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Como conduzir as crianças no caminho do amor

Como conduzir as crianças no caminho do amor

Nowmastê

Do blog de Sri Prem Baba

Entenda porque a pratica da honestidade é o melhor exemplo para darmos às crianças.

A criança aprende através do exemplo. Por isso, sugiro começarmos essa reflexão olhando para dentro de nós mesmos – as pessoas que darão o exemplo pra essas crianças – e nos focarmos no valor que tenho dito ser o mais urgente e necessário nesse momento da nossa jornada evolutiva: a honestidade, que tem como valores adjacentes a verdade, a integridade e a ética. Uma vez que a honestidade desabrocha, inevitavelmente um outro valor igualmente importante também vem à tona, que é a autorresponsabilidade por tudo o que acontece em sua vida.

Acredito que a honestidade é o valor mais clemente neste momento porque podemos dizer, de forma sintética, que a mentira é a grande ilusão que cobre a nossa percepção e nos impede de seguir no caminho do amor. São camadas de mentiras, nas formas do autoengano e do esquecimento – esquecimento da verdade de quem somos.

No núcleo dessa mentira está a ideia da vítima e ao seu redor, camadas de ilusão, que fazem com que a entidade se sinta um ‘eu’ separado e isolado, acreditando na ideia de ‘eu’ e de ‘meu’. Dessa ilusão nascem a carência e todos os desdobramentos que advém dessa ideia de um ‘eu’ separado, isolado e vítima do mundo, sendo a ingratidão a principal manifestação dessa crença, e a gratidão, por consequência, seu maior antídoto. Da ingratidão surgem os pactos de vingança e os jogos de acusações, entre outras legiões de ‘eus’ psicológicos que são desenvolvidos e com os quais vamos nos identificando de tempos em tempos.

E como é que toda essa mentira se instala em nosso sistema? Bem, a criança chega ao mundo com a necessidade de receber amor exclusivo até que possa se fortalecer e caminhar com as próprias pernas, amadurecer e desenvolver uma autêntica autossuficiência que se manifesta apenas quando ela consegue compartilhar os tesouros que trouxe para a Terra – seus dons e talentos. Então, quando ela nasce, começa a experimentar o mundo através do contato com a mãe, especialmente através da amamentação, quando ela tem contato com a bondade, a misericórdia e o amor infinito. Nesse contato porém, ela também se depara com a miséria humana, o egoísmo, o ódio e a ignorância, porque nenhuma mãe tem só amor para dar em seu leite.

Bem, a criança chega ao mundo com a necessidade de receber amor exclusivo até que possa se fortalecer e caminhar com as próprias pernas, amadurecer e desenvolver uma autêntica autossuficiência que se manifesta apenas quando ela consegue compartilhar os tesouros que trouxe para a Terra – seus dons e talentos.

O leite carregado de maldade, desamor e desrespeito, somado aos eventos da história dessa criança, começam a acordar memórias de vidas passadas onde ela, por algum, motivo sofreu privações e as amarguras do desamor, fazendo com que a cadeia de ignorância seja acionada. Então, até que a criança possa crescer, se tornar um adulto e ter o intelecto desenvolvido a ponto de procurar ajuda para poder compreender de onde vem a sua insegurança, de onde vem sua falta de fé na vida (porque está sempre atraindo situações difíceis), muita miséria já foi recriada e a rede do mau karma seguiu se expandindo.

O fato é que de alguma maneira essa cadeia precisa ser interrompida. Independente de como um indivíduo foi concebido, eu tenho inspirado todos àqueles que estão comigo a olharem para as crianças como atma, o espírito divino em desenvolvimento. A alma é sábia e muitas vezes tem muito o que nos ensinar. Ela já vem com um propósito bem definido. Já nasce com talentos, dons, com uma visão para este mundo – e precisa de suporte, de amparo para que isso seja revelado e compartilhado.

Ao mesmo tempo, a criança precisa de limites e cuidados. Às vezes precisa de limites firmes, nascidos de um coração amoroso, altruísta, que esteja realmente enxergando e respeitando esse ser e não manifestando a dor da sua própria criança ferida.
Dessa forma, seria tremendamente benigno para a evolução da consciência humana nesse planeta se as mães e os pais pudessem realmente se preparar para a maternidade e paternidade antes da concepção de seus filhos.

Dessa forma, seria tremendamente benigno para a evolução da consciência humana nesse planeta se as mães e os pais pudessem realmente se preparar para a maternidade e paternidade antes da concepção de seus filhos.

Para ensinarmos o valor da honestidade e da autorresponsabilidade para nossas crianças, precisamos ser transparentes na nossa relação com elas, dando o exemplo e tendo coragem de admitir nossas imperfeições quando elas surgem. Precisamos evitar ao máximo repetir o círculo vicioso que acusa a criança, que faz ela se sentir errada e inferior. Isso vai engessando-a na ideia da vítima, acionando assim a ingratidão, as vinganças, as acusações e todo o círculo vicioso do sadomasoquismo. Ensinar a autorresponsabilidade sem cair no jogo de acusações e sem deixar a criança se sentir culpada é uma grande arte.

Seria tremendamente benéfico se os pais estivessem conscientes do significado de trazer uma criança ao mundo. Mais benéfico ainda, se estivessem maduros o suficiente para ter o que dar para a criança, e quando falo em dar, me refiro especialmente, a valores como respeito e confiança, que são as ferramentas capazes de minimizar os impactos da formação do ego e seu círculo vicioso do amor imaturo.

Esse é o trabalho que eu estou fazendo com você aqui: te ajudando a se olhar no espelho e ver suas imperfeições para poder se desidentificar delas e trazer seu tesouro pro mundo. Mas esse processo é difícil, porque, muitas vezes, você começa a acreditar que é a pior das criaturas, se sente culpado e tem que lutar com a culpa, até que possa realmente experimentar a autorresponsabilidade. O mesmo se dá na relação com a criança, quando você está ensinando sobre limites e autorresponsabilidade. Com a mais sutil falta de cuidado você acaba ativando a culpa nela e abrindo portas para todo esse enredo.

Mas, de qualquer maneira, eu sinto que valores como honestidade e autorresponsabilidade são os principais aspectos que precisam ser ensinados às nossas crianças. Ao ensinar pelo exemplo, de forma que a criança possa se tornar honesta e autorresponsável, ela conseguirá, desde cedo, confiar nela mesma e na vida, se libertando da ideia da vítima, podendo ser grata por tudo aquilo que a cerca e trazendo ao mundo os tesouros que veio compartilhar.

Seu papel para ajudar a criança a seguir pelo caminho do amor é preparar o campo para que ele comece cedo a agradecer pela vida, para depois poder compartilhar seus tesouros.

*Prem Baba é um mestre espiritual nascido no Brasil, há 50 anos, em São Paulo (SP). Batizado na igreja católica como Janderson Fernandes, filho de uma família de classe média/baixa paulistana. Reconhecido aos 36 anos por seu guru, Maharaj Ji, na Índia, como mestre da ancestral linhagem Sachcha, Prem Baba tem atualmente milhares de discípulos espalhados por vários países.
www.sriprembaba.org

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