Eu não sou exatamente aquilo que penso

Por Ciro Castro do Espaço Yogapada*

Photo by Paolo Nicolello on Unsplash

Andando pelas ruas movimentadas coexistimos em nosso universo particular. Já parou para pensar nisso? Naquela multidão de gente, cada cabeça está sintonizada em uma estação mental diferente. Alguns pensam na conta do banco, outros lembram daquele dia na praia e, ainda, existem os mais criativos que estão imaginando algo que ainda não aconteceu ou sequer existe. Em cada uma das milhares de pessoas que caminham, milhares de possibilidades de pensamentos.

Precisamos cuidar do que se passa em nossas cabeças, pois isso pode afetar todos os que nos cercam. Afinal os pensamentos precedem nossas ações e, após uma ação, fica difícil controlar os frutos que dela nascerão. Assim, se cuidarmos com carinho do nosso universo ininterrupto de pensamentos estaremos ajudando o nosso equilíbrio e o daquelas a nossa volta.

Tá bom, mas como posso fazer isso? Às vezes minha cabeça parece um furacão! Veja bem, da mesma maneira que aceleramos nossa mente devido aos compromissos e pressões cotidianas é possível aprender a acalmá-la.

No trabalho ou em casa, temos mil coisas a fazer, temos prazos, temos cobranças. Tudo pode ser um veneno para nosso bem-estar. Separar pequenos momentos em nossa semana para a contemplação de nossa cuca é o melhor caminho para fugir dos remédios tarja preta.

Observe o seguinte, quando sentimos medo, raiva ou ansiedade temos a tendência de nos confundir com esses sentimentos passageiros. A nossa mente acredita ser estes sentimentos. Enraizamos nosso universo interno nestas oscilações mentais e ficamos confusos, vivendo de forma intensa algo que, não necessariamente, deveria dominar o nosso ser. E é a partir daí que tudo pode se agravar com o tempo.

Com a meditação, ou mesmo com práticas de Yoga, temos a oportunidade de aprender a olhar com certo distanciamento para esses eventos, para as questões que vem e vão em nossas cabeças. Aprendemos a olhar para o medo, para a raiva ou para ansiedade antes da bomba explodir. É como se aumentássemos o tamanho do pavio, criando tempo para apagá-lo antes da explosão.

Com a prática vejo que não sou mais escravo de todo sentimento que martela minha mente, seja ele bom ou ruim. Vejo que é possível nutrir um distanciamento entre o pensamento e a ação decorrente dele, aprendo a ser mais ponderado, a ter mais discernimento e construo um universo mental mais pacífico, ou sou capaz de tomar atitudes que não causam grandes abalos em mim mesmo e nos demais.

*Ciro é professor de Yoga e Vedanta diretor do @espacoyogapada, @projetoyoganarua, @yoganoparquesp,@yogaflix, retiros, workshops e formação em Yoga. Pratica yoga há mais de quinze anos. Formou-se instrutor através de práticas diárias e cursos intensivos e extensivos com Pedro Kupfer (Uruguai), Camila Reitz (SC), Marta Mollinari (GO), Maurício Wolf (RS), Karin Heuser Wolf (RS), Glória Arieira (RJ), Dharma Mittra (NYC), Matthew Vollmer (Reino Unido), Clayton Horton (EUA), Manju Jois (Índia), dentre outros.

Ministrou aulas nas tradicionais escolas Dhyana Centro de Yoga (Goiânia/GO), Yogashala Centro de Yoga (Florianópolis/SC), Centro do Ser (Florianópolis/SC). 

Filiado a Aliança do Yoga já publicou artigos sobre o tema em revistas e sites especializados como a Prana Yoga Journal, Cadernos de Yoga e no site yoga.pro.br.

Já atuou em empresas como Petrobras, ministrou workshops e aulas especiais em cursos de formação em Yoga e palestras em congressos como o Programa Bem-Estar no Trabalho para Oficiais de Justiça do Estado SC.

Foi responsável pelo grupo de estudos de Yoga Sutra e Bhagavad Gita no Yogashala Centro de Yoga (SC) seguindo a tradição do Advaita Vedanta, sob as instruções de Glória Arieira.

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