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COP 21 – o que é isso?

COP 21 – o que é isso?

Nowmastê

Por Renata Piazzon*

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Confesso que tem me causado um certo espanto quando alguns amigos me perguntam: COP o que? COP 21? O que é isso? Eu entendo que atuo nessa área e que ninguém precisa ser engajado ou levantar a bandeira do verdinho ou sustentável, mas sem dúvida há um distanciamento entre a urgência e a relevância do tema das mudanças climáticas e a sua comunicação à sociedade. Para facilitar, deixo aqui uma pequena contribuição com as respostas a algumas perguntas que me fizeram e também um convite aos comunicadores para que possam transmitir o tema a um maior número de pessoas de forma mais leve e, porque não dizer, sexy:

Você quis dizer Copa?

Sério mesmo? Rs. Não. E a COP não acontece a cada 4 anos, mas sim anualmente e desde 1995. A Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima foi criada na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco 92) no Rio de Janeiro, e é a oportunidade em que os países membros revisam o seu comprometimento com a redução das emissões de gases de efeito estufa e o combate ao aquecimento global.

O que é a COP-21?

É a 21ª Conferência do Clima que ocorrerá em Paris de 30.11 a 11.12 e reunirá líderes mundiais e representantes de 195 países com um objetivo um tanto quanto relevante à nossa sociedade, ao mundo e às futuras gerações: chegar ao maior acordo climático do mundo, legalmente vinculante e universal, e que limite o aquecimento global a, no máximo, 2ºC. Além do acordo a ser firmado, espera-se que os líderes encontrem modos de mobilização de recursos financeiros para o enfrentamento às mudanças climáticas e saiam com um cronograma para que as metas possam ser atingidas.

E de onde surgiram os 2ºC?

O limite de 2 graus é considerado pelos cientistas como o limite aceitável para manter a estabilidade de funcionamento do planeta. Se ultrapassados os 2 graus que o Protocolo de Paris pretende mitigar, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais indicam consequências como extinção de espécies da fauna e da flora, alteração na frequência e intensidade das chuvas, elevação do nível do mar e intensificação dos fenômenos meteorológicos extremos, como tempestades e secas prolongadas, derretimento dos polos e aumento do nível dos oceanos.

E como se chega a um acordo final?

É preciso aprovação unânime de todos os países, desenvolvidos e em desenvolvimento, para que o acordo se torne oficial e vinculante. Os principais temas discutidos serão: ações para a redução de emissão de gases de efeito estufa, adaptação às mudanças climáticas e financiamento para que as ações aconteçam.

Qual a meta brasileira?

O Brasil apresentou a sua Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (INDC) e tem como meta a redução das emissões em 37% abaixo dos níveis de 2005 em 2025 e em 43% em 2030, o que representa um importante passo à uma sociedade e economia de baixo carbono e capaz de combater as mudanças climáticas. Até agora, foram apresentadas 119 metas. Se somadas, as propostas representam 86% das emissões de carbono do mundo. 

Ok, mas o que eu tenho a ver com isso?

Acompanhar, se informar, pressionar e cobrar a assinatura de um acordo global que mantenha o aquecimento global abaixo do limite de 2ºC é combater a desertificação, o estresse hídrico, a extinção de espécies, as inundações, a acidificação dos oceanos, os eventos hidrometeorológicos cada vez mais violentos. E é também olhar para o nosso consumo e para o impacto socioambiental de nossas atitudes e escolhas cotidianas. Que tal nos desafiarmos a sermos consumidores mais conscientes?

Você está otimista?

Sim. A boa nova é que é possível sustentar o crescimento econômico/social – E (e não mais OU!) – reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Tem muita gente trabalhando para criar um mundo melhor. Não só para si, por uma ideologia religiosa ou política, mas para toda a humanidade. E os esforços são para que o acordo a ser firmado na COP vá ao encontro do desenvolvimento de uma nova economia, em transição e de baixo carbono.

E afinal, o que você vai fazer lá?

Participarei da COP-21 como integrante da Delegação Brasileira da Divisão de Clima, Ozônio e Segurança Química do Ministério das Relações Exteriores e da Agenda Climática do Estado de São Paulo, em evento em que será assinado o Protocolo de Boas Práticas Socioambientais para o Setor Financeiro atuante no Estado de São Paulo.

Renata Soares Piazzon: "Seja a mudança que você quer ver no mundo.", Gandhi

*Renata é advogada ambiental e apaixonada! Pela vida, por meio ambiente e por pessoas que mudam o mundo. Suas ideias estão no Nowmastê e no blog Caminho Verde.

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