Esalen. Paz, amor e história

Por Adriana Calabró*

O Big Sur, faixa do litoral californiano compreendida entre as cidades de Carmel e San Simeon, sempre atraiu gente criativa e de espírito livre. Primeiro, foram os chamados Pioneiros, que encararam as intempéries da natureza e toda a sorte de adversidades  com o nobre objetivo de se estabelecerem naquela terra promissora. Mais tarde, especialmente entre os jovens dos anos 60, a identificação passou a ser com as indescritíveis paisagens da Califórnia e a sensação de liberdade que elas proporcionavam. Nesse cenário de pura experimentação impulsionado pela revolução sexual, pela efervescência cultural e também pelos sopros de espiritualidade vindos do Oriente, os estudos voltados ao autoconhecimento passaram a conquistar lugar cativo na região, sendo que o Instituto Esalen tornou-se o grande epicentro do movimento. Seus fundadores tinham como objetivo desenvolver as potencialidades humanas por meio da psicologia, da filosofia, das religiões orientais, das manifestações artísticas, sempre buscando uma linguagem e uma forma de atuação que fosse além dos dogmas. A proposta se enraizou e passou a dar frutos, com visitantes chegando de outras partes dos Estados Unidos e de todo mundo. Estima-se que em cinco décadas, Esalen tenha recebido a incrível soma de 750 mil pessoas. Hoje, o Instituto, declaradamente sem fins lucrativos, continua oferecendo uma vasta programação de cursos, workshops e vivências em um sistema que prima pela colaboração entre os indivíduos. Na lista de conquistas obtidas nos 50 anos de atividade, pode-se dizer que o local foi um dos grandes responsáveis pela disseminação da linha Gestalt, aprofundando os estudos e as pesquisas dessa bem conceituada área da psicologia.

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Além do tempo

As visitas turísticas ao Instituto Esalen não são permitidas. O espaço é reservado às pessoas que vão fazer alguma atividade da programação, o que geralmente dura alguns dias e inclui a hospedagem. Os temas abordados são os mais diversos possíveis: meditação, relacionamento interpessoal, psicologia, massagens específicas, como a integração crânio-sacral, herbalismo, alimentação vegana, entre outros.  Para os que estão de passagem, a dica é agendar uma massagem avulsa. Primeiro porque assim é possível passear pelo espaço antes e depois do procedimento, aproveitando as belezas naturais da propriedade. Depois, porque a própria técnica massoterapêutica, desenvolvida e patenteada pelo Instituto, oferece sensações inesquecíveis. Nesse caso, só não deixe de levar na bagagem o seu espírito hippie para não estranhar o fato de que, na Casa de Banhos (e massagem), as pessoas circulam sem roupa e sem preconceitos. As piscinas,  banheiras e chuveiros são comunitários e brindados com a bela vista do Oceano Pacífico.

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Buscadores

 Os objetivos de quem vai a Esalen também são diversos. O próprio texto do site propõe: quem precisa processar alguma dor, ou busca uma nova forma de olhar o mundo, será bem-vindo no espaço. A paulistana Marina Bueno, mestre em Programação Neurolinguística, já teve a oportunidade de participar de workshops em Esalen e contou ao Nowmastê um pouco de sua experiência. “Em 2008 eu estive em um workshop em Esalen chamado ‘The Arica Nine Ways of  Zhikr’, focado na técnica do eneagrama e conduzido por Oscar Ichazo. Foi uma vivência maravilhosa, onde todos nós nos tornamos um só indivíduo,  através da respiração, dos sons e dos movimentos. Em Esalen temos a oportunidade de desfrutar a natureza e nos aproximarmos de nossa essência. Isso nos faz compreender que a união entre os seres humanos é, ou pelo menos devia ser, o mais natural.” A escritora Alana Trauczynki também esteve no local, e afirma: “Foi um dos lugares mais incríveis que estive em minha vida. Além da massagem, eles têm os melhores banhos de águas sulfurosas do mundo. E o melhor é que as piscinas são ao ar livre, o que faz bem para o corpo e para a alma”.  A autora dessa reportagem também esteve lá. Ainda era inverno e ela arriscou tudo o que tinha direito: a massagem, o nudismo e o chuveiro onde a água quente competia com os ventos enregelantes vindos do mar. Seu lado flower power sentiu-se absolutamente em casa

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* Adriana Calabró é escritora, jornalista e dramaturga. Tem o espírito da Califórnia, mas vive em São Paulo.

As imagens foram gentilmente cedidas por Doug Ellis

Agradecimentos: Doug Ellis e Instituto Esalen

 

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