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Ego. O nosso pretinho básico.

Ego. O nosso pretinho básico.

Ana Cristina Koda

Por Ana Cristina Koda* 

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Autenticidade. Ser autêntico. Venho questionando muito a minha própria ultimamente.

No geral, sempre considerei autêntica aquela pessoa que se expressa plenamente. Aquela que se veste independente de opiniões, que fala o que pensa e o que sente, doa a quem doer, ou seja, quem aperta o “botão F” para o mundo.

Daí que para bancar este pacote, tem que se ter muita coragem ou saber profundamente quem se é.

O que me deixa confusa é que, se por um lado, quanto mais a gente se conhece, mais percebemos que somos inúmeras possibilidades, por outro, já nascemos com uma predisposição de ser algo moldado pelo ambiente cultural do lugar aonde iremos viver.

Afinal, nascemos com uma grande bagagem de milhares de anos de história no inconsciente coletivo, que culminaram na civilização moderna. Um passado que acumulou padrões de perfeição que definem um homem civilizado “evoluído” dentro de um pacote. E este é um dos grandes paradoxos da existência humana no seu nível mais mundano, já anunciado há séculos: “ser ou não ser, eis a questão.”

No frigir dos ovos, independente da mesma “sementinha de luz” que todos somos em essência, no aqui e agora, todos nós temos uma personagem que interpretamos. Mesmo que a gente não queira admitir, temos uma roupa que vestimos porque é ela que nos protege. Com esta roupa vamos percorrer nosso caminho, interagir com as pessoas e o mundo e nos lapidar até encontrar a nossa luz interior. É uma roupa necessária, muito autêntica e nos possibilita desempenhar inúmeros papéis. O ego, é o nosso pretinho básico.

Bem ou mal, é através do nosso ego personalidade que expressamos e escrevemos a nossa história, a forma como agimos e reagimos, baseado nas nossas crenças, dores e alegrias. E é a partir da nossa observação sobre ele, que podemos construir algo diferente se assim quisermos.

Ultimamente, ando um pouco aflita com a forma com que falamos do ego. Tudo é culpa dele. Ser arrogante e ter medo ou ser palhaço e feliz, seja lá qual a expressão o ego sempre está presente. Ficar culpando o ego por tudo o que apontamos como errado conosco e com o outro é como uma autocensura que irá reprimir parte do que somos. Estaremos nos tornando manipuladores de nós mesmos e nos distanciando da autenticidade porque estaremos negando um lado que é nosso. Este assunto do ego e da autenticidade é algo muito delicado e que precisa ser tratado com cuidado.

Talvez se aceitássemos o nosso ego como uma condição básica da existência humana, porque assim é, conseguiríamos nos olhar como seres perfeitos, munidos dos acessórios necessários para as experiências que escolhemos passar. Talvez, inclusive, fossemos menos vorazes em julgar os outros. Afinal, teríamos aceitado a nossa própria natureza, assim como fazem os animais que não questionam entre si os seus hábitos e características. Simplesmente são.

A grande questão humana é conseguir permitir que cada indivíduo siga a sua própria natureza sem que os símbolos e padrões pré-estabelecidos conduzam leões a estarem em pele de cordeiro e vice-versa e, ao mesmo tempo, hoje eu posso ser um leão, amanhã um cordeiro e depois de amanhã, um beija-flor. Precisamos conhecer o nosso ego, aprender a dançar com ele ao invés de enjaulá-lo.

Este é o fruto e o fardo de termos um cérebro, uma mente e, por isso, podermos evoluir em consciência.

E no meio desta confusão, provavelmente, esta seja a grande definição ou condição para se dizer autêntico: ser alguém que está em paz e feliz na própria pele em todos os momentos.

Ana Cristina Koda

*Ana Cristina Koda

Humana em evolução. Ser interestelar voltando para casa. Assistente da vida para a criação de um novo mundo, aqui e agora. Auxilia as pessoas no mesmo caminho.

Contato pelo email: [email protected]

Veja comentários (2)
  • Puxa vida, tudo já era de uma intensidade
    pra mim, que este belo texto, ve vestiu totalmente .É paz no coração!
    Gratidão por isso. E acredito também que seja uma dasformas mais autênticas de gratidão.
    Completude do ser humano!

    Namaste

    Zeth Fagundes
    Artesã

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