Lentes que enxergam o mundo

Por Henrique Katahira*

Foto: Warren Wong (Unsplash)

A ciência sempre me fascinou. Assim como a tecnologia, a ciência aplicada para o bem da humanidade. Os computadores, a internet, a inteligência artificial, as máquinas maravilhosas que trouxeram progresso e conforto a humanidade sempre foram objetos de muita fascinação. Tanto que me formei em Matemática e escolhi trabalhar na área de tecnologia da informação durante 20 anos.

Meu modo de ver o mundo sempre foi muito racional. Não aceitava como verdade se não fizesse sentido do ponto de vista lógico e cartesiano ou se não tivesse comprovação científica. A única lente que tinha para enxergar o mundo era a da lógica. Quando era adolescente, questionava a existência de Deus e não aceitava como verdade a maioria das coisas que hoje acredito. Hoje, falo abertamente de Deus, espiritualidade, Lei do Karma, chakras, fluxo, energias, feng shuei, meditação, yoga, mantras, campos mórficos, constelações familiares, etc.

Muitos me perguntam como e quando fiz essa mudança. Para mim, não foi um evento que me fez mudar, mas um processo que me fez mudar de perspectiva pouco a pouco.

O processo começou por acaso quando peguei um livro sobre o budismo que estava sendo distribuído gratuitamente num templo em Singapura quando fazia um mochilão na Ásia. Aquela leitura me pegou justamente pelo meu lado racional. Em primeiro lugar, não existe o conceito de Deus no budismo (Legal!). Em vez de questionar se Deus existe ou não, que tal focar na iluminação? Na busca da felicidade? (Opa, tá fazendo sentido…) E o que é a felicidade? É o estado mental de paz. E o que é paz mental? É a ausência do sofrimento. E como eliminar o sofrimento? (Minha mente racional tá gostando!). E assim comecei a enxegar o mundo através da lente da filosofia budista.

Segundo o budismo, uma das práticas mais importantes para conseguir a tal paz mental é a meditação. Então comecei a meditar sozinho (ou tentar meditar), sem orientação, o que me levava a ter muitas dores nas costas. Então, pesquisando na internet, descobri que a prática de posturas corporais da yoga foram desenvolvidas para preparar o corpo para suportar horas sentado na postura de meditação. E então comecei a praticar yoga e logo percebi que a prática de yoga em si é uma meditação em movimento. Gostei tanto, que depois de alguns meses de prática, iniciei uma formação para ser instrutor de yoga. E assim, comecei a perceber o mundo através da filosofia do yoga e das sensações do corpo.

Estas experiências abriram minhas formas de enxergar o mundo. Não que a ciência desse lugar à budismo. Mas entendi que existem várias formas de se enxergar a mesma coisa. É como espiar uma sala com várias janelas pelo lado de fora. Posso espiar a sala pela janela da ciência ou pela janela da filosofia. E ambas podem estar certas. E podemos sobrepor visões distintas e tirar nossas próprias conclusões criando assim a nossa própria verdade.

Cada pessoa tem seu conjunto de lentes para enxergar o mundo e todas elas estão certas segundo suas próprias crenças mas todas elas são imperfeitas. Da mesma forma que a física que não consegue explicar todos os fenômenos através uma única teoria, temos que trabalhar com recortes e pressupostos para montar a nossa forma única de enxergar o mundo.

Quanto mais aprendo sobre isso, mais me surpreendo. É tão fascinante quanto a própria ciência.

*Henrique Katahira é cocriador da Academia da Natureza e cuidadoria. Fluxonomista, permacultor organizacional, instrutor de yoga e empreendedor holístico.

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