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Deixar ir

Deixar ir

Ana Paula Bet

Por Ana Paula Bet*

“Reconhecia no apego, o conforto e era incômodo
deixar ir, pois deixar ir me parecia perder, ser fraca ou “não dar mais valor”.

Tinha apego por exemplo a algumas roupas que já não usava e a objetos ou aparelhos que já nem funcionavam, mas ainda eram muito simbólicos para mim. Tralhas e mais tralhas juntando poeira e ocupando espaço sem motivo. Eram só passado, mas eu guardava.

Afora o que é material, eu tinha apego ao imaterial, como por exemplo apego nas relações. Apego a algumas inclusive viciadas, superficiais e até ofensivas, mas eu guardava. Me submetia pelo hábito criado, pela longa duração, pelo falso senso de valor. Repetitivas e sem sentido construtivo, mas eu não as deixava, eu as mantinha. Apegada e apegada.

No trabalho, na hora de me alimentar, de me arrumar, de dormir…de sentir! Eu me via apegada a tudo! Eu até permitia o novo entrar, porém nem sempre ele tinha lugar, pois eu não deixava o velho ir, de forma equivalente ou suficiente.

“Eu não entendia que em alguns casos não eu não era
mais forte, só mais pesada. Eu não entendia que
era esforço inútil tentar carregar sempre mais.

Apego demais diz “eu amo o passado e tenho medo do futuro”, tenho mais claro isso hoje. Guardar e reutilizar é válido, mas também não é só. É válido renovar: coisas, histórias, lembranças e pessoas. Dá medo deixar ir, mas também dá coragem, cria espaço, gera equilíbrio. Aparenta vazio, mas na verdade areja. Parece perda ou fraqueza, mas na verdade é troca, melhoria ou aprendizado. E se saudade é mato, apare ela e tudo bem.

Deixar ir seleciona o bem o necessário para o agora,
o presente. Perceba a força do ganho de estar leve.

 

 

*Ana Paula Bet é fascinada por observar e absorver. Escrever é uma paixão desde jovem, a qual hoje está canalizando para compartilhar mais.

Nômade digital, está hoje Designer Gráfico e Comunicadora Digital no APBet Design, Social Media em Startup de Homefit e membro idealizadora do Blog Ser e Só. Gosta de bom humor, natureza, empatia, atitude, praia, livros, fotos, músicas, cozinhar, comer, amar e rezar.

Se encanta com ideias construtivas e conexões inusitadas, mas se encanta ainda mais com as infinitas possibilidades da vida, como aquela de a cada dia podermos nos tornar um pouco mais quem realmente somos.

E-mail: [email protected]

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