Entre tudo que foi e tudo que vem; o presente e a presença

Por Fernanda Nicz*
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Um desejo para o novo ano?

Mais presença. Mais presença no momento presente. Mais presença em mim. Menos projeção do animus no outro. Mais percepção do meu Eu Maior. E que todos os seres que encontrar no decorrer da jornada estejam numa busca parecida e, assim, possamos estar sempre inteiros e plenos para realizar uma troca sincera que contribua para a evolução de ambos.

A não presença quando o amor se faz presente – Anima e animus (do latim animare = animar, avivar) são conceitos criados por Carl Jung para os opostos (inconscientes) existentes no homem e na mulher, respectivamente. Anima é o componente feminino num homem e animus é o componente masculino numa mulher que, quando não percebidos e reconhecidos, são projetados. O homem projeta a anima na mulher e a mulher projeta o animus no homem. Assim, muitas vezes, quando uma mulher projeta em um homem sua imagem de animus positiva, por exemplo, passa a supervalorizar tal homem. Só se sente completada por ele, como se fosse através dele que ela encontrasse sua própria alma. Depois de um tempo, quando a familiaridade expõe o relacionamento a uma grande dose de realidade, a projeção positiva enfraquece e a negativa ocupa seu lugar. Segundo John A. Sanford, no livro Os Parceiros Invisíveis, os efeitos negativos do animus estão diretamente relacionados com a falta de percepção e desvalorização, por parte da mulher, de seu lado masculino. Esta mulher passa, então, a projetar o animus em outra pessoa, inconscientemente, para poder observá-lo neste outro ser (como um espelho). E, sempre, o parceiro escolhido em determinado momento representa algo que necessitamos entender a respeito de nós mesmos.

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Uau! Pela primeira vez na vida, um autor consegue clarear, de fato, minha compreensão sobre o apaixonar-se (agradeço ao meu irmão, Rodrigo, por este belo presente!). Enfim, começo a entender a fascinação/poder exercida (o) pelo ser/objeto do meu amor/paixão sobre mim e minha vida. E quero ir mais a fundo. Quero me conhecer a ponto de compreender porque saio de mim quando amo ou penso que amo. Quero existir e estar presente mesmo apaixonada. 

Quando o ontem e o amanhã anulam o hoje – Além do estado de paixão, onde se está/vai quando não se está presente?  Num passado recente ou uns meses à frente. Apegado a memórias de momentos felizes, mas já vividos ou na expectativa de concretizar um feito que possivelmente trará felicidade – mas nada é garantido. Enquanto passado representa recordações e futuro é antecipação; presente é consciência. Portanto, como diz Deepak Chopra; o tempo é movimento do pensamento. Passado e futuro são frutos da imaginação. Só o presente é real.

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Mas quem, dentro do ser, projeta o animus em outro ser? Quem no ser, o leva pra trás e pra frente? Aquela que muitas vezes mente; a mente – que faz parte do ser, mas não o representa completamente.  

Ela quer sempre mais. Oscila num divagar vai e vem sem parar. O estar simplesmente consigo mesmo e o estar presente nunca é o bastante/suficiente. Necessita resgatar situações e pessoas que lhe parecem perfeitas porque em determinada época provocaram uma sensação, de fato, prazerosa. Mas a mente ignora uma das principais características da vida; a impermanência.

Quando não está ocupada em relembrar detalhadamente o que passou, escolhe imaginar como seria SE, lá num futuro próximo. Mas, como diz o monge budista vietnamita Thich Nhat Hanh, a vida não é um lugar ou destino determinado. Não existe caminho PARA a paz e a felicidade LÁ. Paz e felicidade SÃO o caminho.

Então se a mente não representa o ser completamente, há de haver uma forma de não viver escravo dela – assim como há de haver uma forma de não deixar a paixão cegar a ponto de nos escravizar. Aquietá-la? Como? Parando, silenciando, meditando. Mas é preciso força de vontade, querer de verdade tudo isso. Não apenas ler. PARAR e praticar. Um pouco ao deitar e um pouco ao acordar.

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Estabilidade e liberdade – Thich Nhat Hanh também afirma que, para estar presente, é preciso estar vazio. Nada em mente. E para chegar a tal estado, ensina algumas práticas. Respirar e sorrir é fundamental e traz o ser divagante para o AGORA, que, de fato, é tudo que há neste instante. Ele ensina a inspirar e expirar (sempre pelo nariz) pensando;

Inspira – Acalmo corpo e mente

Expira – Sorrio

Inspira – Momento presente

Expira – Único momento.

Mantras e natureza são capazes de levar o ser de volta a sua essência. Essência pura, sem mente, imaginação, passado ou futuro.

Somente ao olhar profundamente para a vida como ela é, exatamente aqui e agora, o praticante habita na estabilidade e liberdade. – Thich Nhat Hanh

Estabilidade e liberdade referem-se ao contentamento e à tranquilidade de não ser arrastado por coisa alguma; nem pro passado, nem pro futuro, nem por uma devastadora paixão.  Toda a busca por coisas e sensações maravilhosas (no ontem, no amanhã e no ser amado) está disponível em cada ser, hoje – na tênue linha entre o que foi e o que há de vir -, agora, no momento presente. Basta disponibilidade e muita vontade para acessar o Divino que habita cada um de nós, seres de LUZ, infinitos e perfeitos em sua originalidade/unidade.

Este é o grande desejo/desafio pra mim e pra todos à minha volta neste ano que se inicia; esbanjar/transbordar PRESENÇA!

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*Fernanda Nicz é escritora, professora de kundalini yoga e escorpiana (ascendente em peixes e lua em câncer…tudo água, emoção à flor da pele!). Estudou cinema e jornalismo e viveu, além do Brasil, na Inglaterra, nos EUA, na Itália e, atualmente, está em Portugal.

Em 2014, criou o projeto Minideias (https://fernandanicz.wordpress.com ) com o objetivo de provocar revisão de valores na sociedade, instigando e inspirando mudanças ao apresentar novas possibilidades de “estar no mundo” e diferentes “formatos de vida”. Andarilha/peregrina na eterna busca de personagens e paisagens inspiradoras, percorreu ecovilas e fazendas agrícolas a procura de simplicidade, natureza e minimalismo.  Depois de alguns meses na ecovila Tribodar (Alentejo), segue, agora, escrevendo o livro; metade romance, metade crônicas, de seu Minideias.

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