Hatha Yoga e o Sol e a Lua

Por Joseph Le Page* via Yoga Integrativa

Os textos de Hatha Yoga são essencialmente guias para a exploração do corpo sutil. O corpo de energia inclui a respiração na sua forma sutil, os chakras (centros de energia), os nadis (canais de energia) e os pranavayus (fluxos de energia que nutrem os sistemas físicos). Diferente do corpo físico, os contornos do pranamaya kosha são flexíveis e dependem da quantidade e qualidade de energia no nosso corpo.

O prana aumenta nosso nível de energia que apoia as práticas de Yoga que precisam quantidades grandes de energia e é o combustível para o bom funcionamento dos sistemas físicos do corpo; quando o prana é abundante otimizamos nosso estado de saúde, o que também é essencial para as práticas espirituais.

O fluxo do prana deve estar equilibrado. Yoguis antigos usavam a analogia do Sol (Surya) e da Lua (Chandra) para equilibrar o fluxo de energia. Esse equilíbrio acontece através do conhecimento das polaridades: o Sol, que representa atividade; e a Lua, que representa o descanso. O propósito deste sistema de polaridades é encontrar o equilíbrio perfeito, como preparação e porta de entrada para a prática da meditação.

No Hatha Ratnavali, Colar de Gemas de Hatha Yoga, texto do século XVIII, a palavra Hatha é dividida para simbolizar essas polaridades. “Ha” é o Sol e “Tha” é a Lua, indicando que a união desses opostos é a essência da prática do Hatha Yoga.

Dentro dos textos de Hatha Yoga, o equilíbrio que vem através da consciência dessas polaridades é a base para a jornada integração, harmonia e unidade. Esta unidade é simbolizada pela união de Shiva, o princípio solar da consciência pura, e Shakti, o princípio lunar da matéria e criatividade.

A exploração e integração das qualidades solares e lunares ocorre em vários níveis:

  • No nível físico – É o equilíbrio dos sistemas nervosos simpático e parassimpático, bem como a integração dos dois hemisférios do cérebro, das narinas esquerda e direita, dos pulmões esquerdo e direito e dos lados esquerdo e direito do corpo;
  • No nível sutil – O equilíbrio de ida e pingala nadis permite que a energia se mova para o canal central, sushumna;
  • No nível dos chakras – Os chakras os inferiores, simbolizados por Shakti, e os superiores, simbolizados por Shiva, estão integrados no centro do coração, Anahata chakra;
  • No nível psicológico – O Hatha Yoga integra arquétipos masculinos e femininos, ativos e receptivos;
  • No nível dos gunas – A Lua representa Tamas e o Sol representa Rajas. Os dois são necessários, pois Tamas oferece descanso e Rajas fornece energia. Em desequilíbrio, Tamas transforma-se em letargia e Rajas em ansiedade.

A prática do Yoga cria um estado de equilíbrio, Sattva, reduzindo os extremos de Rajas e Tamas e integrando e harmonizando todas as facetas do ser. Para obter esse equilíbrio, é importante entender quais posturas são mais energizantes e que aquecem, bem como quais são mais relaxantes e refrescantes, e quais têm um efeito que cultivam equilíbrio.

*O professor Joseph Le Page, americano radicado no Brasil, co-criador do Centro de Yoga Montanha Encantada, um dos maiores centros de Yoga da América Latina, localizado na cidade de Garopaba, Santa Catarina. Para saber mais sobre ele entre aqui.

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