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Conhecendo nossa sombra para re-integrar o nosso ser

Conhecendo nossa sombra para re-integrar o nosso ser

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Por Gabi Picciotto*

Vivemos em um mundo que tende a dar um foco em performance, melhorias, sucesso. E isso muitas vezes nos faz querer esconder de nós mesmos e do mundo tudo que julgamos ter de imperfeito.

Se torna quase que vergonhoso para nós aceitar certos aspectos do nosso ser e então criamos um embate, uma negação destes aspectos. E é ai que entra a tão falada sombra.

A sombra diz respeito ao “lado escuro da psique”, a todos aqueles aspectos de nós que desprezamos, rejeitamos, negamos, escondemos de nós mesmos, projetamos nos outros ou não reconhecemos de uma maneira ou de outra.

Fomos condicionados a temer o lado escuro da vida, assim como o nosso. Mas, apesar de ignorar ou reprimir esse lado sombrio seja norma, correr da sombra irá apenas intensificar seu poder.

Se falharmos em assumir a responsabilidade de extrair a sabedoria que esta oculta no fundo de nossa consciência, a “escuridão” acaba nos controlando e provoca o efeito sombra. Isto é, a nossa sombra passa a se expressar através de meios distorcidos e pouco saudáveis.

Dai vem a ideia de fazer um trabalho com a nossa sombra cujo o propósito é desfazer essa repressão e reintegrar a sombra.

Ou seja, esse trabalho envolve aprender abraçar e aceitar o nosso lado obscuro, afinal ele também faz parte de nós e se queremos ser seres integrados, precisamos aprender a amá-lo!

Necessitamos começar por mudar nossa crença de que ter um lado sombrio é possuir uma falha. Pelo contrário, ele é algo natural nosso, para sermos plenos, precisamos integrar a nossa sombra.

A psicoterapia e o trabalho com a sombra estão entre as mais importantes contribuição do ocidente moderno para a prática transformativa. Embora tenham uma profunda compreensão do desenvolvimento espiritual, as antigas tradições espirituais não abordam adequadamente a sombra psicodinâmica.

Na verdade, um dos grandes erros segundo Ken Wilber que é o criado da abordagem integral, cometidos pelas tradições espirituais, que o trabalho integral com a sombra tenta corrigir, é supor que práticas como meditação podem transformar o indivíduo inteiro, quando, na verdade, deixam de lado alguns aspectos muito importantes da individualidade, como a sombra. Muitas vezes o resultado é um compreensão dos  estados de consciência superiores sem uma integração correspondente, rigorosa e consciente, do “lado escuro” do praticante.

Isto pode levar ao que chamamos de Spiritual Bypass ou desvio espiritual que é quando a pessoa supervaloriza o espiritual em detrimento do mundano, focando apenas em práticas e crenças espirituais e evitando trabalhar suas sombras e questões psicológicas mal resolvidas. A consequência é um falso desenvolvimento espiritual em que a pessoa acaba por cair em um limbo em que acredita estar em um estágio de desenvolvimento que não condiz com sua realidade e que pode trazer a tona graves problemas psicológicos futuros tanto para a pessoa em si como para as demais pessoas de seu convívio.

Para podermos trabalhar com a nossa sombra é fundamental compreender como ela se origina.  Suponha uma criancinha que fica zangada com a mãe e esse sentimento de raiva é uma ameaça ao senso de eu (“Dependo totalmente do meu vinculo de amor com minha mãe”), assim ela tem que dissociar ou reprimir sua raiva.

Mas negar a raiva não faz com que ela desapareça, fazendo apenas com que os sentimentos de raiva pareçam estranhos na consciência: a criança pode estar sentindo raiva, mas essa raiva não pode ser sua. Os sentimentos de raiva são colocados do outro lado da fronteira do eu e aparecem como acontecimentos estranhos ou alheios na sua consciência.

A repressão e projeção podem ser mapeadas em 3 fases. Por exemplo:

  • Estou furioso com mamãe. Mas ficar com raiva de mamãe ameaça a minha ligação com o aconchego, com alimento, conforto, amor e segurança da sobrevivência. Logo não posso sentir raiva…
  • Mas não está tudo bem! Então, reprimo a minha fúria. Posso projetar a raiva sobre a minha imagem interior de “você” ou “eles” ou pior ainda, sobre pessoas reais que nem mesmo conheço. A raiva continua, mas como é impossível que seja eu a estar com raiva, assumo que deve ser outra pessoa. De repente o mundo está cheio de pessoas raivosas…
  • Se reprimir isso totalmente, não vou mais nem reconhecer a raiva. A raiva nada tem a ver comigo. Estou assustado e triste. Por meio da repressão da raiva a minha emoção primária real e autêntica é percebida agora na forma de reação secundária, tornando-se inautêntica. Em outra palavras criei um engodo interior, isso que queremos dizer com emoções secundárias, nesse caso tristeza e medo, que me afastam ainda mais da raiva inaceitável, que era meu sentimento original, primário e autêntico. Uma emoção secundária, pode sim ser sentida com força e sinceridade, mas não é a causa raiz e não pode ser efetivamente processada sozinha.

Então o trabalho com a sombra é central, pois eu nunca vou superar meu medo e tristeza sem reconhecer a emoção em jogo, que seria a raiva, e então assumi-la.

Sempre que rejeito e projeto os meus impulsos, sentimentos e qualidades, eles aparecem lá fora, onde me assustam, irritam, deprimem ou se transformam em obsessão. Em geral, as coisas que mais perturbam, frustram, fascinam ou compelem nas outras pessoas são na verdade impulsos e qualidades da minha própria sombra, percebidos a agora como algo que existe lá fora e não que se origina em mim.

Em resumo, para mim, a sombra parece estar “lá fora”, mas ela informa meus sentimentos e motivações. De maneira subconsciente e inadvertida, a minha sombra molda o meu comportamento, criando padrões dos quais parece impossível escapar.

Compreender o que é a nossa sombra e como ela funciona é peça chave para torná-la consciente e nos ajudar a integrá-la! Apenas assim, seremos capazes de trazer luz aos nossos aspectos sombrios e ter um desenvolvimento por completo.

E caso você tenha gostado do assunto da sombra pela ótica da abordagem integral e queira saber mais, deixo um convite! Eu e minha parceira Mari Mel Ostermann, disponibilizaremos 4 vídeo aulas online e gratuitas sobre esta abordagem. Para se inscrever e receber os vídeos em seu e-mail, basta acessar o link: www.cursointegralway.com O primeiro vídeo será liberado dia 6 de abril.

*Co-criadora do Curso Integral Way, Gabi é Master Coach Integral, especialista em propósito de vida e na utilização da abordagem integral como alavanca de mudanças sustentáveis em pessoas e organizações. Fundadora do The Sun Jar, atua como coach, palestrante e consultora integral apoiando pessoas e organizações no alcance de uma vida mais plena e com sentido. Gabi também é colaboradora do Nowmastê. Para mais informações acesse: www.thesunjar.com

Veja comentários (5)
  • O MAR, O LAGO E A MULHER
    “O lago não tem inveja do tamanho do mar.
    O lago tem uma paz que o mar não tem…
    jamais terá.
    O lago, nem um pouco inveja, a revolta do mar;
    talvez o mar deseje a serenidade do lago.
    O mar é bem mais fundo que o lago,
    tem muito mais peixes,
    e muito mais variedades…
    mas… e daí?
    O que mais importa é a paz…
    que bem poucos têm.
    E o lago, na sua costumeira serenidade,
    é capaz de refletir todo o seu entorno…
    e eu, me entorno de toda esta beleza.
    Quando eu olho para o mar,
    vejo apenas as ondas, aquela eterna agitação.
    Quando dirijo meus olhos para o lago…
    vejo quase tudo que está em volta.
    Difícil fica, saber o que é reflexo e o que é real.
    Quando escrevo algo, digo alguma coisa…
    mesmo que nada aparentemente tenha dito.
    Assim, não tente entender o mar, o lago e a mulher.
    Não ouse compreender a agitação, a paz e a vaidade.
    Será melhor apenas amar, alagoar e amulherar.
    Os três… juntos ou em separado…
    acharão isto muito mais interessante.”””

    de Ediberto Bentes Pinna, Charlie Mei Mei & Yerzínian Yaiá Thouret.
    OBS. O segundo autor tem página literária no Facebook.
    Ainda não musicado. Compartilhe por favor e dê aquele gostei.
    Grato e aquele abraço.

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  • O AMOR NO MEU CORAÇÃO
    ”O lado esquerdo do meu coração ama você.
    O lado direito … faz a mesma coisa.
    A parte de cima do meu coração,
    imita a esquerda e a direita.
    A parte de baixo, não faz outra coisa:
    imita o lado esquerdo, o lado direito,
    e a parte de cima.
    Todas as partes do meu coração fazem o mesmo:
    uma parte imita a outra.
    E todas juntas, só lhe fazem amar, amar, amar.
    Tendo o coração assim só para você,
    tão intensamente lhe amando,
    acabei por ficar sem coração para mim…
    nisto: morri.”””
    PROTESTO! ESTE TEXTO MENTE!
    Este texto é um impostor…
    deveria pagar impostos por tanta inverdade.
    Em verdade, estou bem vivo, amante e apaixonado.
    O que ele tem de verdadeiro é quando descreve
    o que fazem as diversas partes do meu coração.
    Nisto me calo… e concordo com ele.

    de Ediberto Bentes Pinna, Charlie Mei Mei & Draiton Petrus.
    OBS. O segundo e o terceiro autores têm página no Facebook.
    Ainda não musicado. Compartilhe por favor e dê aquele gostei.
    Gratíssimo e aquele abraço.

  • Não sei se as tradições espiritualistas ( o que são tradições espiritualistas) não têm em conta a tal “sombra”; creio que quando nos focamos em nós, quando o foco é o nosso ser, está implícito TUDO o que somos. As tais tradições não o mencionam? A falácia de hoje em dia, é continuar a não usar o conceito de Holismo no seu dia-a-dia. Poderia falar da minha terapia, no entanto, não é o local. bjs violetas!

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