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Hotel Califórnia, Holy Hell e a Busca pela Alma

Hotel Califórnia, Holy Hell e a Busca pela Alma

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Por Lilly Hastings*

HOTEL CALIFORNIA IMAGEM HELY HELL FILMETenho uma tendência à buscar grupos que se reúnem para juntos construírem um mundo melhor. Melhor como? Menos mecânico, mais consciente. Menos mentiroso, mais autêntico. Onde se possa falar a verdade sem medo; onde haja respeito e a possibilidade de dizer o que pensamos e o que necessitamos. E mais: onde se possa crescer de uma forma diferente do crescimento natural que a vida em si já proporciona.

Esses dias assisti a um filme chamado ‘Holy Hell’ – sobre a história de um membro de um grupo espiritual que surgiu na Califórnia nos anos 80 e permaneceu ativo por mais de 25 anos. Para quem se interessa por assuntos de Mestres, grupos, buscas espirituais e tal, é um prato cheio para reflexões… E me fez retomar algumas:

Quando minha filha entrou na escola ela estava com quase três anos. Desde esta época eu costumo buscá-la na saída e me lembro de uma conversa nossa nesse início de vida escolar.

Eu a perguntei: “Como foi a aula hoje meu amor”?
Ela respondeu: “Foi bem.”
Eu: “E de qual aula você gostou mais?”
Ela: “Ah…Dá aula DIVERSIFICATIVA!”

E nessa época ela só tinha três anos!

É isso. O espírito humano gosta de ser livre e experimentar variados estímulos. A aula diversificativa da escola oferecia um mundo de opções e liberdade, contribuindo assim para o início da formação da autonomia – aquela sensação de andar de espinha ereta pela vida, movidos a partir do motor (ou do tambor) que pulsa em nosso próprio peito.

A diversidade de opiniões faz com que existam também diferentes grupos e, claro, o ‘grupo’ dos que não gostam de grupos. Eu confesso que me identifico com quem gosta dos grupos e também com o outro tipo de ‘grupo’.

Como disse o psicanalista Contardo Calligaris: “Sou individualista e não gosto de torcida organizada, quando vejo três pessoas com a mesma camiseta já fico incomodado…”

Ainda assim, ver pessoas unidas em nome de uma causa nobre me sensibiliza e atrai. Uma causa do tipo ‘elevar o ser humano ao desenvolvimento de seu mais alto potencial’…
Mmm … Isso sempre me fisgou.

‘Então a vida pode ser muito mais do que acordar, ir ao banheiro, vestir-se, tomar café, trabalhar, experimentar sentimentos, almoçar, trabalhar mais e no final do dia sentir um cansaço intercalado com certos momentos de excitação, algumas risadas e algum amor talvez…?’ Sim. A vida pode ser mais do que isso.

Iyengar diz em seu livro “Luz na Vida” (summus editorial – 2007): “A condição humana imperfeita não é motivo para se lamentar. Esta imperfeição nos dá uma oportunidade única: a oportunidade de Evoluir.”

Creio que Evolução é transformar este tipo de vida em algo de mais significado e qualidade.

É transformação pessoal também. Não é só transformação das atividades da vida de fora.

Mas…Pensar sobre tudo isso é um pouco cansativo. Enquanto meu masala chai na mesa me olha atraente convidando-me a apenas saboreá-lo e relaxar um pouco, sem me importar se vou seguir um mestre com m minúsculo ou com M Maiúsculo (ou se não vou seguir nenhum) ainda assim busco palavras para decodificar o que se passa em mim.

Existe a possibilidade de não pensar mais sobre isso e tratar de viver de forma mais simples, de acordo com princípios éticos e empenhar-me em ser apenas uma buena persona…

Apesar de já ter ouvido uma advertência severa de um mestre de que ser apenas uma buena persona não é suficiente para de verdade contribuir para a melhora do mundo e que isso irá levar-me, mais cedo ou mais tarde, a formar pactos com o mundo escuro. Pode ser..

Minha opção em manter-me num certo estado de abertura, receptividade e sentir-me de verdade como uma aprendiz faz com que normalmente não rejeite e nem tampouco aceite de cara certas coisas que ouço, ainda que outros as acatem prontamente ou as rejeitem duvidosos e as gargalhadas.

Comunidades, grupos espirituais etc.: gosto muito destes locais e já conheci alguns pelo mundo. O que eu observo é que, ao mesmo tempo em que estas organizações acenam com a grande oportunidade de encontrarmos nossa alma, também acenam, de forma oculta, com a grande possibilidade de perdê-la.

Há o risco de se confundir os trabalhos, querer eliminar o Ego antes mesmo de chegar a tê-lo, perder a individualidade, deixar de questionar para não ficar “no mental” e então tornar-se facilmente manipulável, reprimir a sombra e colocar a máscara de pessoa sempre totalmente feliz, servil, o perfeito aprendiz que no fundo quer a aprovação do Mestre como queria a do pai e da mãe…

Enfim, é preciso estar atento, conversar com pessoas de fora do grupo, sentir o mundo em geral. Ouvir feedbacks de pessoas de mundos diferentes… O mundo comum das ‘buenas personas’ não pode ser tão inferior assim às escolas iniciáticas… Cuidado se o grupo se acha o melhor e superior à todos os outros grupos e pessoas do mundo.

Penso nisso quando ouço Hotel California dos Eagles: “This could be heaven or this could be hell…”

Existe todo um aspecto sedutor de encontrar um grupo onde as pessoas parecem ter acesso à outro mundo muito mais interessante do que o mundo óbvio dos seres humanos medíocres. Isto aparece nesta bela música, onde é fácil entrar e muito difícil, ou impossível, de sair.

Bem-vindo ao Hotel Califórnia,

Um lugar tão encantador…, um rosto tão encantador.
Eles estão desfrutando a vida no Hotel Califórnia,
Que surpresa agradável, traga seus álibis
Espelhos no teto, o champanhe rosa no gelo,
E ela disse: “Nós todos somos apenas prisioneiros aqui
Do nosso próprio ardil”.
E nas salas dos mestres,
Eles reuniam-se para o banquete.
Eles apunhalam com suas facas de aço,
Mas simplesmente não conseguem matar a besta.
A última coisa que me lembro, eu estava
Fugindo para a porta.
Eu tinha de encontrar a passagem de volta
Ao lugar onde estava antes.
“Relaxe”, disse o homem da noite,
“Nós estamos programados para receber:
Você pode fazer o check-out a qualquer hora que quiser,
Mas você não pode nunca ir embora.”
(Eagles – Hotel California)

Vamos manter os pés no chão enquanto buscamos o céu, a luz, a alma. Praticar Yoga é bastante seguro nesse aspecto. Ninguém quer fazer sua cabeça, é você e seu corpo, suas experiências, suas observações e conclusões, iluminadas pela inteligência das técnicas de Yoga que agem em seu organismo e lhe dão acesso, pouco a pouco, às revelações dos mundos espirituais. E o resto é com o seu discernimento, bom-senso, um pitada de malícia e ironia dando um tempero ao seu incessante e autêntico amor pela Verdade, com todo respeito pelo Mestres, Gurus e professores que sabem que no fundo ter milhares de seguidores não tem valor nenhum, se estes seguidores são como uma manada inconsciente e insegura de suas próprias formas de conexão com a Luz.

Disponível no Netflix,  filme HOLY HELL,  me despertou de novo para este tema tão importante pra mim.
Abrirei a partir de março um grupo de estudos sobre esse tema, inspirado no livro:
“The Guru Question” – os perigos e as recompensas de escolher um mestre espiritual – de Mariana Caplan. 
 
Interessados podem entrar em contato pelo zapzap 11- 98327-9900.
Lilly Hastings – Inspirando Transformações

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*Lilly é uma criadora de mapas e experiências para despertar a consciência e inspirar transformações. Seu trabalho é uma fusão criativa de suas formações em Psicologia, Iyengar Yoga, Coaching e mergulhos em diversas linhas de estudo espiritual. É facilitadora de variadas experiências, entre elas os Retiros SELF e atendimentos particulares em ‘Alinhamento de Vida’ em São Paulo.

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