Fazer ou Ser, eis a questão

Por Monika von Koss*

Photo credit: Art4TheGlryOfGod via VisualHunt.com / CC BY-ND

“O que você faz?” costuma ser a primeira pergunta que fazemos ao conhecer alguém novo. Parece que se soubermos o que alguém faz, já o conhecemos um pouco melhor ou temos um assunto em comum para nos comunicar. Em determinadas situações, é importante sabermos o que alguém faz, mas será que isto nos aproxima de verdade deste alguém?

Neste mundo estruturado a partir da polaridade yang, masculina, predomina o ‘fazer’, definindo o valor e o status de alguém na hierarquia social. Estamos todos fazendo um milhão de coisas, nos queixando de que não temos tempo. Mas, em vez de relaxarmos quando não temos o que fazer, ficamos angustiados.

Durante a semana estamos ocupados com nosso trabalho, gostando do que fazemos ou não, e aí chega o fim de semana com a dúvida cruel: o que fazer? Mas o fim de semana não é reservado ao descanso? Porque tenho que fazer alguma coisa no período de descanso? E qual é o problema de não se fazer nada (algo impossível, porque nada também é algo!)? O problema é que não sabemos simplesmente ‘ser’, porque não aprendemos como estar conosco e com outras pessoas, simplesmente apreciando a vida.

Constantemente ouço meus clientes se queixando de que não sabem o que fazer da sua vida. “Não sei o que fazer para descobrir o que quero fazer.” Fazer, fazer, fazer…. Parece que tudo gira em torno do fazer.

Claro que precisamos fazer algo para as coisas acontecerem. Para fazer algo empregamos nossa energia yang, masculina. Mas antes de poder empregar a energia yang para fazer algo, preciso saber o que realmente quero fazer. E para descobrir isto, não preciso fazer nada, pelo contrário, preciso parar de fazer, preciso me deslocar para a polaridade yin, feminina, preciso simplesmente ser.

Em vez de fazer alguma coisa, preciso parar e ser ou estar comigo em um espaço vazio, em que aquilo que sou possa se manifestar e desenvolver. E é justamente este vazio que tanto angustia e assusta a maioria das pessoas. Mas como diz a sabedoria zen, não se pode verter chá em uma chícara cheia, sem que ela simplesmente transborde, desperdiçando o chá.

A energia yin, feminina, é a energia do ‘vazio’, como é vazio o útero materno, sempre pronto para receber e abrigar algo novo. Para que uma mulher engravide, é necessário que ela ‘faça’ algo, mas depois de estar grávida, não há mais nada que ela precise ‘fazer’, ela simplesmente precisa deixar acontecer. E é este estado de ‘gravidez’ que não aprendemos a usufruir no nosso cotidiano. Não nos permitimos simplesmente estar ‘prenhes’ de vida e pulsação, até algo emergir deste vazio, no seu devido tempo.

Que tal reservar pelo menos 5 minutos diários para SER? 5 minutos é um tempo que cabe em qualquer agenda. E isto certamente vai ajudar você a reconhecer, com o tempo, quem você é verdadeiramente. E aí sim, você pode fazer aquilo que você veio ao mundo para fazer. Aquilo que de fato expressa sua individualidade.

*Monika é psicoterapeuta de abordagem energética transpessoal, com longa experiência em atendimento clínico, complementou sua graduação em Psicologia com especialização em Psicanálise e diversos estudos adicionais em técnicas corporais e energéticas, Xamanismo e Budismo Tibetano. Suas pesquisas do Feminino e da Deusa resultaram em cursos, workshops e rituais realizados no Espaço Caldeirão, além de textos e livros publicados. Atualmente encontra-se em Formação para Praticante de Fractologia – a Ciência da Cura, ancorando no Brasil o trabalho desenvolvido pela Dra. Catherine Wilkins da Austrália.

www.monikavonkoss.com.br

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