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Como direcionar sua energia?

Como direcionar sua energia?

Nowmastê

Desatenção em um nível é atenção em outro

Por Sandro Bosco* via Yoga Journal Brasil

Um amigo me contou que tinha conversado com seu professor de música, pois vinha observando que coisas que antes fazia muito bem como estacionar o carro, fazer contas, lembrar de caminhos, estava errando muito naquele mês. “Isso nunca tinha acontecido antes”, ele tinha enfatizado.

O professor comentou:

‘Desatenção num nível é atenção em outro.’

Sábio ensinamento!

Para você estudante de Yoga crescer e entender cada vez melhor o que os sábios yogues estão tentando nos mostrar, pergunte-se:

– Onde está minha atenção agora?

Crie o hábito sadio de repetir mais vezes por dia esta pergunta.

Um hábito para o yogue não é algo que deva enrijecer como um tronco velho, e repetir-se como a fala de um papagaio.

Os hábitos nos levam a fazer tudo sem pensar, sem sentir, sem porquês e assim fazer tudo automaticamente.

Habitue-se então a criar pausas silenciosas durante o seu dia para tomar consciência do que está ocorrendo na sua mente.

Por quê?

Porque a mente entra no automático muito fácil e sua vida entra no automático e tudo perde o sabor.

Mas um hábito yogue como este traz de volta o frescor do momento presente, de sentir que aquele é um momento novo, único, como de fato é!

No caminho do autoconhecimento o segredo não habita no “o que faço”, mas em “como faço”.

A prática do Yoga aumenta o foco (a qualidade) da sua atenção! O ritmo interno do corpo e a respiração acalmam e com isso acalma o ritmo da mente. Nessa hora é que temos maiores chances de conhecer a ‘Energia’ que rege tudo, que rege o universo.

Quando este poder de perceber os movimentos dos pensamentos se torna mais aguçado descobrimos quais são os lugares que eles estão visitando mais.

Se são visitas a lugares bons = boa energia.

Se são visitas a dúvidas, julgamentos, rancores = perda de energia.

Perceber em que objeto está o seu pensamento agora é o primeiro passo de uma mente yogue focada. O segundo passo vem à seguir, com a prática mais sutil de perceber o trânsito mental, o encadeamento de um pensamento para outro.

Em vez de desgastar e cansar, as duas práticas acima direcionam a energia para um reservatório de força e bem-estar.

Esta é a mente forte.

texto sandro

Vamos usar um recurso yogue:

– Se você está sentado agora, coloque os dois pés no chão descruzando eventualmente as pernas.

Endireite as costas relaxando os ombros, feche os olhos, respire fundo e mantenha em seguida a respiração livre. Volte a sua atenção para a tela mental, podemos chamar assim esse local dentro do seu cérebro onde os pensamentos passam e são projetados continuamente.

Olhe – sem os olhos – esta tela como o poder do “observador interno” e veja o que você está pensando (ou estava há segundos atrás) e você saberá onde estava a sua atenção.

Você vai começar a entender que você nunca está desatento. Quando você se pega desatento em uma tarefa você deve antes de tudo reconhecer que você estava atento em outro ponto, em outro assunto.

A mente está sempre atenta a alguma coisa. Os ‘porquês’ que vem por ela nem sempre estão onde você gostaria.

Mas podemos corrigir esta frase acima assim:

– A mente não estava onde você gostaria que ela estivesse, mas estava (quando você chamou-se de distraído) aonde ela gosta de estar.

Conta-se que um discípulo, depois de tentar praticar o Zen durante um certo tempo de sua vida, foi visitar o mestre para aprender dele, algo novo.

O mestre após escutar sua solicitação perguntou-lhe:

– Antes de entrar nesta sala, onde você deixou seus sapatos ?

– Ora mestre ao lado da porta.

– Claro! Exclamou o mestre. Mas qual lado direito ou lado esquerdo ?

A expressão do rosto do discípulo que julgava-se apto para um novo ensinamento sobre como praticar o Zazen e assim desenvolver-se na arte de estar focado em suas tarefas foi de surpresa e desapontamento.

Aprendemos no Yoga que a base da concentração é um pensamento de cada vez.

Não raro ouço dos alunos de Yoga ou em palestras quando trago este tema o argumento:

– Ah não! Mas comigo é diferente, pois a minha mente consegue pensar (alguns falam concentrar-se) em várias coisas de uma vez e assim meus pensamentos não param.

Ledo engano. É como um viciado que já não tem a noção ou lembrança de como era fumar dois cigarros por dia quando agora fuma um maço, ou ainda quando hoje fuma um maço por dia e antes fumava dois.

A mente não pensa pensamentos sobrepostos. Quando você acredita que sua mente é eficiente ou enlouquecida porque pensa dois ou mais pensamentos por vez você está apenas atestando que ela está hiper acelerada e a ansiedade permeia seu organismo roubando sua saúde como um todo e desperdiçando sua energia vital.

Recentemente, em uma entrevista em vídeo sobre “Cansaço Mental”,onde ensino alguns asanas, e que foi vista por milhares de pessoas, pude ouvir dos que assistiram e praticaram, “puxa como minha mente estava acelerada, que bom que agora eu percebi isto” ou “puxa que vida insana a minha tendo uma mente assim tão desenfreada ”.

Essas pessoas perceberam os efeitos (como no exemplo do tabagismo) por contraste. Como as séries que ensino para casos assim trazem benefícios rapidamente, a mente transita do cansaço e da hiperatividade para um estado prazeroso de calma e lucidez, e que é facilmente percebido: isto acontece porque vem junto com um estado de bem-estar geral .

Sempre ensino e insisto que direcionar a energia não é algo que você precisa imprimir força. Quando se muda o curso de um rio não adianta bloquear a água sem oferecer um outro caminho.

Não se direciona a energia pela força imposta. Se você faz uma represa para gerar energia elétrica ela é gerada quando você direciona a água dando uma saída a ela.

Direcionar a energia de algo poderoso não se faz pela força mas pela firmeza e delicadeza. Se não fosse assim Mahatma Gandhi não teria libertado seu povo do jugo inglês.

O grande líder opôs-se com a firmeza de assumir a verdade em tudo – satyagraha – e a delicadeza de optar pela não violência – ahimsa –

Permita-me lembrar que direcionar a atenção e consequentemente a energia através do Yoga não vem nem da violência consigo ou da chibata de um professor contra seu aluno.

O próprio Sri Krishna condena a mortificação ou auto-mortiicação no BhagavadGita como forma de disciplina e austeridade.

Quando o mestre – do início deste artigo – alerta que não há desatenção ele está sugerindo “perceba onde está sua atenção”. Os antigos falavam “diga-me com quem andas e te direi quem és” . E aqui podemos criar um novo ditado “Perceba aonde estás desatento e para onde vai sua atenção e conhecerás os obstáculos internos no seu caminho”.

Não há obstáculos externos! Os obstáculos são internos! Já se disse que os limites são autoimpostos.

Concentração vem de perceber aonde está a sua mente agora!

A propósito: ela está na leitura ou em algo mais?

Você consegue perceber, aqui e agora, que se a mente está neste algo mais e não estava na leitura ? Se você percebe: muito bom! Dois pensamentos assim como dois corpos não ocupam o mesmo espaço no mesmo tempo.

Lembre-se que cérebro é matéria, pensamento é energia.

Ao perceber que a mente foi para outro assunto e detectando qual é este outro assunto você aprende através do sutil (que é o pensamento ) e do sutil que é o ‘observador’, conhecido no Yoga como a “Consciência Testemunha”, a direcionar o bem mais precioso do ser humano:

– sua própria energia vital.

Sandro Bosco

*Sandro Bosco vive e pratica Yoga e meditação há mais de 40 anos. Ministra aulas, workshops e retiros pelo mundo. www.sandrobosco.com.br

Alguns programas são realmente especiais. Imagine passar uma semana na Amazônia, naquele que foi eleito um dos melhores Eco Lodges do mundo, com workshops de Yoga e meditação organizados pelo Sandro Bosco, um dos mais respeitados professores de Yoga do Brasil. Imaginou? De 24 a 30 de janeiro de 2016

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