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Estamos todos conectados – e não é pelo smartphone

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Nowmastê

Via blog comHarmonia.com

Photo via Visual Hunt

Você já ouviu falar da ‘hipótese do centésimo macaco’? O texto que circula pela internet, livros e revistas conta a história de que em uma determinada ilha, viviam cerca de 100 macacos, que se alimentavam de raízes. Regularmente as comiam como as retiravam do solo, cheias de terra e sem qualquer cuidado.

Em determinada ocasião, a maré avançou até o bosque onde as raízes se encontravam e, além de deixa-las expostas, retirou-lhes a terra e adicionou sal ao alimento. Um macaco se alimentou destas raízes e como gostou, repetiu o processo, sendo acompanhado por seus pares. Em pouco tempo estavam todos retirando as raízes e lavando-as no mar, tornando suas refeições mais prazerosas. Seria apenas uma mera imitação ou aprendizado através da observação, se não fosse a sequência fantástica da descrição.

Segundo a história, macacos em outra ilha – afastada cerca de 100 quilômetros de distância e sem qualquer comunicação com a primeira – iniciaram a pratica de colher as raízes e leva-las ao mar, para lavá-las e salga-las, antes de comê-las. O texto sugere que os macacos na segunda ilha iniciaram seu novo hábito imediatamente após o centésimo macaco da primeira ilha, lavar as suas raízes.

Existem diversas versões do texto, algumas citam raízes, outras citam batatas e até bananas. O que muitos não citam é que esta é uma história fictícia, que tenta demonstrar uma hipótese cientifica muito instigante: A hipótese dos campos mórficos.

O biólogo inglês Rupert Sheldrake trabalha com a hipótese da existência de uma estrutura que permeia o espaço-tempo, que ele denominou campo mórfico. Esta estrutura permearia todos os sistemas, moldando sua forma e comportamento. Como sistemas, entenda-se: átomos, moléculas, organismos vivos, sistemas planetários, galáxias, sociedades, ecossistemas, etc.

Este campo mórfico é o que faria com que os sistemas sejam sistemas, ou seja, um todo articulado e independente, ao invés de um simples amontoado de indivíduos, células, planetas ou quaisquer partes, dependendo do que se está observando. Cada sistema estaria associado a um campo mórfico especifico.

A transformação, ilustrada no exemplo do centésimo macaco, se dá quando um determinado número de indivíduos, participantes do mesmo sistema, adquire um novo conhecimento. Este conhecimento então é transmitido – através do campo mórfico – ao restante do sistema, provocando transformações na forma ou comportamento, independente de existirem meios convencionais ou conscientes de transmissão de ideias a que estamos habituados.

Este processo foi batizado por Sheldrake, de ‘Ressonância Mórfica‘. Em última análise a ressonância mórfica justifica, legitima e tira do campo da utopia a ideia de que o esforço individual faz muita diferença para o todo, além de corroborar o conhecimento que existe nas escolas iniciáticas, segundo as quais somos todos partes de um único organismo e estamos conectados a todos e tudo.

Um indivíduo, ainda que aparentemente isolado e sem suporte formal dentro de qualquer sistema, influenciará o todo, assim que iniciar a mudança em seu modelo ou comportamento. E isto acontecerá por que é uma lei natural e não por que houve convencimento, convergências de interesses ou tantas outras variáveis com as quais estamos habituados. Estas variáveis são os efeitos e não as causas das mudanças, especialmente quando se tratam de inovações, quebras de paradigmas e crescimento espiritual.

Agora reflitamos um pouco. Vivemos em um mundo extraordinário, com uma diversidade de sistemas fantástica, potenciais ainda não realizados e tantos outros ainda nem percebidos. Um dos potenciais mais reconhecidos e ainda não realizados é a possibilidade das sociedades humanas viverem em harmonia com o meio ambiente, umas com as outras e – talvez o primeiro passo – cada individuo viver bem consigo mesmo.

Considerando-se a hipótese da ressonância mórfica, a maneira como a maioria dos sistemas sociais está organizado e a nossa irrefreável vocação para a evolução, não é difícil ligar os pontos e perceber quais seriam – ou serão – os resultados para os nossos sistemas, quando o movimento ainda tímido e mal compreendido, da responsabilidade social e sustentabilidade, adotado por alguns grupos, tomar força e vigor.

Para que possamos atingir o nosso potencial de crescimento espiritual coletivo, devemos fomentar a participação do indivíduo ,ativando todo o seu poder de transformação da realidade que o cerca. Uma forma de ativa-lo é conscientiza-lo de sua força, sabedoria e beleza e guiá-lo para adotar comportamentos e ideias que sejam construtivas.

Uma vez que o indivíduo esteja consciente de seu poder de transformação e pratica-lo ,esta prática contagiará seu grupo mais próximo, e provocará o efeito de ressonância mórfica descrito por Sheldrake, atingindo outros indivíduos e outros grupos em qualquer localidade.

Parece complexo? A explicação talvez, mas a pratica é simples. Algumas religiões e escolas espirituais têm ensinado seus membros a fazer isto por séculos. O exemplo mais conhecido que se pode citar é a frase “Orai e vigiai”, ou seja, ‘fique atento com o que sua mente produz e mantenha o foco’.

A hipótese da ressonância mórfica nos lembra que qualquer indivíduo pode iniciar uma verdadeira revolução e colaborar para que possamos atingir todos os nossos potenciais!

Parece impossível? Que tal começar por você?

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