Conto de fadas no mundo real

Por Juliana Marinho*

Quando eu casei tinha pavor de padre. Me sentia desconfortável com tudo que vinha da religião católica, a base da minha família e cultura. Achava os discursos hipócritas, umas teorias que não batiam com a prática, algo mais para cumprir tabela do que de fato algo genuíno. Só o juiz de paz também me soava muito técnico, pragmático. Queria que alguém falasse algo além, algo que representasse o amor que estávamos sentindo, o profundo daquele momento, sem frases feitas ou lições de moral e bons costumes.

Daí tive a ideia de chamar a minha irmã, um ser muito espiritualizado, culto e amoroso, para dizer algumas palavras junto com um amigo do meu marido. O conto de fadas do casamento, aquele idealizado por muitos, saiu do papel, virou realidade. Eu e as pessoas que eu amava participávamos daquilo. Com um ar carinhoso, pessoal e sincero, os dois passaram pela história da nossa relação, pelo significado daquele momento e por frases e conceitos lindos de grandes religiões e gurus que já ousaram descrever o tal do amor. Ali, diante de todos, senti a nossa união verdadeiramente abençoada e a validade emocional e espiritual daquele momento importou muito mais do que qualquer validade jurídica ou religiosa. Aquilo era a nossa pura expressão, o nosso jeito plasmado na cerimônia.

A partir daquele momento, percebi que posso colocar minha verdade em tudo o que eu faço, inclusive em rituais que mais parecem cumpridores de etapas e mecânicos, como muitos casamentos hoje em dia são. Por vezes, nesse tipo de festa, as pessoas procuram mais ostentar com artefatos materiais, roupas, comidas, serviços de “primeira linha”, “inovadores” e deixam de lado o que é de fato real: o amor, o toque, a reflexão sobre a união daqueles dois seres, a emoção daquele encontro, a razão pela qual estão todos reunidos ali em tamanha celebração. O resgate do básico. E aí lembro de uma frase que li em algum lugar: ”Quando nada mais restar, só o amor, então teremos tudo”.

Casamento é vida, é a celebração do amor em cada um de nós, não deveria ser um ritual mecânico e de ostentação.
Casamento é vida, é a celebração do amor em cada um de nós, não deveria ser um ritual mecânico e de ostentação.

Muitos anos se passaram e hoje minha irmã combina as atividades de terapeuta e psicóloga com a de celebrante de casamentos, e leva até os casais essa palavra de união verdadeira, produto real de conversas e da interação com os protagonistas da celebração. Quem quiser conhecer mais sobre esse trabalho de amor e com amor, acesse o site www.celebrandoencontros.com

Juliana Marinho

Meu nome é Juliana Marinho Pires. Sou jornalista e publicitária formada pela UnB, já morei na Alemanha, Espanha e Chile estudando e trabalhando. Por aqui já fui, entre outras coisas, diretora e produtora de documentários, professora universitária, assessora de comunicação, tradutora e até atriz. Viajante e curiosa compulsiva, me empreendi recentemente em um período sabático pela Ásia e África. Ao voltar, mergulhei de cabeça no universo da espiritualidade e atualmente também sou leitora de aura, pratico tantra yoga e bioenergética, além de experimentar nos campos do xamanismo, do sagrado feminino e visitar comunidades de diferentes grupos e filosofias de vida.

No momento estou em Fernando de Noronha!! Estou trabalhando aqui em um programa por 3 meses no Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICM Bio),

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