Fazendo da felicidade um hábito

Por Susan Kaiser Greenland*

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E se a felicidade fosse um hábito que pudéssemos ensinar às crianças? E é! Qualidades que nos afastam da felicidade (fortes emoções negativas) e as qualidades que nos conduzem à felicidade (ações éticas) são enraizadas nos hábitos desenvolvidos no passado. A Atenção Plena ajuda as crianças e os adolescentes a reconhecerem os hábitos que levam à felicidade e a abandonarem os que não levam.

Os hábitos são fáceis de construir, difíceis de abandonar e todo mundo tem. Alguns hábitos são físicos (roer as unhas e enrolar o cabelo), alguns são verbais (usar certas palavras ou frases) e alguns são de natureza psicológica (preocupar-se, sonhar acordado, e  analisar e julgar em excesso). Repetir um hábito que reforça os circuitos cerebrais associados tornam o hábito mais forte. Quanto mais forte o hábito, mais fortes são as vias neurais, e mais fortes o esforço e a determinação necessários para quebrá-lo. Se a primeira coisa a ser feita pela manhã pelos adolescentes for verificar suas páginas do Facebook, todas as manhãs, verificar o Facebook logo se tornará seu padrão, sua resposta automática ao acordar. Se a primeira coisa feita pela manhã for caminhar ou meditar, todas as manhãs, caminhadas ou meditação em breve se tornarão seu padrão, sua resposta automática ao acordar. Quanto mais o hábito se repete, mais forte se tornará e mais provavelmente será a resposta automática de uma pessoa a uma experiência específica.

Há um currículo bem estabelecido, baseado em evidências, que utiliza a atenção plena para desenvolver habilidades de vida que tornam  as pessoas mais felizes. Baseia-se em três qualidades universais: atenção, equilíbrio e compaixão. Inúmeros pais e educadores, que experimentam este curriculum, são agora apaixonados por ensinar atenção plena aos jovens. Eles formam a base de um movimento popular emergente para trazer a atenção plena à educação.

A atenção plena é um processo refinado de atenção que permite que as crianças vejam o mundo através de uma lente de atenção, equilíbrio e compaixão. Quando as crianças aprendem a olhar o mundo dessa forma, logo aprendem também a estar no mundo com atenção, equilíbrio e compaixão.

Fazendo da compaixão um hábito

Para transformar a compaixão em um hábito, tudo que as crianças precisam fazer é um voto de que tudo o que fizerem será gentil e compassivo, e manter esse voto. Parece fácil? Qualquer pessoa que fez um voto e, em seguida, tentou mantê-lo, dizendo que irá falar e agir de uma certa maneira, sabe que é mais fácil dizer do que fazer. A melhor maneira de manter uma promessa é torná-la um hábito e é aí que a atenção plena pode ajudar. A atenção plena é a qualidade mental pela qual as crianças e adolescentes têm consciência de si durante todo o dia e verificam se estão no caminho certo. A atenção plena ajuda as crianças a lembrarem de sua intenção de serem gentis e compassivas, e a observarem se estão agindo e falando de acordo com essa intenção. Não esperamos que as crianças sejam perfeitas, assim como não podemos esperar perfeição com relação a nós mesmos, mas usar a atenção para perceber quando desviam de sua intenção lhes permite corrigir o curso.

Fazendo da concentração um hábito

Concentrar-se em uma coisa e nada mais é uma habilidade crucial na escola. Os alunos que têm a capacidade de direcionar sua atenção para o que estão estudando, e mantê-la, tem uma evidente vantagem sobre aqueles que se distraem facilmente. Para desenvolver a concentração e torná-la um hábito, os alunos usam a atenção plena para periodicamente prestarem atenção em si mesmos e verificar se ainda estão prestando atenção ao objeto escolhido. “Minha mente se dispersou ou se aborreceu?” “Estou prestando atenção a minha lição de casa, ou estou pensando no passado ou no futuro?” “Estou alerta ou estou caindo em um estado sonolento?”

Fazendo do equilíbrio um hábito

Uma vez que as crianças e adolescentes estejam utilizando a atenção plena para desenvolver a compaixão e lembrar de se certificar de que suas ações estão alinhadas com as suas intenções; e refinar a sua atenção, certificando-se de que estão prestando atenção ao objeto escolhido, estão prontos para usar a atenção plena para desenvolver o equilíbrio emocional. A habilidade forte e estável de sustentar a atenção que as crianças e adolescentes desenvolvem praticando a concentração se torna mais refinada quando a utilizam para perceber o que está acontecendo dentro e em torno deles mais claramente, mesmo quando o que está acontecendo é emocionalmente perturbador ou difícil. Como quando desenvolvem a atenção e a compaixão, para desenvolver o equilíbrio os alunos procuram trazer a consciência a si mesmos e ao que eles estão percebendo. A atenção plena para desenvolver o equilíbrio emocional é mais profunda através do desenvolvimento de um discernimento poderoso – uma qualidade de sabedoria por meio da qual crianças e adolescentes percebem, entre outras coisas, padrões e hábitos de ação e discurso.

A esperança motiva a mudança

Tenho trabalhado com pais em todo o mundo e eles têm uma coisa em comum: os pais querem ser felizes e querem que seus filhos sejam felizes. Estão preocupados com a possibilidade de o atual sistema educacional não ensinar as habilidades necessárias para resolver os inúmeros problemas que seus filhos certamente irão enfrentar. Muitos pais se sentem sem esperança. Quando aprendem que o treinamento em atenção plena é um currículo baseado em evidências; com um histórico longo e confiável; universal em sua abordagem; e ensinado de uma forma secular – se sentem esperançosos novamente. A esperança motiva a mudança e explica o crescente movimento popular de ação social pela educação consciente.

SusanKaiserGreenland

*Susan Kaiser Greenland, é autora de The Mindful Child, ex-advogada empresarial; desenvolveu o programa Inner Kids para crianças, adolescentes e suas famílias e ensina em todo o mundo.

  artigo original  

Via Cultivado o Equilibrio 

 

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