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Juro: mudar é bom!

Juro: mudar é bom!

Nowmastê

Por Camila Paulos*

Na primeira vez que mudei de casa, meus pais disseram “vamos mudar para uma casa em outro bairro, mais perto do nosso trabalho”. Mas o que eu ouvi foi: “você não vai mais ver suas amigas, o mocinho pelo qual é apaixonada, sua vida social vai acabar e você nunca mais vai ter alegria em toda a sua existência neste planeta”. Engraçado como às vezes a gente escuta uma coisa e entende outra.

Passei dias chorando, desde o momento do anúncio da mudança ao dia de trocar de casa de fato. Ouvia as músicas tristes do Tim Maia, achando que Azul da Cor do Mar era sobre mim, que tinha muito pra contar, dizer que aprendi que na vida um nasce pra sofrer (eu) enquanto o outro ri (todos os outros que não iriam mudar de bairro). Curioso também como às vezes pensamos que tudo é sobre a gente. Egoísta, não?

Finalmente mudei. Odiava a cara dos vizinhos, a rua, o comércio, o ônibus, a casa. Achava tudo horrível e na primeira oportunidade seguia para o ex-bairro onde eu passava o fim de semana todo na casa de alguém.

Foi assim por alguns meses e, então, a vida, essa malandra, mudou várias outras coisinhas ao meu redor, de forma que estar em um lugar novo se mostrou muito bom, afinal, eu tinha um quarto só pra mim, a casa tinha quintal, meus pais estavam mais perto do trabalho, o transporte público era de melhor qualidade. Quando parei de ser teimosa-mimada e aceitei a mudança, deixei de me apegar ao que tinha de ruim no novo lugar e ao que tinha de bom no velho. E aí tudo fluiu muito bem.

Mas a gente nem sempre aprende de primeira. Mesmo com essa experiência boa de mudar, procurava manter tudo que eu podia (e não podia) no lugar conhecido e, consequentemente, “seguro”. Lembro quando a instrutora que me dava aula de ioga disse que não ia mais continuar com aquela turma e eu pensei “Que desgraça! Vou ter que parar de fazer a única atividade física que gosto um pouco”. Eis que chegou a nova professora e eu passei a amar realmente praticar ioga, evoluí muito mais nas posturas e na cabecinha também. Foi maravilhoso mudar!

Quando eu fazia análise, ficava repetindo “odeio mudanças! Odeio mudanças!”, que nem uma matraca. Reforçava isso pra mim como uma verdade absoluta e, um dia, a terapeuta perguntou: “querida, quando alguma mudança na tua vida foi pra pior?”. Ela tinha toda razão.

Nem sempre a gente valoriza a transformação como algo bom porque tendemos a achar que só é legal receber o que se pede. E mudar traz o que é preciso para aquele momento, o que não necessariamente é o que foi desejado. Depois de um tempo, olhando pra trás, você entende que tudo se conecta e faz sentido de alguma forma.
Mudar é inevitável, logo, lutar contra isso é uma batalha perdida. Aceitar não só dói menos, como te leva pra frente, para o lado de gente maravilhosa ou até para trás (e depois cinco passos para frente). Ruim é não mudar e ficar parado.

 

*Camila Paulos
Procurando cada vez mais me conhecer – e gostando disso! Mesmo assim, estou em plena crise dos 30 e querendo mudar a vida de dentro pra fora e de fora pra dentro.
Escrevo no https://medium.com/@camomila/.

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