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Final do ano! Porque nessa época do ano não me sinto tão feliz como deveria?

Final do ano! Porque nessa época do ano não me sinto tão feliz como deveria?

Thais Faleiros

Por Thais Faleiros*

Não se cobre demais, não corra demais! O ano está terminando e é impressionante como a urgência parece ainda mais latente nesta fase do ano. E é exatamente por isso que a pausa e o descanso se fazem ainda mais necessários. Não precisa se sobrecarregar para dar conta de tudo que se propôs.

Psicoterapeutas e aqueles que de alguma forma lidam com o sofrimento psíquico afirmam que o “final do ano” é uma época particularmente perigosa. Esta associada a situações de risco social iminente pela ruptura da rotina, da organização do tempo e pela variação caótica de encontros, desejados e indesejados que pode desencadear.

O esforço para nos reunirmos e comemorar nos coloca sempre uma pergunta silenciosa: afinal por que nessa época não me sinto tão feliz como deveria?

Não são os fatores e fatos externos que são a causa de pensamentos e sentimentos negativos, mas sim o modo como interpretamos e construímos a nossa realidade, a tristeza pode representar o início de um maior entendimento de si mesmo.

Imaginemos que no final do ano – assim como nos fins de semana, em menor escala – temos de nos haver com a difícil tarefa de reconstruir narrativamente vivências passadas, algumas delas relacionadas com perdas, traumas, doloridas e mal compreendidas em nosso intimo.

Tristeza é um sentimento comum, experimentado por qualquer pessoa diante de uma dada situação, assim como alegria, raiva, etc. A tristeza tem papel fundamental em nossa vida e não deve ser vista como inimiga. Logo, não precisamos fugir dela, ao contrário, devemos nos permitir senti-la para que possamos compreendê-la melhor e aceitá-la como parte das vivências humanas.

O maior entendimento do próprio funcionamento psíquico começa pelo questionamento. No caso do final do ano, a pergunta deveria ser parecida com:

– “Por que me sinto assim (sempre) nesse período do ano?”

Aproveitar essa época para nos colocar num estado de observação calma e de sensibilidade. Compreender que a tristeza é um esquecimento momentâneo de si mesmo. (Tales Nunes)

Se vc se sente assim, aquiete-se por um instante, feche os olhos, relaxe o corpo…

Permaneça aí, olhe bem pra esse sentimento, olhe pra tristeza, olhe bem de frente, não fuja, não pensa acerca da tristeza, apenas olhe para ela, agora olhe para quem olha…olhe para si, e olhe novamente para a tristeza, não pense nada, não pense na tristeza, apenas a observe, agora olhe de novo para o observador, olhe para si, não pensa em si, não pense em quem olha, apenas olhe para si; olhe de volta para a tristeza, olhe a tristeza de frente, sem julgamentos, sem questionamentos, sem raciocinios, olhe em serenidade a tristeza, e agora olhe novamente para si…fique consigo agora, olhe para si, não pense em nada, observe a consciência que observa, olhe para o seu eu mais intimo, sem julgamentos, sem distrações. Se a tristeza vier, deixa a vir, observe-a durante um tempo, e depois volte para si, para a consciência que observa e permaneça aí. Gradualmente passe mais tempo consigo, nesse espaço intimo real. Esqueço o mundo e as suas promessas e fique aí! Encontrará toda a alegria nesse espaço, é só uma questão de tempo…Não procure nada, não rejeite nada…

Aceite esses sentimentos e emoções, que apesar de prazerosos ou dolorosos, exercem uma função em nossa saúde emocional, contribuindo para o nosso autoconhecimento, crescimento pessoal e para as relações interpessoais, não devem ser classificados como “bons” e “ruins”, “positivos” ou “negativos”.

Que neste fim de ano em festas de Natal, Ano Novo, Carnaval possamos estar mais conscientes de nossos sentimentos, que tenhamos mais tempo de nos auto-observar, de sermos capazes de reavaliar o significado que damos para as coisas. Podemos não escolher o que nos acontece, mas escolhemos como reagimos ao que nos acontece.

O sofrimento só existe quando resistimos e queremos que algo aconteça diferente do que é.

Aceite o que a vida te colocar como benção ou como lição e agradece por poder viver todas as experiências que te aparecem. Sem apego, sem mágoa, sem resistência.

E depois de tudo isso, das celebrações e festividades de fim de ano, permita-se momentos de descanso, avaliação e contemplação de tudo que passou e evoque boas energias para tudo que virá.

NAMASTE!

*Certificada pela Yoga Alliance as práticas de Hatha Yoga ministradas por Thais Faleiros estimulam a resistência, o desenvolvimento da autoconsciência e o equilíbrio entre força e flexibilidade, através do movimento preciso, da postura e da respiração. As aulas são sempre finalizadas com um Yoga Nidra (sono profundo consciente), prática de relaxamento guiado que traz calma, tranquilidade e clareza.Especializada nos métodos criados por Gustavo Ponce, estudou também com Swami Dayananda Saraswati, H.H.Swami Chidanand Saraswati, Peetambar Mishra e Anand Sagar (Índia), Micheline Berry (EUA), Pedro Kupfer (Uruguai), Micheline Flack (França), Julie Gudmestad (EUA), Suzan Andrews (EUA) entre outros.

http://thaisfaleirosyoga.com.br/

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