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Eu tô querendo um Face to Face

Eu tô querendo um Face to Face

Adriana Calabro

Por Adriana Calabró*

A gente vê umas notícias, umas declarações de arrepiar os cabelos. Vem um friozinho de impotência que sobe pela garganta e depois estrala na boca. A gente quer postar no Facebook um texto furioso, do tamanho da conta corrente do Zuckerberg, mas desiste. Isso não vai adiantar, só vai alimentar o ódio ainda mais. Melhor um abaixo assinado, um fórum de discussão…

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Aí a gente vê o filme do cachorrinho que salva o peixe, da baleia em oceano azul, do microorganismo que parece bailarina, do cão que se comunica com o menino e da criança que sabe que somos só um pozinho no universo.  A gente ri e agradece que tem tanto bicho-professor e tanta criança que ainda não desaprendeu.

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Aí, depois, a gente vê nossos amigos defendendo quem a gente não queria que eles defendessem. E falando coisas que a gente não queria que eles dissessem. E a gente ama esses  amigos, entende? A gente queria amar ainda mais, mas as opiniões deles ficam cutucando as nossas. E o amor fica brigando com opiniões, vê se pode…

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E tem também a hora que a gente consegue sair da rede virtual e cair na real. E fica rodeado de gente que queremos tocar, cheirar, ouvir e pra quem podemos falar um monte de bogagens sem encolher a barriga nem fazer cara de inteligente. Se for pensar, as bobagens que falamos entre amigos são tão grandes como as das redes sociais, mas como tá tudo em terceira dimensão, fica mais palpável. Fica sanguíneo, energético, inspirador. Uma vida sem photoshop nem photoshopping. 

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Olha, eu tenho a impressão que a gente tá querendo uma vida do hoje,  do agora, sem saudosismo, mas com as conexões que andam fazendo falta…

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*Adriana Calabró é escritora, dramaturga, jornalista e adora um olho no olho, um corpo a corpo, um face a face…

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