Carnaval. Folia dos deuses

Nowmastê

Segundo os estudiosos, as origens do Carnaval estão nas festas pagãs da antiguidade ligadas às colheitas e à chegada da primavera. Os rituais e as práticas visavam agradar aos deuses e garantir safras abundantes.

O Nowmastê resolveu saber mais sobre o assunto e fazer um paralelo com o Carnaval que conhecemos na atualidade. 

Inversão de papéis

Hoje, durante os dias de folia vemos homens vestidos de mulher; mulheres de homem; pobres vestidos de reis; ricos vestidos de índios, certo?

Pois é, no período babilônico, havia rituais nos quais os reis assumiam o papel de mendigos e os prisioneiros eram tratados como reis. Era  uma forma coletiva, e catártica, de subversão aos padrões vigentes. Já pensou? O príncipe Charles sendo escarnecido em praça pública por livre e espontânea vontade?

babilonia

Prazeres da carne

É recorrente também associar as festas carnavalescas a uma certa licenciosidade. Gente com pouca roupa, muita bebida, muita sensualidade.

 Bem, isso também não é por acaso. Nas Saturnálias (festas romanas dedicadas a Saturno, deus da agricultura), Lupercálias (feitas em homenagem a Lupércio, ou Pã) e Dionisíacas (rituais para o deus Dionísio na Grécia Antiga) eram vários dias de festa nos quais muita bebida, muita comida e orgias rolavam soltas. Não havia julgamentos morais uma vez que as sociedades grega e romana viam nesses atos uma ligação com a própria essência dos deuses que eram louvados.

E a Igreja? O que achava de tudo isso?

As práticas profanas das antigas civilizações atravessaram os tempos até a Idade Média. E claro que os sacerdotes católicos não as viam com bons olhos e tentarem eliminá-las. Mas tradições de milhares de anos não são tão facilmente apagadas. Algumas foram  até “renomeadas” como o próprio Natal, que coincide com as festividades do solstício de inverno, outras foram definitivamente impedidas. Já o Carnaval, a partir do século VIII ,passou a ser uma espécie de “despedida de solteiro” da vida comum antes das privações da recém criada Quaresma (quarenta dias de jejum e celibato). Era como se a Igreja assumisse o controle sobre os instintos pagãos e “permitisse” os excessos durante alguns dias para, logo em seguida, aplicar sua severidade sobre os fiéis.

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Nós, do Nowmastê, estamos mais para um retiro do que para uma folia, mas não dispensamos as bênçãos dos deuses pagãos.

Curiosidades

Por volta do século XI, no período fértil para a agricultura (Carnaval), homens jovens fantasiavam-se de mulheres saíam nas ruas e campos durante as noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos donos, comendo, bebendo e ganhando beijos das jovens das casas.

Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é bem européia. Começou no início da colonização, e foi uma adaptação do “entrudo” português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos mais tarde, no início do século XX, que os elementos africanos foram incorporados.

Em Roma, durante a Saturnália, os escravos eram soltos e o povo dançava nas ruas. Havia até uma espécie de carro alegórico que levava homens e mulheres nus e eram chamados de carrum navalis, ou “carro naval”, pois pareciam barcos. Alguns pesquisadores enxergam aí a origem da palavra carnaval. Outros creditam o termo à outra expressão latina: carnem levare, que significa “retirar ou ficar livre da carne” (a partir da Quaresma).

 

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