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De quem é a culpa pela maçã?

De quem é a culpa pela maçã?

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Via Gemini Astrologia

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Quando Eva comeu a maçã e perdemos o Paraíso, tal não se deu por que Deus assim o desejou, mas por que o livre arbítrio do homem, guiado pela eterna ganância daquilo que não lhe pertence, a fez tomar uma decisão egoísta e o resto foi consequência de uma má decisão.

Trata-se de um simbolismo que pretende evidenciar que, na condição humana, somos plenamente livres para tomarmos qualquer decisão, mas eternamente escravos de suas consequências. Ainda, decisões egoístas são capazes de nos trazer uma satisfação momentânea (lembre-se que a maçã acaba logo após a última mordida), mas suas consequências negativas afetam não apenas nós mesmos, mas todos a nossa volta (ou você vive no Paraíso?).

Como se sabe, o homem não é uma ilha, mas um ser social, de modo que inexiste sequer uma decisão sua que não seja capaz de afetar, também, as pessoas à sua volta.

Ressalto que optei por iniciar o texto com o primeiro episódio da criação (sob a ótica religiosa), porque entendo que a interpretação que demos a esse episódio mostra muito mais nossa própria natureza do que a divina. Em nenhum momento Deus intervém na decisão de Eva, mas, por decisão nossa, optamos por acreditar que tudo foi porque assim desejou o Criador. Creio que não.

Me parece que havia uma lei natural de que, se comida a maçã, haveria a perda do Paraíso, cabendo à humanidade decidir se preferia se conformar com sua posição de vulnerabilidade ou se desejaria deixar-se levar por seu ímpeto de querer sempre mais do que lhe cabe e, por consequência e não castigo, perder o Paraíso.

No entanto, preferimos colocar a responsabilidade for de nós.

E em quantos episódios do seu dia a dia você não observa pessoas arcando com as consequências de suas decisões, mas culpando alguém ou algum fator externo for isso? Chegamos no limite de culpar Deus por nossos atos. Nenhuma criança na Terra passa fome porque Deus quer ou é injusto, mas porque criamos um mecanismo de vida que aceita essa fome, enquanto engordamos e jogamos nossa saúde no lixo comendo mais do que nos cabe comer, comprando mais do que precisamos ter, etc. E, caso o leitor esteja se perguntando, já adianto, sim, me incluo nessa lista, não sou perfeita.

Culpamos até mesmo o Criador que apenas disse amai uns aos outros como a si mesmos; que nos ensinou o perdão, a tolerância, o amor, enfim, o caminho para a felicidade. Chegamos ao cúmulo de culpar justo o nosso maior Pai pelas consequências de nossas más decisões.

Usamos o dom do livre arbítrio (leia-se da liberdade natural que nos foi dada) como se fosse um castigo, esquivando-nos das responsabilidades que nos cabem, nos fazendo de vítima da vida e das situações e acreditando que fomos castigados ou injustiçados. Mas, como as coisas chegaram a tanta injustiça?

Isso me faz lembrar da importância da denominada justiça restaurativa, que nos ensina 5 passos (perguntas) que devemos nos fazer diante dos conflitos da vida:

O que aconteceu do seu ponto de vista?
O que você estava pensando naquele momento? Como estava se sentindo?
Quem mais foi afetado e como?
O que você precisa para seguir adiante e se sentir melhor?
O que precisa acontecer agora para reparar o dano / colocar as coisas em ordem? O que VOCÊ poderia fazer?

Esse passo a passo coloca o dom do livre arbítrio a nosso favor, centrando-nos como protagonistas de nossas próprias vidas e retirando-nos da prisão da vítima, que vira escrava de sua inércia, acreditando ilusoriamente que a culpa está sempre do lado de fora. É preciso que nos perguntemos como as coisas chegaram onde estão e de que forma contribuímos para isso, ainda que tenha sido por omissão e não por ação. É preciso parar de remoer e culpar para que se possa agir e superar.

Vivemos na dimensão do tempo que apenas caminha para frente, o que é um bom indicativo de que direção devemos tomar a cada momento: para frente. O tempo e a vida não param e não voltam. Você está inserido neles, então, por que você fica remoendo, culpando, alimentando o passado e ficando inerte no presente? É preciso agir para seguir em frente, rumo ao crescimento interno e externo, rumo à vida que tem como destino final a morte, é verdade. Mas até lá devemos viver e não remoer como quem gira em vão tal qual um carro atolado.

Em termos mais lúdicos: como você se deixou ser tão ofendido por seu chefe por tanto tempo? Como você se afastou de seu filho? Como deixou que uma discussão com seu amigo virasse um conflito sério? Etc, etc, etc. Será mesmo que a culpa é sempre e exclusivamente externa? Será que não haveria nada que poderíamos ter feito de diferente para cessar o conflito antes ou mesmo impedi-lo? Quantas vezes brigamos e nos damos mal por querermos sempre mostrar que temos razão ao invés de sermos mais cordatos e seguirmos felizes?

Quantos “não” deixaram de ser ditos, levando a uma situação de violência contra nós mais séria? Será que se tivéssemos batido o martelo na mesa na primeira ofensa as coisas teriam chegado tão longe?

Porque, sejamos sinceros, de que adiante ser a vítima infeliz da vida? Me conta que tipo de benefício isso lhe traz, a não ser colocar o seu destino na mão dos outros e jogar o seu livre arbítrio e a liberdade que Deus lhe deu no lixo?

Agora, sair do papel da vítima e resolver os conflitos ativamente, assumindo, inclusive, interna e sinceramente, a sua parte da responsabilidade pelo rumo das coisas requer responsabilidade e sinceridade consigo mesmo. Viver requer responsabilidade. E, meus caros: inexiste liberdade sem responsabilidade. São irmãs siamesas.

Por sua vez, sem essa responsabilidade e sinceridade consigo mesmo inexiste amor próprio e, por consequência, inexiste tolerância/amor em relação ao outro. Lembre-se da lição: amais o próximo COMO a si mesmo (i.e., do mesmo modo). Logo, por lógica primária, se você não consegue lidar com os seus defeitos e fracassos, tampouco conseguirá lidar com os defeitos e fracassos alheios e a consequência é o conflito e a culpabilização externa.

Não, meus caros, o Criador, seu Pai, não deseja que você viva preso em seu ódio, sua raiva, sua intolerância, seu desamor, sua inveja, sua ganância, seu egoísmo e seja um servo da infelicidade e habite a casa do conflito; como todo bom pai, ele deseja te ver feliz, em paz e nos braços do amor, mas ele não é você e não pode fazer nada em seu lugar. Pode sim, te ajudar nos momentos de crise, te dar forças, mas você é o único responsável pelo que faz.

Do mesmo modo as estrelas / a Astrologia não determinam a sua vida, lhe mostram os caminhos e suas consequências, cabendo a você decidir se come a maçã ou todas as outras frutas possíveis.

Boa semana.

Mia Vilela
*Mia Vilela é advogada e astróloga e está por detrás do site Gemini Astrologia -Astrologia como Ferramenta para o Autoconhecimento.

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