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Fazer amizade com a dor

Fazer amizade com a dor

Ruhan Victor Oliveira

É preciso vencer o desconforto e estar atento à mensagem de cada acontecimento

Você já praticou Yoga? Durante uma aula, volta e meia, é possível que tenhamos que lidar com a dor e o desconforto. Muitas vezes o corpo está ali, aprendendo novos movimentos, uma nova consciência corporal está nascendo, e no meio disso tudo está a dor, martelando, gritando, se fazendo presente. Nesses momentos, geralmente peço para que os alunos respirem e procurem fazer amizade com essa dor.

Parece estranho, eu sei. Só que faz sentido. Na maioria das vezes, o que incomoda mais, não é necessariamente a dor, mas a nossa resistência a permanecer no desconforto. Estamos fora da zona de conforto, o corpo trava, os pensamentos aceleram e afobamos um pouco: temos que sair imediatamente. Agora, se você respira, vai criando espaço, vai percebendo que aquela dor pode ser aliviada, que você pode permanecer um pouco mais sem se machucar. Afrouxamos um tanto as cordas da resistência e nos abrimos ao que podemos fazer. O desconforto do desconhecido assusta, mas não mata.

Foto: Madison Lavern via Unsplash

Assim é na nossa vida. Quanto mais lutamos contra algo, fugimos, afobamos, mais esta coisa tende a nos torturar, aprisionar. Esta é a verdadeira noção de inferno: resistir, correr, evitar, separar, não encontrar uma maneira de lidar, um caminho do meio para seguir. O Yoga enquanto ferramenta prática e estilo de vida nos aponta a possibilidade de realizarmos uma revolução de consciência, de alteramos as lentes que vemos o mundo, a maneira que enxergamos cada experiência. A dor é inevitável na condição humana, porém, será que é mesmo obrigatório tratá-la sempre como vilã e tirana incondicional?

Para o aluno atento, cada acontecimento é professor. A dor ensina, e pode ser nossa amiga, se estivermos atentos o suficiente para procuramos nela os significados que apontam para a nossa mudança, para os elementos em nós que precisam ser reformados, excluídos ou desenvolvidos. Quando completamente abertos a esse processo de autoconhecimento, a dor é uma visitante breve, passageira e quase não se demora, pois já deu o recado. Com o que você precisa fazer amizade hoje?  

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