Como escolher um curso de formação para professor de Yoga?

Por Denis Karenkin*

Photo credit: Ängsbacka Kursgård via Visualhunt.com / CC BY-NC-ND

Com o crescente aumento da popularidade do Yoga e da meditação no Brasil, mais e mais praticantes estão buscando aprofundar seu conhecimento sobre as práticas ou mesmo atuar como professor(a) de Yoga.

E se submeter ao seu primeiro curso de formação para professor(a) de Yoga é um grande investimento – tanto financeiro quanto de tempo. Pode ser uma experiência maravilhosamente transformadora, mas vale a pena fazer uma pesquisa e pensar previamente sobre qual tipo de programa de treinamento está mais de acordo com as suas necessidades.

Nesse artigo, contemplaremos alguns fatores importantes que deverá levar em consideração ao escolher um curso de formação como professor(a) de Yoga:

Devo estudar com um professor local ou viajar para fazer um treinamento com um professor reconhecido?

– Dar uma aula e dar um curso de formação em Yoga não é a mesma coisa e requerem conjuntos de habilidades diferentes. Certifique-se de que seu professor local, de quem tanto gosta e com quem tem suas aulas, tem experiência suficiente e profundo conhecimento da disciplina que irá ministrar num curso mais longo. Talvez você possa perguntar a pessoas que já tenham feito um curso similar com esse(a) professor(a) para saber sua opinião a respeito.

Contudo, no fim das contas, se você se identifica com sua maneira de ensinar e filosofia de ensino, pode estar inclinado a ignorar a falta de experiência. E isso é uma realidade quando você mora numa cidade pequena em que as opções para um curso de formação são limitadas. Pra ser sincero, existem ótimos programas de treinamento em pequenas localidades e terríveis em cidades grandes, e vice-versa. Mas mesmo se você decidir viajar para estudar com um(a) professor(a) renomado(a), certifique-se de pesquisar: pergunte a pessoas que já treinaram com esse(a) professor(a) sua opinião;

Pergunte qual é a reputação desse(a) professor(a) e do centro/escola; verifique a grade curricular do curso de formação que está sendo oferecido; envie por e-mail suas perguntas ao(à) professor(a)/escola (e espere ter um retorno) e procure ir ao seu workshop, se acontecer algum em sua cidade. Tudo isso pode te dar pistas se o(a) professor(a)/curso é ideal pra você ou não. Serem famosos(as) ou às vezes terem o curso realizado numa locação exótica não devem ser fatores decisivos pra você. Sua intuição te orientará para que tome a decisão certa, mas fazer um levantamento antes também não fará mal.

Considerações com relação a formato – Devo fazer um intensivo com duração de um mês ou um curso de seis, nove ou doze meses de duração aos fins de semana?

– Se é um intensivo com um mês de duração (geralmente em torno de 26 dias – se for menos de três semanas, estaria bem cético a respeito) ou um curso de fim de semana com duração de seis a nove meses, ambos os formatos têm seus prós e contras. Em relação ao formato intensivo: pode ser difícil às vezes, e você pode se sentir física e emocionalmente exausto, saturado de informação, mas, por outro lado, pode ser uma experiência imensamente transformadora onde você aprenderá muito e essa experiência poderá moldá-lo(a) como professor(a) ou praticante do Yoga para o resto da vida. Sobre o curso mais longo: o conteúdo fica distribuído ao longo de um período maior, o que torna mais fácil de digerir (você não fica saturado(a)), pode ser mais viável, uma vez que você continua cuidando dos demais aspectos da sua vida (trabalho, família, responsabilidades) já que o processo de aprendizagem não demanda tanto quanto o intensivo. Por outro lado, por não ser tão intenso o aprendizado, pode não ter o mesmo impacto de transformação em você. Você precisa ver qual é o formato mais viável pra você e qual vai ao encontro do seu estilo de aprendizagem.

Quero apenas aprofundar minha prática, não penso em ensinar…

– Em média, 20-40% dos estudantes que fazem um curso de formação de Yoga vão pensando (e geralmente dizendo) que não querem ensinar. Se você é uma dessas pessoas e está certo(a) de que ensinar Yoga não será sua escolha de carreira, você também pode procurar um formato mais leve de cursos do tipo “aprofundamento-imersão”, que geralmente não são tão rigorosos e consomem menos tempo. Contudo, cursos de formação de Yoga são cheios de exemplos de graduados que, a princípio, pensaram que não ensinariam posteriormente e se tornaram alguns dos melhores professores, descobrindo sua paixão pelo ensino. Portanto, não se adiante tirando conclusões precipitadas, uma vez que seu desinteresse em ensinar pode ser apenas uma desculpa para sua insegurança inicial.

Já pratico há algum tempo e quero compartilhar os mesmos benefícios que a prática do Yoga me proporcionou com meus futuros alunos – Certamente quero ser um professor de Yoga!

– Além dos fatores que já foram discutidos acima, certifique-se de que a grade curricular dedica um bom tempo (idealmente 50% da grade curricular) a metodologia de ensino – desenvolvendo suas habilidades nesse quesito. Participar de uma aula e facilitar uma requer habilidades diferentes – é como leitura e escrita. Alguns cursos podem focar mais pesado na técnica (ex: sequência de asana), outros em anatomia, filosofia do Yoga ou meditação, mas se seu objetivo é ensinar, você vai precisar saber quanto tempo do curso é dedicado a desenvolver essas habilidades específicas. Novamente, é quando a pesquisa entra em jogo, então não hesite em fazer várias perguntas.

Um curso online pode oferecer a mesma qualidade de um curso presencial?

– Se esse é seu primeiro curso de formação, eu não recomendaria fazê-lo online. Tem algo de especial que acontece quando você está na presença dos seus professores e as amizades que faz durante o treinamento são valiosas. O entendimento do que é um Sangat (comunidade espiritual – seu sistema de apoio) não será alcançado fazendo um curso online. Por outro lado, se for seu segundo ou terceiro treinamento e você conhece o professor, sua filosofia e metodologia de ensino e se identifica com elas, você pode se beneficiar fazendo a parte teórica do curso online, embora ainda possa ser solicitado a cumprir algumas horas presenciais participando de um retiro com aquele(a) professor(a) (ou professores) no final do curso. Recomendo fortemente a fazer isso. Mais uma vez, isso vai depender do seu estilo de aprendizado e o quão disciplinado(a) é. Quando está numa sala física com seu(sua) professor(a) e colegas, não tem pretexto para fazer nada além de praticar e aprender.

Qual é a importância de continuar a formação no Yoga depois de completar as 200 horas essenciais de treinamento?

– O que você pode esperar aprender em suas primeiras 200 horas (Nível 1) do programa de treinamento é simplesmente o básico de como conduzir uma aula de Yoga. Geralmente, depois de alguns meses ensinando, você percebe o quanto você ainda não sabe. Mas não se desespere – a maioria de nós teve que aprender trabalhando também, enquanto testamos nossas novas habilidades de ensino, muitas vezes, falhando. Continuar a formação no Yoga é da maior importância se você decide seguir carreira como professor(a) de Yoga. Depois de ensinar por algum tempo, você pode querer começar a buscar um curso ou sequências de workshops que poderiam ajudá-lo(a) a construir conhecimento e confiança numa área particular (ou áreas) em que você sente que pode estar insuficiente ainda. Mais uma vez, pesquise! Se você fala línguas estrangeiras e pode viajar, fazer um treinamento de 300 horas (Nível 2) num país diferente (ou continente) pode ser uma excelente opção.

Essas são algumas questões que você pode querer considerar ao investir no seu primeiro curso de formação em Yoga e a lista não é de forma alguma definitiva. Se você tiver dúvidas ou questões específicas, sinta-se à vontade para entrar em contato comigo através do meu site www.dkarenkinyoga.com/contato

 

2 Comentários

  1. Amei esse artigo. Grata

  2. Muito esclarecedor, também amei!

Deixe uma resposta

Por uma vida mais consciente

Você quer receber as novidades e promoções do Nowmastê no seu e-mail?