Encontrando o equilíbrio entre força e flexibilidade (físicas e mentais)

Por Lara Lobo*

O Yoga tem me ensinado muito sobre mim mesma nos últimos quatro anos. Observar atentamente, em minha prática, o que cada parte do meu corpo tem a me dizer na execução das posturas (asanas) me faz perceber o quanto posso ser dura comigo mesma; o quanto podemos ser duros conosco, mesmo sem nos darmos conta.

Sempre fui uma pessoa forte, tanto física quanto mentalmente. Essa força me trouxe bons presentes e me ajudou em momentos difíceis. Essa mesma fortaleza, porém, também me trouxe doses de tensão e rigidez desnecessárias.

O que aprendo quase diariamente ao mover meu corpo no fluxo dos asanas é que, por vezes, não preciso tanto de força e rigidez; o que meu corpo e minha mente pedem, quase sempre, é que eu aprenda a ser mais flexível, leve, suave. A flexibilidade, a leveza e a suavidade  sinalizadas pelo corpo ao longo da prática não são apenas físicas. A verdade é que a indissociável ligação corpo-mente nos faz perceber que somos, no plano mental, algo similar ao que nosso corpo expressa no plano físico.

Para que empregar tanta força e energia em determinada postura, quando seria menos dispendioso energeticamente que depositasse menor dose de tensão naquele músculo?

Por que não tentar execuções mais leves e suaves sentindo mais a respiração e o fluxo de energia em cada parte do corpo?

Certa vez, uma de minhas mestras disse em sua aula: “normalmente as pessoas fisicamente mais fortes e musculosas são as que tem maiores desafios com a flexibilidade, e aquelas que parecem mais soltas e moles precisam encontrar determinada dose de fortaleza para sustentar sua flexibilidade”.

A relfexão que trago, portanto, é a seguinte: quanto temos escutado nosso corpo? O que o excesso de força e rigidez têm tentado nos mostrar? Que partes nossas precisam receber mais atenção? Temos levado essa força excessiva e essa rigidez para outras áreas de nossas vidas? Como seria se buscássemos ser mais flexíveis, suaves, leves e fluidos? Quais aspectos de nossa mente precisam exercitar maior flexibilidade?

Por fim, proponho que façamos uma observação atenta, durante alguma prática física, de cada parte do nosso corpo – dos dedos dos pés ao topo da cabeça. Em que lugares acumulo dores ou tensões? E o que essas dores ou tensões têm a me dizer? Quais são meus músculos mais rígidos e como posso movê-los para flexibilizá-los mais? Quais aprendizados desejo extrair dessa observação?

Que essa seja uma prática díaria nossa e que a reflexão atenta e plenamente consciente nos faça, ao mesmo tempo, abraçar com gratidão e compaixão nossos templos físicos e refletir acerca das mensagens sutis que eles nos estão querendo transmitir.

*Lara Lobo é uma diplomata em licença, vivendo um ano sabático na Austrália. Também é Coach Ontológica, escritora, professora de Yoga e apaixonada por desenvolvimento humano.
Instagram: @laralobom

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