Do meio do caminho – intervalos e viradas rumo ao caminho do meio

Por Fernanda Nicz*

Fernanda Nicz(…) é quando ousa deixar (saindo da zona de conforto) de ser o que é que podes, enfim, iniciar o processo de tornar-se tudo o que pode ser.

Bata, e se abrirá a porta. Desapareça, você brilhará como o sol. Caia, que se levantará aos céus. Torne-se nada, e se transformará em tudo.

Esqueça segurança. Desdobre seu próprio mito.

Quando começas a caminhar, o caminho aparece.

RUMI.

Iniciar o processo de tornar-se tudo o que pode ser =ser humano como eterno aprendiz.

A vida – o que SOMOS – é um presente de Deus. O que nos tornamos é presente nosso a quem nos deu a vida.

Fernanda NiczLuna está engasgada. Um nó no peito, uma estagnação física e um vazio ao redor. Ensaia um movimento, mas não consegue visualizar a luz, o sol, o amor maior. Luna criou seu projeto de acordo com suas crenças, sua verdade mais íntima. Foi à estrada, só, com a cara, a coragem e muita vontade. Vontade de ver o mundo e formas diferentes de habitá-lo. Vontade de experimentar aproximar-se mais da natureza, de seres que pensam parecido. Fez e aconteceu.

Hoje vive um período mais nebuloso. Um intervalo da vida escolhida. A vida é feita deles; intervalos e viradas. Bom saber/acreditar que, depois de um deles só pode vir o outro, ou seja, se hoje Luna vive o intervalo é sinal que em breve é a vez da virada.

viradas O intervalo de Luna se assemelha ao ponto zero da escritora Clara Baccarin.

No ponto zero o tempo desacelera e estou travada na falta de vontade de mostrar qualquer coisa, seja conhecimento, postura, sorrisos, companhia, tempo, imagem. Quero ser de verdade, à vontade. LEVE.

No ponto zero não tenho salário, não faço esforço para aprender o que não me faz sentido, para transferir o que não acredito…

Podemos, então, por favor, enfim, de uma vez por todas, viver uma vida só cercados do que realmente acrescenta?

trechos do livo da Clara Baccarin acrescidos do meu olhar/sentir/pensar.

Fernanda NiczIntervalo é pra repensar /reorganizar, desaprender/ aprender. É momento de ensaiar a virada/ volta – com toda a força – à vida que/como se acredita. No caso de Luna, desta vez, com mais LEVEZA em seus dias, em seus voos.

Mas, antes disso, o que, afinal, provoca a chegada de um intervalo/ponto zero?

Uma rotina desgostosa instalada num momento de pura distração em que se “deixa levar/seduzir pelo meio em que se vive”. E com o passar dos dias, não tem jeito, Luna cansa, revolta-se (ao deparar-se com valores tão distantes dos seus) e o corpo, sábio que é, pra chamar a atenção, adoece. CAI de cama, literalmente; física, espiritual e emocionalmente.

Porque fazer o que não se ama cansa mesmo e não encontrar tempo pra fazer o que faz sentido frustra muito. Porque contrariar os próprios valores faz mal à saúde.

Caia, que se levantará aos céus. Torne-se nada, e se transformará em tudo.

Esqueça segurança. Desdobre seu próprio mito.

Quando começas a caminhar, o caminho aparece.

Fe NiczPois, depois de vivenciar profundamente o intervalo/ponto zero é hora de respirar fundo, encher-se de coragem e reiniciar o caminhar. Porque a estrada é infinita e Luna tem certeza que nasceu pra peregrinar. E não há mal nenhum em perceber que, numa curva, sem querer, errou a entrada. Não é obrigatório ir cegamente em frente, avançar no que não se acredita.

Não precisa ser assim. Como disse o filósofo e educador indiano Jiddu Krishnamurti, anos atrás, não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.

A estrada nunca amedrontou Luna. O acomodar-se, sim. Afinal, só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo, já disse Herman Hesse.

Fe NIcz

Fe Nicz

Fernanda NiczLuna gosta de contar esta historinha do sapo para ilustrar o grande, silencioso e longo mal causado pela acomodação na água morninha/zona de segurança/conforto tão almejada por tantos seres.

Se puser um sapo numa panela de água fervendo ele pula fora e salva a própria vida. Mas, se colocar o sapo numa panela de água fria e for esquentando aos poucos, ele não percebe a mudança da temperatura, vai se ajustando à temperatura e, quando a água está perto do ponto de fervura, o sapo tenta saltar para fora, mas já não consegue, pois está cansado devido a tantos ajustes corporais que teve que fazer durante as variações térmicas. Aí então ele morre.

Há quem diga que o motivo da morte do sapo foi a água fervendo, outros afirmam que, na verdade, o que o matou foi a sua incapacidade (ou o medo) de decidir quando pular fora.

obvious:http://obviousmag.org/paula_lario/2016/a-arte-de-saber-quando-pular-fora.html#ixzz3yatWeR37

zona de confortoA comodidade é característica do ser “normal” hoje. E o que é considerado um ser normal hoje? Considerado por quem e baseado em que critérios?

Luna podia divagar dias sobre o assunto. Não só ela, Jean-Yves Leloup, Pierre Weil e Roberto Crema, há alguns anos, escreveram um livro Normose: A patologia da normalidade. Crema afirma que uma pessoa normótica é aquela que se adapta a um contexto e a um sistema doente, e age como a maioria. Para Leloup, a normose é um sofrimento, a busca da conformidade que impede o encaminhamento do desejo no interior de cada um, interrompendo o fluxo evolutivo e gerando estagnação (intervalo/ponto zero).

Faz parte chegar ao intervalo/ponto zero. O que entristece é observar e conviver com tantos seres que ignoram tal momento quando ele surge. Dizem não ter tempo pra entender o que se passa ou mudar algo. “isso é coisa de gente desocupada”. Ai, ai, ai, Luna não crê que seja por aí.

Bom seria, pensa ela, se cada ser vivesse seu intervalo/ponto zero em sua plenitude e então percebesse que é hora de abandonar a zona de conforto/normose e enfim, ousar ,com coragem (agir com o coração), viver de vez de acordo com o que acredita.

Esqueça segurança. Desdobre seu próprio mito.

Quando começas a caminhar, o caminho aparece.

Fernanda Nicz

*Fernanda Nicz é curitibana, tem 40 anos, estudou cinema e jornalismo. Morou em São Paulo, no Rio de Janeiro, Londres e Carolina do Norte. No ano passado, criou o projeto Minideias(https://fernandanicz.wordpress.com )e viveu em Portugal e Itália percorrendo ecovilas e fazendas agrícolas em busca da simplicidade, natureza e minimalismo. Este ano, viveu um tempo na ecovila Tribodar e agora segue na Europa, dando continuidade ao Minideias.

Um Comentário

  1. Que sensacional!!!! Estou com a Luna!!!

Deixe uma resposta

Por uma vida mais consciente

Você quer receber as novidades e promoções do Nowmastê no seu e-mail?