A conquista da mente serena

Por Jorge Carrano*

Photo by Natalia Figueredo on Unsplash.

Estamos acostumados a fazer muitas coisas e isso em princípio “seria” bom. “Seria” porque esquecemos que é preciso também descansar. O ritmo incessante da comunicação instantânea, o aumento da carga de trabalho, as preocupações com a economia, o medo da violência, tudo nos faz manter nossa mente em um intenso estado de alerta.

Embora comum, a expressão “o cérebro é um computador” é obviamente um equívoco. Até porque, seu computador, celular ou tablet é desligado de vez em quando e fica quietinho. Nosso cérebro tem seus ritmos e suas necessidades, como qualquer outra parte do corpo. Entre essas necessidades está a de descanso. Com frequência, uma noite de sono não é suficiente, e é comum as pessoas acordarem com o corpo parcialmente descansado, mas a mente esgotada. E a partir daí já começam um dia que vai acabar sendo exaustivo, pois já começou sem a quantidade de energia necessária.

O excesso de trabalho e preocupações aliado à falta de repouso são a combinação perfeita para você ter um esgotamento nervoso, na melhor hipótese.  Uma das coisas que a prática de Yoga e Meditação nos ensinam é a observar nossas emoções, sentimentos e reações.

Vivemos apenas “reagindo” aos estímulos externos, ao invés de agirmos baseados numa interpretação mais lúcida das situações. Então, quando uma pessoa buzina para você no trânsito, você imediatamente reage, buzina de volta, xinga ou tenta ultrapassar. Pura reação, zero lucidez.

Outro aspecto muito enfatizado é a necessidade de aprendermos a viver no momento presente. Por um motivo bem simples: é o único que existe. O futuro só vai existir quando se tornar presente. O passado, que já foi presente um dia, não existe mais. Apesar de parecer óbvio – e é mesmo – é incrível como as pessoas vivem quase todo o tempo no futuro. O resultado disso é preocupação, ansiedade e medo, que acabam se manifestando em tantas enfermidades do corpo e da mente. Daí o aumento enorme dos casos de síndrome do pânico, depressão e outras questões que acabam levando muitas pessoas a tomarem medicamentos cujos efeitos danosos ao organismo só agora começam a ser conhecidos.

Na prática de Yoga e Meditação procuramos trazer nossa mente para o momento presente. Aprendemos a colocar nossa atenção concentrada num único objeto, como a nossa respiração, por exemplo. Com isso, a mente “descansa” do vai-e-vem a que está acostumada.

Mais importante ainda é que a prática nos permite perceber quem somos de fato. No corre e corre da rotina, é comum nos identificamos com os papéis que desempenhamos. Somos como atores numa peça, mas ao invés de nos percebermos ator, confundimo-nos com o personagem, com toda sua carga de sofrimentos, ilusões e problemas. Ao praticarmos a Meditação, percebemos que não somos aqueles personagens, que aqueles papéis irão passar e que devemos nos manter na posição do ator, aquele que está por trás dos papéis.

Claro que nenhuma dessas mudanças é instantânea. As verdadeiras mudanças na nossa vida são conquistadas quando nós assumimos o controle da nossa história. Quando queremos, de fato, que as coisas mudem. É uma jornada muitas vezes difícil, mas a paz interior e a capacidade de lidar melhor com os desafios da vida é uma conquista que vale o esforço. Boa prática!

*Jorge Carrano é idealizador e coordenador do espaço de Yoga e Meditação Dharma Bhūmi, em Niterói. Publicitário e praticante de Yoga desde 1993, fez sua primeira formação no Studio Saraswati de Yoga e Vedānta. Formado também pelo IEPY (Instituto de Estudos e Pesquisas em Yoga – SP) e certificado pela Escola de Kaivalyadhama (Índia). Ministra cursos, palestras e atua como facilitador de grupos de estudo.

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