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Constelação Familiar – Conexões para o amor possível

Constelação Familiar – Conexões para o amor possível

Nowmastê

Logo após terminar o magistério, e ainda muito jovem, Maria Emília Macedo de Oliveira foi trabalhar com educação de adultos pelo método Paulo Freire. Ali, começou a entender a importância de ser um agente transformador e contribuir para um mundo melhor. Após terminar o curso de sociologia, continuou na Educação e, se por um lado considerava que exercia seu papel, por outro sentia a necessidade de ver as pessoas mais de perto. Foi então que decidiu fazer uma especialização em Psicologia Transpessoal e em outras terapias holísticas com o objetivo maior de ajudar as pessoas na sua transformação. Mas esse seria apenas o começa de sua jornada pelos caminhos do inconsciente.

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Maria Emília esteve por diversas vezes com Bert Hellinger e aprendeu, direto da fonte, as sutilezas da Constelação Familiar

Constelação como guia

Em 2000, a partir de um seminário feito pelo teólogo e filósofo alemão Bert Hellinger e da leitura de um livro de sua autoria – A simetria oculta do amor – Maria Emília interessou-se por todas as possibilidades da abordagem terapêutica chamada Constelação Familiar e a forma como ela permitia o acesso ao inconsciente de uma forma direta. Ficou no aguardo de uma formação profissional, o que aconteceu pouco tempo depois, em São Paulo.

Ao todo foram dois anos e meio de curso sendo que, no espaço de tempo entre os módulos, os participantes se reuniam para leituras, grupos de estudos e para a troca de experiências.

Bert Hellinger - Constelacao Familiar - Rene Schubert
Bert Hellinger, idealizador da Constelação Familiar
foto – Rene Schubert

Mas o que exatamente é a Constelação Familiar e quais são os seus princípios?

Em síntese, a Constelação Familiar traz para a pessoa que a utiliza novas percepções, um novo olhar sobre a sua vida a partir do qual o amor pode dar certo.

Em primeiro lugar, é preciso considerar uma visão sistêmica. Ou seja, nessa abordagem uma pessoa nunca será vista isoladamente uma vez que ela é parte de uma totalidade, mais especificamente do sistema familiar ao qual  pertence. “Assim como o corpo é um sistema onde tudo interage e qualquer pedaço machucado tem repercussão em todo o resto, o mesmo acontece com um sistema familiar. Quando um membro é retirado, esse corpo tem de se adaptar ou se adequar. Da mesma forma, quando um membro da família é excluído por esse ou aquele motivo, todo aquele sistema sofre. E só vai haver equilíbrio quando essa parte for novamente reconhecida e honrada”, explica a terapeuta.

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No trabalho da Constelação, a abordagem inclui tanto o indivíduo como o sistema familiar ao qual pertence.

Vale observar que, segundo a técnica de Bert Hellinger, muitas vezes somos influenciados no presente por fatos do passado, mesmo que não saibamos nada sobre eles ou sobre as pessoas de nossa família que estavam envolvidas com tais fatos. Isso porque existe uma consciência comum, de grupo, por onde essas informações são passadas . Pela observação – uma das principais ferramentas usadas por Hellinger e seus discípulos ao longo dos anos-, é possível dizer que as pessoas sofrem, no momento presente, a influência de até sete gerações pregressas. “Se em uma geração algo não ficou resolvido, aquilo é passado para a outra e assim por diante”, explica Maria Emília, que considera a técnica muito oportuna para o tempo em que vivemos por ser focada nas soluções efetivas e, de certa forma, rápidas. “A Constelação nos ajuda a reconhecer elementos com os quais estamos identificados e não conseguimos ver, mesmo depois de muito tempo de terapia. Ela tira os véus pois é um trabalho feito na dimensão do inconsciente com o objetivo de trazer a paz para as nossas relações. É um grande auxiliar no processo de terapia e torna visível a dinâmica oculta dos sistemas familiares”, diz ela.

O campo energético

É pouco provável que alguém entenda de fato o funcionamento da Constelação sem participar de uma vivência na prática, mas, em linhas gerais, é pela sintonia dos participantes com a frequência energética de pessoas, fatos e circunstâncias que estão sendo representados que as informações vêm à tona. Esse “campo” mostra com o que ou com quem a questão que determinada pessoa está apresentando está identificada. O campo reflete todo o fluxo de informação e guia os movimentos da Constelação Familiar. A partir daí, há um caminho para que a força de equilíbrio do sistema possa trazer uma solução.

“A Constelação Familiar é uma abordagem guiada por uma atitude de amor. Um amor que inclui a todos, que reconhece, honra e traz de volta a dignidade de vivos e mortos”, explica a facilitadora do processo.

Geralmente, quem traz a questão para ser constelada fica na posição de observador. E os participantes se disponibilizam para serem representantes do campo vibratório daquela pessoa e de outras pessoas de sua família, ou ainda de um fato, um padrão, um sentimento. A partir daí o que quer que esses representantes sintam faz parte daquele campo  específico. O ideal é que tudo aconteça sem a participação de crítica, julgamento, interpretação, análise. Ou seja, sem participação do mental.

Inclusive, segundo Maria Emília, a constelação pode ser sem palavras e funciona ainda melhor se os participantes não sabem quem estão representando. “O trabalho é a partir de um fluxo de amor”, afirma ela.

Princípios que norteiam

Os fenômenos que acontecem durante o trabalho da Constelação são interessantes e curiosos. Mesmo os mais céticos sentem a energia de representar um campo vibratório e relatam as sensações que vêm ao seu corpo e as imagens que se formam na mente de forma mais intuitiva do que racional.  No entanto, a terapeuta Maria Emília, que já esteve com Bert Hellinger por várias vezes e trabalha com a Constelação Familiar há 10 anos, afirma que tão importantes quanto os fenômenos presenciados nos encontros, são os princípios que norteiam o trabalho da Constelação , também chamados de Ordens do Amor .

Vamos conhecê-los mais de perto:

1 – Pertencimento – todos têm direito a pertencer ao sistema – um conceito bem amplo que mostra a importância dos vínculos e os impactos de uma exclusão, que pode acontecer de várias formas. O indivíduo que é considerado uma vergonha para a família, o suicida, aquele que abandonou o lar, o alcoólatra, o doente físico ou mental. “Na maioria dos casos, a exclusão é moral e a ressonância desse fato e o desequilíbrio que ele causa muitas vezes são subvalorizados”, explica Maria Emília.

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Nenhum membro da família deve ser ignorado

2 – Principio da hierarquia ou da ordem –  Ou seja, existe uma ordem que harmoniza, que facilita o fluxo do amor dentro do sistema. Aqueles que vêm primeiro devem ser reconhecidos, honrados e respeitados por quem vem depois. Um filho que quer tomar o lugar dos pais, se sentindo maior do que eles, desequilibra o sistema e perde o seu lugar. “Uma coisa é cuidar como filho, ou participar como filho, outra é querer estar acima dos pais.  Eles podem estar até impossibilitados, mas ainda são maiores e devem ser respeitados.  Outro exemplo é o irmão caçula que quer ser maior que o irmão mais velho e determinar coisas para a família. Ele desequilibra aquele sistema. No caso dos parceiros, quando há mais de um casamento, é importante que o parceiro atual  reconheça os anteriores. Porque se optar em negá-los, ele nega o que aquele parceiro viveu e aprendeu em suas outras experiências”, diz a especialista.

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Os que vieram antes tem sua primazia hierárquica. Isso inclui pais, irmãos e companheiros.

3 – O equilíbrio entre o dar e o receber –  O indivíduo deve entender a importância de deixar que as outras pessoas possam retribuir o que ele dá para que ninguém se torne um devedor seu. Se o outro não tem como retribuir, ele se sobrecarrega. “Dentro das relações dá para ver na prática o quanto isso desequilibra. Por exemplo, pode acontecer que um marido tenha proporcionado à esposa a faculdade, todos os estágios, e quando ela se forma, também se separa. A dívida ficou de um tamanho que não dava para aguentar.”

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Dar e receber. Um aprendizado segundo a Constelação.

E como sair dessa armadilha? “O equilíbrio entre o dar e o receber acontece por meio da gratidão. Você não integra nada que recebeu sem ela. Portanto, ao reconhecer e agradecer o que está recebendo, você pode dar muito mais para o outro”.

Ela afirma ainda que, durante a dinâmica da Constelação, há também “palavras mágicas” que facilitam o processo e fazem com que os bloqueios e travas “derretam”.

São elas:

Por favor – (me aceite como sou)

Sim – (eu te aceito como você é)

Obrigado (sinto gratidão)

Parecem simples, não é?  Pois essas e outras ferramentas no trabalho desenvolvido por Bert Hellinger merecem ser conhecidas e utilizadas como recurso de transformação e auto-conhecimento. “Hellinger é um grande mestre,  um estudioso que fez uma síntese de conhecimentos e experiências que poderiam ser capazes de recuperar a nossa conexão com a totalidade e os ofereceu para o mundo. Não é por acaso que, em 2011, ele foi indicado para o prêmio Nobel da paz.

Considerando a paz como a união de tudo que está separado, faz todo o sentido”, finaliza Maria Emília.

Informações sobre vivências:

11 38712497

[email protected]

 

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*Maria Emília Macedo de Oliveira é formada em sociologia e atua como terapeuta Holística desde 1989. Tem formação em Terapia Corporal,  Terapia Floral, Renascimento, Psicologia Transpessoal, Dinâmica Energética do Psiquismo, e como Helper do Pathwork. É terapeuta certificada em Constelações Familiares desde 2004, e pela Hellinger Sciencia desde 2010. É coordenadora e supervisora de grupos de formação de Constelação Familiar.

Veja comentários (2)
  • O trabalho da Maria Emilia é de uma profundidade muito sutil e de uma sutileza tão profunda capaz de nos ajudar a acessar lugares inimagináveis de nosso ser e acender luz em nossas conexões ancestrais, impregnando de amor essas ligações e tornando claras as águas desse infinito universo que é o inconsciente. AS TRANSFORMAÇõES SÃO VIVENCIADAS. O CORPO E A VIDA SÃO TESTEMUNHAS E PROVAS! Gratidão, Maria Emilia e Leticia! Parabéns por sua busca e trabalho!

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