Lideranças, categoria Terceiro Setor, O Estado de S. Paulo e XYZLive, 2012; o Prêmio Inovação Intercultural, Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC) e Grupo BMW, 2011; e o Prêmio Mérito ao Desenvolvimento Regional da América Latina e Caribe Juscelino Kubitschek, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 2009.

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Serviço

Rua Aspiculta, 678

05433-011

11 3032-6032

Vila Madalena

www.facebook.com/associacaovagalume

www.vagalume.org.br

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