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Como você tem participado da sua vida?

Como você tem participado da sua vida?

Nowmastê

Cesar Matsumoto* 

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Foto: Ryan McGuire

Ontem tomava café da manhã com Rita Monte, grande amiga com quem estou criando um workshop sobre “cooperar com o próprio destino”, uma experimentação nossa sobre os chamados da vida, destino e o vir-a-ser. E quando levava um pão de queijo à boca, ela me solta “como você tem participado da sua vida?”. O pão de queijo estacionou e senti como a tela azul do windows: “Pára tudo! Oi???”.

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Rimos muito com a imagem da tela azul e continuamos na toada desse assunto. Hoje, por “coincidência”, tirei uma carta no Tarot Zen, de Osho, que reforçou esse tema, levando-me a escrever este artigo.

Carta da Participação:

Alguma vez você já percebeu a noite passar? Pouquíssimas pessoas tomam consciência das coisas que estão acontecendo todos os dias. Você já prestou atenção ao chegar da noite? À meia-noite e à sua canção? Ao nascer do sol e à sua beleza? Temos nos comportado quase como um bando de cegos. Num mundo tão bonito, vivemos em pequenos compartimentos da nossa própria miséria. Ela é familiar; assim mesmo que alguém queira arrancá-lo dali, você resistirá. Você não quer ser arrancado da sua miséria, do seu sofrimento. Em contrapartida, há tanta alegria por sua volta… você tem apenas de perceber isso e tornar-se um participante, não um espectador.

Satyavan dizia que o sofrimento para as pessoas é algo que lhes é precioso. Pois é o que justifica seus investimentos e seu status quo.

Às vezes parece que as coisas não podem estar “tudo 100% bem”. Tem que ter algum “draminha” para ter alguma graça, algum lugar pra chegar e algum problema a se resolver.

Simplesmente se estar, sem pretensão de nada, participando da existência soa como desperdício, improdutividade.

O que seria de nossas vidas sem nossos problemas? Como justificar as horas de trabalho, o estresse, os sapos que engolimos, os dragões que matamos, se não for por um bom motivo? Se não for por uma boa desculpa pessoal, para manter “tudo funcionando direitinho”? Afinal, se não equilibrarmos todos os pratos, eles vão cair e quebrar.

Mas, e se… Os pratos não existirem? Forem somente ilusão criada para nos entreter? E se não houver mais nada a buscar e conquistar?

Me veio a imagem de Dom Quixote buscando duelos por aí, para justificar sua armadura, cavalo e lança. Poderosas desculpas.

Outra coisa que falávamos, Rita e eu, era sobre o sintoma dos “zumbis no metrô”. Aqueles olhares vazios, ocos, dentro de corpos que estão indo ou voltando de algum lugar. Ausentes.

Nesse momento silenciamos por um instante. Angústia.


Sempre me intrigou qual seria a importância do senso de humor no caminho espiritual. Afinal, é tanto sofrimento, seguido de alegria, depois angústia, depois risada. Tanta ilusão e desilusão, certeza seguida de incerteza, que só rindo mesmo. Me encanta, por exemplo, ver rostos grisalhos rindo como criança. Tem um quê de “já entendi faz tempo, isto aqui é só uma brincadeira”.

Sentado numa meditação esta semana, me baixaram pergunta e resposta simultaneamente:

“Qual o sentido da vida?”

“Nenhum.”

“Sorri.”

 Cesar Y. MatsumotoMeu nome é Cesar Matsumoto. Desde os 18 anos resolvi que queria mudar o mundo. Sempre idealista, desde a faculdade de Administração Pública (FGV) trabalhei com Economia Solidária,Diálogo, Design Thinking e Teoria U. Fui consultor em inovação social e estava indo muito bem… Estava no auge da carreira, trabalhando nos projetos dos sonhos. Mas de repente me vi totalmente vazio de significado na vida. E num certo momento tive uma experiência que mudaria para sempre meu rumo e minhas prioridades — tive uma ascensão da kundalini, um despertar espiritual que me fez, alguns meses depois, largar tudo na busca pelo encontro com A Verdade, com quem Sou. Conheci meu mestre espiritual Satyavan e fui morar em seu Ashram (mosteiro) sem o intuito de voltar enquanto não encontrasse o que estava buscando. Vendi todas minhas coisas, ficando com duas malas de roupas e me tornei monge.

Por diversos motivos, retornei mais cedo do que antevira. E hoje busco partilhar um pouco do Amor e sabedoria que recebi. Uma das formas de fazer isso é por meio da Ananda Desenvolvimento Humano, empresa social que criei usando meu nome espiritual — Ananda. ☺

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