Consciência da ancestralidade

Por Marcia Nascente*

No dois primeiros artigos sobre cultura de paz ( Caminhos para Sensibilidade e Conflitos ao redor do mundo – Qual a sua resposta?) eu abordei a responsabilidade social individual em benefício da paz já que o fenômeno do conflito é relacional.

Marcia Nascente O comportamento da humanidade na história nem sempre foi marcado pela cultura de guerra. Esta tônica violenta das últimas eras desde a antiguidade tem gerado competição desmedida e destruição de vidas e recursos naturais.

Os estudos arqueológicos mostraram que havia períodos de equilíbrio, no período antigo e pré-histórico, sem hierarquização de uns sobre os outros. Neste cenário, culturas se desenharam marcadas pela cooperação genuína da partilha do mesmo ambiente, espelhadas na condição da natureza.

A ancestralidade dos povos antigos aponta para momentos de harmonia entre o matriarcado e patriarcado que conviveram pacificamente. Em que momento ocorreu essa transformação que trouxe superioridade e diferenciação entre as comunidades humanas? É possível nos espelharmos nos ancestrais e na natureza até alcançarmos a condição de dignidade para todos.

Influências biológicas no humano

Conviver é um determinante neste planeta, conviver consigo mesmo e com o outro. A parte interfere no todo e esta é a magia da interdependência em que todos que dividem o planeta interagem, criam, transformam e se reproduzem. Foi assim a base biológica que nos constituiu há milhares de anos, muito antes da espécie humana surgir, a evolução foi possível graças à rede de interações e adaptações.

A palavra de ordem sempre foi a interdependência, calcada na cooperação entre os seres vivos e trocas de DNAs, que nos constituiu um dia como espécie. Sistemicamente havia o fenômeno da natureza e o pulsar como base para compreensão da ordem que gerou a beleza da vida.

A questão é: se a base biológica da ética se baseia na relação autopoiética (de produção e reprodução) como usar esse conhecimento para restaurar o ecossistema? O conceito é que o corpo também é um ecossistema que ajuda a manter nossa saúde, que são fatores e co-fatores interligados que juntos geram o equilíbrio. Tudo isso somado à necessidade de vivermos em um planeta mais sustentável e, assim, compreendermos a continuidade da força inexorável que é a vida.

Bem estar comum

Mesmo vivendo no mesmo ambiente entre trilhões de seres vivos ainda não nos conscientizamos bem que também somos parte da natureza. Um caminho para não violência inicia-se internamente ao enxergarmos que a natureza humana é igual a natureza e não tratar separadamente.

Se o respeito ao meio ambiente fosse contínuo partindo de dentro para fora, no cotidiano, na família, nas relações de trabalho, no bairro, na cidade, haveria mais equilíbrio. Muitas pessoas sofreram e ainda sofrem devido o preconceito e intolerância à diversidade de ideias, de gênero, raça ou credo. Essas questões evocam um sistema de dominação em que uns querem dominar os outros sem o direito de pertencimento que seria o natural.

Esse partilhar de espaço e temporalidade e direito de ir e vir deveriam ser igualmente divididos entre todos. Porém a falta dessa consciência mantém a crença de dominação em que imperam o egoísmo, a ganância e o desprezo carregados de injustiça social.

Essa constatação de que o humano ainda está em fase de construção e que não é um projeto acabado tem sido discutida por cientistas e humanistas de forma transdisciplinar. E a consciência ética sobre a biologia do conhecer, que nos constituiu como espécie e recriou o mundo, é uma quebra de paradigma para que as relações humanas continuem mantidas.

Sites e livros

www.palasathena.org.br

Ian Pearson http://www.youtube.com/watch?v=nNbxlxU64uA&sns=em

. A árvore do conhecimento – Humberto Maturana e Francisco Varella

. A nossa humanidade – Francis Woff

. O princípio da responsabilidade – Hans Jonas

. O mistério da consciência – Antonio Damásio

Marcia Nascente*Marcia Nascente
Sou formada em Jornalismo, cursei MBA em Marketing, além de cursos de extensão em Comunicação, Gestão de Marcas, Branding Cultura e Curadoria de projetos.

Após trabalhar 18 anos em empresas, abri minha assessoria há 4 anos – Nascente Branding & Comunicação – com foco em revitalização de marcas e comportamentos e como facilitadora em workshops em temas correlatos.

Integrar o curso de Cultura de Paz e Dinâmicas de Convivência há 8 meses foi um divisor de águas para mim, após ter realizado desde 2013 estudos em filosofia, o que é a consciência e bases biológicas da ética, todos na Palas Athena.

Acredito que o meu despertar para os temas transdisciplinares que norteiam a cultura de paz ocorreu há muito mais tempo, desde jovem, ao gostar de humanas, artes, fazer teatro, morar fora e, principalmente, vivenciar as relações no cotidiano.

Tive movimentos de querer experimentar algo mais holístico, participei de alguns retiros no sítio Mandala e de grupos de estudo, na prática da yoga, da espiritualidade e nas terapias para o autoconhecimento.

Por conta disso, abordarei o tema a convite do Portal Nowmastê para refletir por que cultura de paz significa ação em busca do bem comum.

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