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Iluminar é desconstruir

Iluminar é desconstruir

Cristina Medeiros

Iluminar. Trazer a luz o que está dentro de nós.

Na Índia, terra dos gurus e sábios, muito se fala sobre iluminação. Mas o que é iluminação?

Espiritualidade é quando percebemos que existe algo mais do que o corpo e a mente e buscamos caminhos, conhecimento, ferramentas, ou religiões para entendimento do invisível.

Geralmente esta busca ocorre pelo amor ou pela dor.

Pelo amor, quando encontramos pessoas que já estão no caminho e nos tocam com sua paz, suas palavras, sua existência.

Pela dor, quando cansamos de sofrer ou nos desenganamos das aquisições materiais e buscamos um significado e senso de pertencimento.

Para mim foi o segundo caso, quando mesmo com uma vida estável e confortável me sentia infeliz e vazia.

Deixei minha vida em Florianópolis, fiz uma pequena mochila e sai pelo mundo em busca de mim mesma.

Quando viajamos, temos a oportunidade de nos abrir para o desconhecido. Andar novos caminhos, sentir novas experiências e nos reconhecer em cada olhar, em cada sorriso que encontramos. 

Para alçar voo é preciso vencer o medo da altura e confiar na vida. Se lançar dispostos a encarar os desafios e saborear as alegrias com a mente e o coração abertos.

Todas estas novas experiências começam a fazer parte de nós, novas culturas, novos conceitos, cores e sabores nos ajudam a descobrir quem somos.

Este reconhecimento acontece quando entre as experiências, olhamos para dentro e percebemos o que é invisível aos olhos. Silenciamos. Observamos. Paramos com as distrações externas e mentais e apenas respiramos.

Neste sentido o yoga e seus “limbs” (suas vertentes), como a meditação (Dhyana), a respiração consciente (Pranayama) e os asanas (Hatha, Yin..) são de grande ajuda.

Nos direcionam no sentido de estabilizar e encontrar o centro. A estar presente, no corpo, no momento. A purificar as energias e a clarear a mente. Tranquilizar, esvaziar e unificar.

Pois não importa o quanto aprendemos ou sabemos, a iluminação somente acontece a cada passo, quando deixamos cair todas as nossas máscaras e expectativas do que achamos que somos, sabemos ou queremos.

Através da investigação interna, inspiramos a liberdade de mover-se através de rígidos conceitos, vulnerabilidades e projeções antigas, em direção a consciência de novas escolhas.

Somente olhando profundamente, reconhecendo nossas sombras, nos acolhendo, aceitando, respirando e deixando ir é que a magia acontece.

A magia de estar vivo!

A magia de esvaziar os conceitos e apegos do ego e ser livre. Com o olhar e a espontaneidade de uma criança, descobrindo o mundo.

Afinal somos todos crianças neste lindo jardim chamado planeta terra e estamos aqui para aprender a viver.

Nos ajudando, nos abrindo, nos conectando. Recebendo e doando.

A mãe terra nos dá força. Nos da comida, água, ar, espaço, tempo, calor e suporte. Ela possui o conhecimento de milhões de anos, de eras antes de nós.

Nosso trabalho aqui não é salvá-la, mas sim, perceber que somos parte dela. Nem maiores, nem menores, somos a integração de tudo.

Cada alimento que ingerimos faz parte de nosso corpo, nos nutre, se torna nossa DNA. Sem água, sem ar limpo, sem alimento, sem sol, não há vida. Precisamos de discernimento sobre nossas ações para que possamos desfrutar de um presente e um futuro abundante e saudável. Para nós e para os que virão depois de nós.

Precisamos de consciência e compromisso com nossa alma para que nossa cura possa acontecer. Para que possamos deixar ir as defesas, deixar tudo o que é pesado, tudo o que dói e para quebrar os muros que nos afastam de quem realmente somos.

O maior desejo de nossos corações é nos encontrar conosco mesmos, com nossa essência e manifestarmos a nossa verdadeira natureza.

E para isso temos o apoio de todos os nossos ancestrais e de muitos seres visíveis e invisíveis que estão a todo o tempo nos tocando com seu amor.

Durante este tempo de isolamento para a maioria de nós, manter a calma e ser paciente é essencial. A nossa frente há um buraco e um portal e a responsabilidade de escolha é nossa de qual caminho queremos seguir. Decisões de viver o novo não são fáceis, mas sim, valem a pena.

Por isso faço este convite, para aprendermos a nos acolher, a pegar nossa criança interna no colo e dizer que tudo ficará bem. Nos abraçar e nos apoiar. Respirar e deixar ir o medo. Deixar ir a rigidez e o julgamento, deixar ir tudo o que é pesado e pouco a pouco, abrirmos nossos corações para vida.

Entre dor e alegrias seguiremos caminhando e nos ajudando. Cantando, dançando, sorrindo e chorando para aprender a Ser quem realmente somos.

Como o rio que vai para o mar, nosso trabalho é parar de nadar. Deixar ir o esforço que evita a morte do ego e se entregar. Se render a cada exalação em direção ao Divino que está em nós.

Because, in the end we are all walking each other home.

Amor, paz e conexão.

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