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Feliz cidade – Por Celina Dias

Feliz cidade – Por Celina Dias

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Palestra do Luc Bouveret – Virada Sustentável – MAM – 30 de agosto de 2015

Feliz cidade

O que mais me chamou a atenção quando entrei no auditório foi a paz que emanava da voz de Luc.

Conforme os minutos passavam, fui notando que eu estava rindo alto, falando junto, participando ativamente e sentindo que compartilhava daquelas idéias de como viver melhor e de forma sustentável em SP.

Luc

Sim, já estou vivendo em rede na nossa cidade e, por isso, vou voltar ao tema do meu relato Feliz Cidade, que ganhou esse nome por causa de um insight que tive, enquanto Luc falava de felicidade em São Paulo.

No domingo, acordei determinada a ir ouvir meu novo e admirável amigo Luc em sua palestra. Uma pessoa com a qual venho me conectando, nessa nova jornada da minha vida, pela forma verdadeira, bonita e amorosa que encontrou para lidar com a dor mais forte, tenho certeza, que um pai pode sentir: a de ver e viver a dor de um filho adoecer gravemente.

Saí de casa, em cima da hora, e com receio de não conseguir estacionar e ficar sem senha. Já passava das dez horas da manhã quando cheguei ao parque. Ele estava lotado, o sol estava à pino, vários acessos de carro estavam bloqueados.

Estava ouvindo um CD lindo do Chico Buarque, feliz com o meu objetivo final da manhã. Dei meia volta e foquei em achar outro lugar. Achei uma vaga longe e, confesso,  não estava gostando da idéia de andar tudo sozinha e, ainda por cima, correndo o risco de perder a palestra que queria tanto ver.

Ao parar o carro, vejo uma pessoa saindo do carro que estava na minha frente, cheia de instrumentos, e que me parecia ser familiar nessa nova rede de pessoas de Luc.

Desci, perguntei se ele ia à palestra e se podíamos ir juntos.

Sim, mas acho que preciso de um táxi, respondeu o rapaz que iria tocar na palestra a música que ele fez pro Tancrede, filho do Luc.

Posso chamar, respondi, enquanto os instrumentos iam saindo do carro. Fui até a esquina da República do Líbano, esperei, esperei e finalmente consegui. Pegamos o táxi, descemos o mais perto que podíamos do MAM e fomos carregando os instrumentos, enquanto conversávamos.

Pipo

Essa é uma amostra da idéia de viver de um jeito mais otimista, leve, buscando o outro que precisa de ajuda e que, no final, também te ajuda e faz a vida em SP ser muito mais fácil e mais bonita.

Ganhei um novo amigo, cheguei tranquilamente na palestra que havia acabado de começar, pois Luc também havia encontrado as mesmas dificuldades de acesso e contou, inclusive, que havia precisado de ajuda e nos relatou sobre os rostos que encontrou em seu caminho.

No final da palestra, minha família  foi me encontrar de bicicleta e, ao chegar de volta ao carro, meu novo amigo estava parado na calçada com todos os instrumentos e malas no chão, procurando a chave do carro, que ele tinha perdido.

Eu sabia que ele ia para mais uma etapa da Virada Sustentável num outro parque de SP dar continuidade na rede.

Sem titubear, ofereci carona e fomos os quatro dentro do meu carro, com todos os instrumentos e mais a bicicleta para o outro lado de SP.

Tudo isso só me fez ter certeza que o tema central da palestra, que é buscar viver em rede, se conectando e ajudando ao outro, centrado no amor, é a melhor forma de viver em SP.

As outras coisas que a gente deseja do coração, podem ter certeza, virão, no tempo e na batida certa.

Sim, como diz nosso músico Criolo, existe amor em SP.

E com a música do meu novo amigo Filipe Stein, o Pipo, todos somos só um coração.


Celina Dias
*Celina Dias, 44 anos, jornalista, sócia da agência de marketing e estratégia OSNEGÓCIOS e voluntária dá área de Cuidados Paliativos do hospital Sírio Libanês.

[email protected]

Veja o comentário
  • Gente como a Celina insiste em ViVER e não SOBREVIVER na cidade!
    Eu sou adepta dos shows em parques, atividades ao ar livre e vejo como o Paulistano, fechado nos condomínios e carros blindados, nem imaginam como SP pode ser surpreendente e linda!

    Existe amor sim na cidade

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