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Entrar no mosteiro

Entrar no mosteiro

Nowmastê

Por Carol Enguetsu Lefèvre*

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Vários acontecimentos.

Quatro homens foram assassinados na esquina do Zen Center. Quatro vidas roubadas de seu curso natural. A violência, que em maior ou menor intensidade está em todas as partes. Aqui o assassinato foi manchete nos jornais, mas em tantos lugares é só mais um. Mas a tristeza e a dor é a mesma, uma ferida aberta, sangrando.

E em São Paulo, a água vai acabando. Difícil de acreditar, e ao mesmo tempo uma situação já anunciada. Encarar essa realidade e a dúvida de como será a cidade daqui pra frente.
Enquanto isso, aqui em São Francisco eu me sentei Tangaryo. Tangaryo vem da tradição em os monges para ingressar no mosteiro deveriam se sentar do lado de fora e mostrar a sua dedicação à pratica se sentando em Zazen por um longo período. Aqui no Zen Center, nos sentamos por um dia. Junto comigo se sentaram 8 pessoas. Ao contrário de um seshin (retiro) não há sinos indicando início e fim de um período de zazen. Deixamos a sala de meditação apenas para ir ao banheiro e beber água. Para as refeições, a Ino, monja responsável pelas atividades no templo, nos buscou para irmos ao refeitório. Como antigos monges, sentamos juntos com diligência, atravessando o dia, com dores, alegrias, respirando, inalando e exalando.

E o que significa isso hoje? No meio da turbulência, nas notícias, “entrar no mosteiro”? Acreditar e praticar a atenção correta, pensamento correto, a fala correta, criando harmonia. Cultivar o “eu maior”, que não está separado de tudo que existe. E se dedicar para que todos possam também conhecer e praticar. Não impondo ou tentando convencer. Mas oferecendo, como quem compartilha algo precioso, para que todos possam se tornar o caminho iluminado.

 

Carol

Carol Enguetsu Lefèvre

 
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