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Legitimação do outro

Legitimação do outro

Marcia Nascente

Nos três textos publicados anteriormente aqui no site refleti sobre a construção de uma cultura de paz, em cada uma das suas intervenções (consciência interna, educação, saúde e justiça) na nossa condição de viventes.

Legitimação do outro

Para legitimar o outro e sua própria singularidade, podemos ampliar o sentido da consciência em relação à cultura, ao ambiente e como aproximar valores que nos identificam e são universais.

A retomada de alguns pressupostos básicos representados pela interdependência, que nos constituiu um dia como espécie, além do respeito ao que temos de mais sagrado que é a vida.

Recuperarmos o sentimento de conexão profunda que nos legitimou  desde o início da humanidade e que possibilitou a expansão da existência na condição de cooperação em rede.

Foram necessários bilhões de anos desde as nossas raízes até a evolução contínua levando em conta a organização, cooperação e adaptação, sem nos desconectar do que herdamos como viventes.

São as mesmas instâncias da convivência em grupo, a união da natureza e da biologia, dignas da mesma legitimidade que nos atravessa e da qual fazemos parte para sobrevivermos neste planeta.

Ao mudarmos de lentes e compreendermos que compartilhamos o mesmo espaço considerando as interações em rede que alimentou nosso corpo para se manter vivo desde sempre.

Em que momento aconteceu o pensamento fragmentado que levou a humanidade a achar que poderia abusar, dominar e extrair recursos naturais, sem reconhecer a interdependência?

Atitude solidária

Há muito a ser feito e cada grupo pode impactar atitudes positivas para o bem estar comum em respeito à continuidade da vida humana em condições de acordos pacíficos.

Por isso, o processo começa pela auto-responsabilidade, que vai desde o consumo até a forma como se relacionar no cotidiano, nas questões sociais, econômicas e políticas.

Ao conseguirmos nos desvencilharmos de padrões limitantes e de rótulos que já foram aceitos no passado, iremos compreender que cada um pode contribuir na sua esfera de ação na cultura de paz.

Essa conscientização passa pela condição humana de segurança e justiça, no respeito à diversidade, na prevenção de conflitos e na busca de comportamentos pacíficos na própria experiência.

A começar pela vontade de transformar o micro e macro ambiente e de firmar interconexões para criarmos vínculos mais sustentáveis pela capacidade de sermos solidários com a dor alheia.

Há ferramentais disponíveis para família de pazes sendo usados para transformar conflitos, de comunicação não violenta, processos circulares e de diálogos e escuta ativa.

Mesmo em situação que implica motivos sem razão de ser, a capacidade de escuta, com gentileza, sem julgar pelo senso comum, é capaz de sensibilizar o outro a cultivar benefícios no estado de ânimo.

Compreender para transformar, querer agir para transformar, na visão consciente sobre as relações humanas e na forma de enxergar soluções em diferentes pontos de vista antes não pensados.

Participar da mudança necessária leva em conta a compreensão do que fazer para melhorar a convivência no presente e garantir uma harmonia no futuro, com respeito a tudo que somos parte.

Para exercitarmos o sentido ético de importar-se com quem tem as mesmas necessidades, com empatia, é condição saber reconhecer na cidadania o seu papel e, assim, se tornar um agente da paz.

Sugestão de sites e livros:

  • www.palasathena.org
  • A árvore do conhecimento – Humberto Maturana e Francisco Varella
  • Diálogo – David Brown
  • O Cálice e a Espada – Riane Eisler
  • Construção da Paz – John Paul Lederach
  • Jean Marie Muller – O princípio da não violência
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