Consciência do Corpo – onde tudo acontece

Por Renílson Durães

Consciência Corporal - Yoga

É fácil entender que a prática do Yoga é realmente o exercício mais genuíno de consciência corporal. Yoga é união. Unir, juntar, atrelar, ou seja, união no sentido mais profundo da palavra: a busca ou retorno à essência do ser. Na verdade, o maior desenvolvimento é o da consciência, que deveria sustentar a existência.

O estado de inconsciência é constante, automático, repetitivo, monótono, controlado externamente – “é assim mesmo, não quero olhar isso, deixe estar, vamos todos por aqui”. Por outro lado, Consciência Corporal é um estado de conhecimento e percepção das dimensões, recursos e diversas possibilidades, mas também das limitações de um corpo finito. A consciência me dá a condição de entender que existe o eu (e a forma do eu – o corpo) diante de uma circunstância, que posso escolher mudar, interferir, insurgir. Perceber a situação pode incomodar, perturbar a rotina, abalar a estrutura, e até formatar o caráter. E ainda permite saber o que precisa ser arranjado, o que é possível fazer ou ser de outro jeito, e impulsionar uma decisão.

Os orientais têm uma cultura que sempre enfatizou a importância da consciência do homem de forma integral: mente, corpo e realidade cósmica. A relação do homem com seu corpo é comumente pensada e utilizada na medicina, na meditação, artes marciais, Yoga e diversas outras técnicas. Mas também no Ocidente temos referências fantásticas de práticas energéticas no mesmo sentido de união, interação ou reintegração corpo-mente. Podemos citar as técnicas de Wilhelm Reich, a bioenergética de Alexander Lowen, a biodança de Rolando Toro ou a antiginástica de Therese Bertherat. E tantos outros. No Brasil, o Roberto Freire abordando a somaterapia e o grande psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, com o trabalho corporal em psicoterapia são contribuições imprescindíveis para o assunto.

Ultimamente, muito se tem estudado e falado sobre o estreitamento real e necessário entre pensamento, ação e corpo, fazendo emergir novos paradigmas, capazes de unir e valorizar a experiência corporal humana com o modelo de ciência racional, dando-nos a impressão que razão e emoção, corpo e mente, são partes de uma mesma realidade.

A própria consciência política deveria passar pela consciência corporal. Imagine que um corpo oprimido, reprimido e que sofreu abusos, desenvolveu padrões que têm por convenção a opressão e cuja principal memória é a carga da tirania ou exploração. Nesse caso, pode ter forte tendência a também oprimir e corromper, assim que ele tiver oportunidade.

O corpo é uma unidade indivisível, uma encruzilhada onde tudo acontece, as sensações, posições e movimentos. É, no dizer Gaiarsa, um lugar de divertimentos, um jardim de delícias, ou um lugar de peregrinações. Depende das escolhas que fazemos, e não do que sabemos no domínio do racional. Saber o que prejudica o corpo não significa que vamos protegê-lo, dar-lhes os melhores nutrientes ou colocá-lo para descansar.

A consciência dos movimentos executados com atenção, qualidade e em progressão estimulam a força, a flexibilidade e o posicionamento no espaço, com equilíbrio e precisão. A flexibilidade dá vida e liberdade aos movimentos. E movimentos mais espaçosos e harmônicos também ampliam os sentimentos e a inteligência. Um corpo em sofrimento dificulta o raciocínio lógico, a aprendizagem. Quando se respeita a individualidade, as limitações e tendências é possível perceber se as posições e movimentos estão organizados, ou se estão causando algum dano, produzindo desconforto e sofrimento.

O corpo é a assento da mente, seu espaço de articulação no mundo, no qual a alma se realiza. Através dele é possível expressar a criatividade, o amor e o encanto de estar vivo. O corpo vive as sensações do que lhe proporciona prazer, beleza e alegria; vive as impressões de ter coisas, ir a lugares, jogar, brincar, relacionar com as pessoas.

E pelas experiências, o sujeito vai conhecendo as reações do corpo e compreendendo sua linguagem. “O corpo tem suas razões”, por isso ele fala, chora, grita, trava, constrói nódulos, células estranhas, dói, e se entrega. Eu diria mais, o corpo tem sempre razão.

renilson*Renilson é graduado em Filosofia, Professor de Yoga, Coach Mentor ISOR pelo Instituto Holos e Practitioner em PNL, Terapeuta Corporal Sistêmico, Palestrante Interativo, Consultor nas áreas de terapias corporais e Yoga.

Ministra aulas de Yoga e terapias (workshop, terapia corporal sistêmica ou complementar e palestras) para grupos ou personal, acolhendo um público de diferentes idades e circunstâncias, atuando em organizações públicas ou privadas.www.rdnucleo.com; [email protected].

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