E esse tempo que não passa?

Por Ciro Castro do Espaço Yogapada*

Foto de Aron Visuals on Unsplash

Quando na adolescência comecei a estudar música me deparei com uma situação que até hoje relembro em minhas aulas de Yoga no Espaço Yogapada ou mesmo nos cursos que dou por aí.

Todo estudante de música sabe como é complicado aprender a tocar dentro do beat, dentro do andamento do metrônomo. Pra quem não conhece, o metrônomo é um aparelho que marca de forma precisa o tempo em que devemos tocar para que o músico aprenda a executar as notas dentro do ritmo da canção.

Amigo, no início o cara fica maluco com o tec tec tec continuo. Não conseguimos entrar na cadência e até achamos que o aparelho está quebrado, que está adiantando ou atrasando o tempo. Até as coisas se assentarem, muitas horas de suor podem passar.

O mesmo acontece com a nossa noção de tempo no dia a dia. Cinco minutos numa fila no banco podem ser intermináveis e os mesmos cinco minutos de chamego com minha namorada passam rápido demais. É o tempo que ficou louco?

Por mais que não pareça, o tempo do relógio sempre passa do mesmo jeito, o que muda é a nossa percepção das coisas. Rejeitamos tudo que nos parece chato, que nos causa desconforto. E por outro lado, queremos que aquilo que nos dá prazer nunca acabe e ainda se repita outras vezes. E isso é natural, faz todo sentido.

Porém, e sempre tem um porém, momentos ruins ou momentos bons sempre vão acontecer, independente de nossas vontades ou desejos. O voo pode atrasar, o cheque pode voltar, o caldo pode entornar. Podemos ter o que desejamos, ou podemos não ter o que queremos, apesar de nosso esforço. O imponderável sempre está por aí, como um fato inabalável de nossa existência  e apesar de nossa dedicação para evitar a dor e procurar o prazer, tudo pode acontecer no caminho.

Assim, seria mais interessante, mais maduro, aprendermos que ao realizarmos qualquer ação colheremos basicamente três variações: aquilo que queremos; diferente daquilo que queremos; ou ainda o inesperado, algo que foge de qualquer expectativa.

Deixe-me tentar ser mais claro. Imagine que um jogador chuta a bola ao gol. Ele deseja fazer o gol para ganhar o jogo e ele pode conseguir isso. De outra maneira é plausível que ele erre por pouco ou por muito. E a terceira opção seria um torcedor entrar no gramado e chutar a bola para longe. Isso seria inesperado, um fato raro.

O Karma Yoga, o Yoga da ação quer nos mostrar isso. Após executarmos uma ação, apenas três opções podem acontecer, como foi descrito acima. Quando aprofundamos este conceito em nosso ser, quando entendemos este fato passamos a lidar melhor com tudo aquilo que nossa relação com mundo e com os outros nos dá. Posso ter o que quero, posso ter algo diferente do que quero, posso receber algo inesperado.

Por fim, paramos de sofrer com o tempo que não passa, ou com o tempo que passou voando. Paramos de querer controlar tudo e fazer com que as coisas aconteçam exatamente da maneira que gostaríamos, e buscamos compreender melhor as variações naturais de nossa existência.

*Ciro é professor de Yoga e Vedanta diretor do @espacoyogapada , @projetoyoganarua , @yoganoparquesp ,@yogaflix , retiros, workshops e formação em Yoga. Pratica yoga há mais de quinze anos. Formou-se instrutor através de práticas diárias e cursos intensivos e extensivos com Pedro Kupfer (Uruguai), Camila Reitz (SC), Marta Mollinari (GO), Maurício Wolf (RS), Karin Heuser Wolf (RS), Glória Arieira (RJ), Dharma Mittra (NYC), Matthew Vollmer (Reino Unido), Clayton Horton (EUA), Manju Jois (Índia), dentre outros.

Ministrou aulas nas tradicionais escolas Dhyana Centro de Yoga (Goiânia/GO), Yogashala Centro de Yoga (Florianópolis/SC), Centro do Ser (Florianópolis/SC). 

Filiado a Aliança do Yoga já publicou artigos sobre o tema em revistas e sites especializados como a Prana Yoga Journal, Cadernos de Yoga e no site yoga.pro.br.

Já atuou em empresas como Petrobras, ministrou workshops e aulas especiais em cursos de formação em Yoga e palestras em congressos como o Programa Bem-Estar no Trabalho para Oficiais de Justiça do Estado SC.

Foi responsável pelo grupo de estudos de Yoga Sutra e Bhagavad Gita no Yogashala Centro de Yoga (SC) seguindo a tradição do Advaita Vedanta, sob as instruções de Glória Arieira.

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