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Em casa, outra vez

Em casa, outra vez

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Por Regina Hostin, autora do livro Quando o hoje já não basta

Photo by Anurag Arora on Unsplash

Imagine que nesse exato momento um ataque terrível te força a abandonar tua casa às pressas. Tudo terá que ficar para trás. Você pega seu filho pelo braço e corre. Essa é a realidade de mais de 65 milhões de pessoas, o maior número da história da humanidade, segundo o relatório Tendências Globais da ONU, que estima que a cada minuto, 24 pessoas são obrigadas a sair de casa por causa de algum tipo de conflito seja guerra, violência ou perseguição. Abandonar tudo, sem olhar para trás e sem pensar, torna-se a única chance de sobreviver para esta multidão.  Dos 65 milhões obrigados a sair de casa, 21,3 milhões são refugiados 1,8 milhões cruzaram as fronteiras abandonando o próprio país (ONU). Entre tantos deslocados, há também os que deixam seu país por conta da pobreza extrema ou por eventos naturais, como terremotos. É o caso dos haitianos que chegaram em massa em Santa Catarina.

A expressão “lar” talvez nunca mais exista no vocabulário de quem precisa de refúgio. Como nós, no conforto de casa, podemos nos imaginar no lugar de um deles? Primeiramente lembre-se de que, SOMOS TODOS IMIGRANTES, a menos que você seja indígena. Sim, porque só quem estava nesse pedaço de terra lá no começo, eram os índios. Depois imagine-se perdendo tudo: família, a terra em que vive, a casa, os pertences, o emprego, a estima, enfim, aquele conjunto de coisas que você costumava chamar de “vida”. Só o corpo se mantém vivo. O resto se foi. É um exercício difícil. Vá além: imagine-se chegando numa nova nação, a necessidade de aprender outro idioma, outra cultura, outro jeito de viver, conseguir trabalho, comida, encontrar um abrigo, ser resistente ao clima e sobretudo, ao preconceito.

Está perto de nós a possibilidade de conviver com um refugiado. Pelo menos 10 mil haitianos tiveram Santa Catarina como destino final ou local de trânsito, segundo o Observatório das Migrações do estado. Conviver, anfitriar ou relacionar-se educadamente significa ser um pouco o continente para o outro. Com isso, quem sabe, conseguimos devolver a palavra “ lar” ao vocabulário deles e talvez um dia finalmente possam dizer:  “me sinto em casa” outra vez.

Veja o comentário
  • Olá Regina! A Globonews está veiculando um documentário sobre o problema dos refugiados , no caso, os sírios. Foi com muita atenção que assisti ao primeiro episódio e senti o quanto somos vulneráveis. Um problema muito sério é que deve ser olhado com os olhos, antes de tudo, da compaixão e do amor no seu real significado.

    Gratidão pela oportunidade de refletir.

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