Existe Mindfulness no Yoga

Por Denis Karenkin*

Foto de SofieZborilova

Se você pratica mindfulness (atenção plena), provavelmente sabe que a origem dela se encontra nas práticas de meditação budistas Samatha e Vipassana. Se você estudar com um professor de mindfulness ou ler um livro sobre o assunto do mindfulness no budismo, aprenderá que a palavra para mindfulness na língua original Pali (antiga língua budista) é sati. Sati é, na verdade, um verbo, que significa lembrar. Lembrar o quê? Lembrar-se de prestar atenção, de estar vigilante. Quando os primeiros textos budistas estavam sendo traduzidos para o inglês, cerca de 100 anos atrás, as palavras mindful ou mindfulness foram escolhidas como significados adequados para sati. Mas mindfulness não é a única palavra possível, sendo a palavra em inglês awareness (em português, consciência) frequentemente usada como outro equivalente de sati.

Mas e quanto ao mindfulness no Yoga? Os yogis antigos não praticavam viver no momento presente quando estavam sentados em cima de suas peles de tigre (antigos tapetes de yoga)? Claro que sim! A palavra em sânscrito para sati é smrti, que significa lembrar, manter algo em mente. No clássico texto sobre Yoga de Patanjali chamado “Os Yoga Sutras”, a palavra smrti é descrita como uma qualidade mental necessária para atingir dharana (concentração) e, então, dhyana (ou jhana, em Pali), que é o estado de total absorção pelo objeto de atenção.

Em um sentido mais prático e cotidiano, smrti é a atenção curiosa às sensações do corpo e à respiração durante práticas de Yoga. Estamos sempre nos lembrando de estarmos presentes com nossos corpos enquanto praticamos asanas, pranayamas ou meditação. É uma intenção e também uma técnica que, na prática de Vinyasa, é necessária quando praticamos, juntamente com o correto alinhamento e a sincronização apropriada da respiração com o movimento.

Uma das técnicas de mindfulness que podemos aprender num programa de mindfulness para nos ajudar a lidar com estresse e pensamentos ou emoções difíceis tem o acrônimo S.T.O.P. a ela associado. O objetivo dessa técnica é ajudar-nos a fazer uma pausa e direcionar nossa atenção ao que está acontecendo em nosso ambiente interno quando estamos sob estresse e temos acesso limitado aos nossos recursos internos. A letra P no acrônimo significa “prosseguir” e nos encoraja, após termos percebido as sensações, os pensamentos e as emoções que estão surgindo para nós em um momento de estresse, a agir de acordo com o que sentimos que seja certo para nós.

Curiosamente, parece ser a mesma técnica que Krishna ensinou ao rei Arjuna na Guerra de Kurukshetra, em outro texto influente sobre Yoga chamado Bhagavad Gita. Quando Arjuna pergunta a Krishna o que fazer a respeito do seu dilema (iniciar ou não uma guerra contra seus familiares – parece estressante o suficiente, né?), ele recebe orientação de Krishna, que diz: “Yogastah Kuru Karmani”, que pode ser traduzido como “Após estabelecer sua atenção no momento presente, execute a ação”.

Esse conselho aponta para a permanência no estado de atenção plena (smrti) em relação a todos os fenômenos surgindo e desaparecendo em seu corpo, sua respiração e sua mente no momento presente. Depois de aplicar essa técnica, Arjuna emerge de sua meditação sabendo sem duvida nenhuma o que precisa fazer e prossegue para liderar seu exército para a batalha.

Mindfulness pode ter suas origens no Budismo, mas não é estranho à prática e filosofia do Yoga. Então, ao praticarmos asanas, pranayamas e meditação com atenção plena às nossas experiências, praticamos mindfulness.

Boas práticas!

*Denis Karenkin mora em Vitória, ES e além de dar aulas de Yoga e curso de Meditação Mindfulness, facilita sessões semanais de Banho de Gongo.

https://www.dkarenkinyoga.com/

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