Ensaio Bodytalk, Consciência “extra”

“Consciente do mar”
Por Nirvana Marinho

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“Terra à vista, marinheiro!”, o fim do ano chegou e, com ele, as resoluções do início do próximo. Como se estivéssemos em plena navegação e víssemos paragem, um pouso para descansarmos da correria – parte desta correria que nos impusemos ou é imposta? Mas segue a prosa: “Sim, sim, capitão; tudo sob controle… chegaremos em poucos dias, contagem regressiva para abastecer o navio, ver os familiares e esperar umas surpresas vindas do além-mar! “ Porque esperamos que, em terra firme, sejamos conscientes, façamos novas e melhores escolhas, e que nos tragam aquele presente que alivia a dor do caminho. E, em terra firme, revendo parentes e fazendo a retrospectiva do ano, descobrimos que tudo parece o mesmo sofrimento, os mesmos erros, uma certa inconsciência que nos trouxe até aqui. Talvez até possamos reconhecer que, muito embora estivéssemos dirigindo o timão, o mar tem seus desejos.

Confesso que este ensaio veio de um impulso, um pulso, uma pulsão escrevê-lo porque ele, inevitavelmente, fala sobre consciência e arbitrariedade. Se preferir, fala também sobre este verso “não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”. Ah Paulinho! Ah viola! O mar é uma espécie de Consciência, imersa na qual grandes icebergs são avistados: como na imagem que metaforizamos, consciente é a ponta do iceberg visto acima da linha do mar; e o inconsciente como um todo gelo submerso, construído a anos, com várias interseções entre seus habitantes – ou seja, nossas memórias, nossas fraquezas, nossas dores, muitas destas lá, boiando para achar porto. Assim, o mar, Consciência, nos navega, leva nosso barco onde tais ondas pulsam. Sim, um pulso, uma tendência, um “assim é”.

Agora, neste exato momento em te escrevo, leitor, estou em frente ao mar. E nessa hora, tem surfistas em alto mar (para mim, muito alto mar, (risos)). Eles esperam a melhor onda. Enquanto isso, admiram o mar. Meditam nele, embora tenham em si sua melhor faísca para quando vier a melhor onda. É o que te desejo para sua paragem de fim de ano. Estar e me-editar na melhor faísca que houver em você. Porque a melhor onda vem. E algumas não são assim tão boas. Mas você está no mar, imerso no potencial de pulsão do seu próprio inconsciente.

E uma questão se faz aqui. Embora esteja plenamente em si mesmo, embora possa ter o melhor emprego, embora possa amar sua companheira ou seu companheiro, embora sinta-se em casa com suas “pendências”, o mar é uma imensidão. Nunca saberemos por onde a correnteza nos convida ir. Às vezes, sentimos a tempestade e, quando ela chega, não adianta muito esbravejar com o mar. Às vezes, sentimos um vazio… Às vezes, nossa âncora se revolta. Às vezes, um tubarão te assusta – talvez isso se assemelha as nossas doenças mais traiçoeiras… O mar. Ah, o mar. Ah, esse tal de inconsciente que é mesmo o capitão de nossos desejos mais ocultos.

Mas daí nos queremos ser capitão. Fazemo-nos o próprio timão. Controlamos a rota, traçamos a trajetória, definimos o tempo de chegada, nos iludimos de que, realmente, a viagem é nossa. A viagem é do mar. Não pareceria prudente, se conhecêssemos a magia do regente coração-mar, arbitrar sobre o mar.

A arbitrariedade seria a dualidade da consciência? Minhas resoluções são um resumo, porém o quão arbitrário? Sem conhecer o mar, como posso traçar minha rota? Tais resoluções, ainda que desejos legitimados (por quem mesmo?…), poderiam ser, na verdade, despóticas – impostas – e elas sim, causarem sofrimento, dor, decepção, frustração, cobrança, culpa? Enquanto, o mar… ah ele assim como o surfista, só observa. Só observa. Sente. Pressente.

Arbitrar sobre o algo pode quebrar o casco do seu navio. Sem problema, na verdade. Você se recompõe. Nós todos, porque todos estão no mesmo mar. Tudo é Consciência. Estamos imersos. Quando fizer suas resoluções este ano, caso queira, sente o mar antes; medita sobre ele. Não precisa vincar sua história a caneta. Rabisca a lápis. Para o mar, todo é meio provisório. Não ter certeza é pavoroso. Mas a imensidão também pode parecer ser. Então, medita quem nem o surfista. Não decide nada hoje. Só mantém a faísca. Porque ela, sim, a faísca habita seu maior cérebro, o do coração. Lá toda eletricidade te leva. E logo mais vem outro mar, e outra paragem, e outro mar….

Dedico este texto a maior não-arbitrariedade de todos os meus últimos tempos:
ao meu amor

Nirvana Marinho


*Nirvana Marinho (CBP, Certified BodyTalk Practitioner (CBP), Terapeuta certificada IBA International BodyTalk Association)

Para falar comigo envie um whatsapp para (11) 97672-8460 ou
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