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Entre Ser e Estar – onde a estrada faz a curva, a vida se desdobra e passa a SIGNIFICAR

Entre Ser e Estar – onde a estrada faz a curva, a vida se desdobra e passa a SIGNIFICAR

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Por Fernanda Nicz*

Afinal, de que se trata o tempo por aqui? Quem SOU? Qual a razão de determinados encontros e outros tantos desencontros? Por que tanta cobiça, tanta coisa, sempre mais e mais? Quem sou EU no meio desse tanto todo de CAOS? Quem sou EU em tudo que há em mim?(https://www.nowmaste.com.br/da-perfeicao-da-essencia-fernanda-nicz/). Quem/o quê é alma (essência) e quem/o quê é mente (ego) no espaço do corpo?

SER HUMANO é algo complexo – mente (EGO) e alma (SER/essência) que habitam um corpo por determinado tempo, sendo que passam a maior parte desse precioso tempo em incessante conflito. É possível viver em paz – simplesmente SER, serenamente, com consciência e presença – depois que se descobre a existência poderosa/dominadora do EGO?

Eliminar o ego e não mais viver escravo dele parece requerer toda uma vida. Ou não.

Ou nada disso, afinal, como viviam os seres antigamente, sem sequer ter ideia da existência e diferenciação de mente e alma? Eu era simplesmente EU, sem mais.

Simples assim. Mas o passar dos anos trouxe novos saberes. E agora que se sabe como ignorar e não questionar?

fernanda nicz

SER e ESTAR – E então, o ser passa a prestar atenção em quem está no comando; ego ou alma? Atenta-se a SER, cuida-se para não simplesmente deixar-se ESTAR/identificar-se com alguma função/forma/objeto/pessoa/problema/pensamento/emoção. A identificação inicia-se com o fascínio do ego, que se deixa hipnotizar, deslumbra-se e sente-se atraído por algo a ponto de esquecer-se de SER.

Identificar-se = encontrar-se/misturar-se/confundir-se ou ainda: entrar em sintonia, vibrar em consonância com algo.

Encontrar-se em algo significa perder a noção de separação entre SER/sujeito e objeto. Significa confundir-se com o objeto/função/pessoa e esquecer-se de quem é.Coisas do EGO. E o ego se vicia tanto em determinadas identificações que passa a precisar delas pra sentir-se VIVO. Eis aí o APEGO. As identificações ganham força e tornam-se crenças – cada vez mais arraigadas.

fernanda nicz

Na natureza selvagem – Os oito meses de andança e peregrinação por ecovilas e projetos pela Itália e Portugal fizeram perceber, em parte, a diferença entre SER e ESTAR. O tempo e o ritmo na natureza faz alma e mente falarem quase a mesma língua – SE É, simplesmente, mais naturalmente. Quase tudo que SOU vêm à tona, escancaro-me a mim mesma! Na cidade, o excesso de sons, informações e seres confunde QUEM SOU e exerce, facilmente, fascínio sob o EGO. Faz-se necessária uma imensa serenidade para não se deixar identificar/desequilibrar pelo bombardeio
desorganizado de informações/coisas/pessoas pelo caminho.

No campo – na natureza – senti mente/alma/corpo mais saudáveis e equilibrados. Por aqui (na cidade), inquietude, dúvidas, alguns medos e dores. Por lá, quando deitava; “capotava”. Aqui, mesmo morrendo de sono; a mente não para. Por lá, quase nada ansiosa; aqui, ansiedade pura. Lá, presença e concentração (sem esforço); aqui, distração constante (mesmo meditando). Lá, coração tranquilo; aqui, coração sem chão.

Por lá, senti/percebi alma/mente/corpo de uma forma nunca antes experimentada nestes 40 anos de vida. SER e ESTAR pareciam uma coisa só. A sensação era de constante estado meditativo. Já aqui, o tempo parece confundir o ritmo do ESTAR e o distanciar de SER. Sinto os dias se arrastarem, sinto mais solidão, menos presença, mais turbulência, mais coração apertado. A fragilidade escancara-se. Lá, o equilíbrio (acho que posso dizer que conheci um pouco da força e da energia apaziguadora da natureza) neutralizava o agitado coração. Aqui, o EGO foge ao controle. Por lá, por vezes, parecia anular-se.

fernanda nicz

Aqui ou Lá – Diferenças que têm ocupado meus pensamentos. Dias seguem oscilando entre o querer de volta a serenidade despertada (busca de quase toda uma vida) e a imersão cultural oferecida por aqui. Preciso (ou acho que preciso?) da cidade grande para viver porque amo a cultura latejante. Mas preciso também (cada vez mais) da paz facilmente propiciada por lugares em que SER e ESTAR se confundem; integram-se. Até porque, exatamente neste momento, a vontade maior é de fazer do ESTAR uma continuidade do SER, ou seja, ESTAR de acordo com SER (e cada vez mais consciente do ego, anulá-lo). Viver da forma que acredito.

Não estou afirmando que a única maneira de ser feliz é “viver em ecovila/natureza”.

Acredito que alguns seres vivem em paz e mantém o EGO sob controle na cidade.

Que bom, a vida é feita de escolhas, viva as diferenças! É responsabilidade – no processo evolutivo individual – de cada ser encontrar seu lugar no mundo (onde, em que ambiente, seu DOM se potencializa). É uma bonita busca/jornada. A grande questão é descobrir qual a melhor maneira de fazer da existência algo ORIGINAL, que acrescente ao todo e faça diferença no mundo. E é possível também que, até hoje, seu potencial funcionava na cidade grande e, de agora em diante, algo em ti mudou e tens a necessidade da natureza, ou o contrário. Por que não?

fernanda nicz

DEVIR/VIR A SER – A vida impõe desconstrução e reconstrução constantes, como bem disse Viviane Mosé em O Homem que Sabe. O princípio da vida é o DEVIR, ou seja, o VIR a SER, a transformação, a mudança. Tudo que alguma vez teve uma propriedade definida experimenta a desintegração destas mesmas propriedades.Todas as coisas trazem em si, o seu contrário. É do eterno conflito de contrários que nasce o devir; o dia se torna noite, o quente; frio. Há que se perceber o que cada situação manifesta e o que oculta; onde se desdobra.

fernanda nicz

O ser nasce pura essência 

Cresce, conhece, aprende

Então seu ego se constrói, encanta-se, identifica-se

E chega uma hora em que o Ser sente a necessidade de desaprender, desprogramar-se/desconstruir-se

Para, então, retornar à essência e simplesmente SER

Informações e inspiração

Livros: Eckhart Tolle (Um Novo Mundo)

Viviane Mosé (O Homem que Sabe)

Manual do professor de kundalini yoga (formação que estou fazendo)

Lugares: http://tribodar.com/

https://www.facebook.com/paginasitioamoreza/

http://piracanga.com/

http://www.pantarei-cea.it/

http://www.ilgiardinodellebelle.com/

http://giardinodellagioia.wix.com/eden

Fernanda Nicz

*Fernanda Nicz é escritora, professora de kundalini yoga e escorpiana (ascendente em peixes e lua em câncer…tudo água, emoção à flor da pele!). Estudou cinema e jornalismo e viveu, além do Brasil, na Inglaterra, nos EUA, na Itália e, atualmente, está em Portugal.

Em 2014, criou o projeto Minideias (https://fernandanicz.wordpress.com ) com o objetivo de provocar revisão de valores na sociedade, instigando e inspirando mudanças ao apresentar novas possibilidades de “estar no mundo” e diferentes “formatos de vida”. Andarilha/peregrina na eterna busca de personagens e paisagens inspiradoras, percorreu ecovilas e fazendas agrícolas a procura de simplicidade, natureza e minimalismo.  Depois de alguns meses na ecovila Tribodar (Alentejo), segue, agora, escrevendo o livro; metade romance, metade crônicas, de seu Minideias.

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